Durante o XXV Congresso CBNA Pet 2026, a Profa. Dra. Márcia Gomes, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), apresentou a palestra “Particularidades nutricionais dos gatos e os desafios de balanceamento nutricional”.
A profissional explicou que os gatos têm características metabólicas próprias, herdadas de seus ancestrais carnívoros. Por isso, precisam de uma alimentação formulada especificamente para a espécie, com níveis adequados de proteínas, aminoácidos, vitaminas e ácidos graxos.
Segundo Márcia Gomes, os felinos possuem uma necessidade maior de proteína do que os cães. Isso ocorre porque seu organismo utiliza aminoácidos de forma constante e apresenta pouca capacidade de se adaptar a dietas com baixo teor proteico.
A taurina é um dos nutrientes mais importantes para eles e deve estar presente na alimentação em quantidades adequadas. A deficiência desse aminoácido pode causar problemas cardíacos, alterações na visão e prejuízos à reprodução.
Outro aminoácido essencial é a arginina, necessária para eliminar compostos tóxicos do organismo. Sua falta pode provocar intoxicação por amônia.
Vitaminas A e D devem ser fornecidas na dieta
A médica-veterinária destacou que os gatos não conseguem transformar carotenoides em vitamina A de forma eficiente, como acontece em outras espécies. Por isso, precisam receber vitamina A já na forma ativa.
Os felinos também praticamente não produzem vitamina D pela exposição ao sol. Dessa forma, esse nutriente deve ser incluído na dieta.
Além disso, no metabolismo das gorduras, esses animais têm dificuldade para produzir ácido araquidônico, um ácido graxo importante para diversas funções do organismo. Por isso, ele também precisa ser fornecido pelos alimentos.

Carboidratos não são os vilões
Márcia ressaltou que os carboidratos, quando usados em níveis adequados, não são os principais responsáveis pelo diabetes em gatos. O maior fator de risco é a obesidade, que prejudica a ação da insulina e altera o controle da glicose.
Já na parte final da palestra, a professora destacou que o excesso de proteína na formulação pode aumentar a pegada de carbono e o desperdício de nitrogênio. O desafio da indústria é desenvolver dietas que atendam às necessidades dos gatos e, ao mesmo tempo, sejam mais sustentáveis.
“Entender as particularidades nutricionais dos felinos é fundamental para oferecer alimentos que promovam saúde e qualidade de vida”, concluiu.
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