Durante o XXV Congresso CBNA Pet 2026, a professora Silvana Lima Gorniak, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), apresentou a palestra “Aditivos e ingredientes “potencialmente” tóxicos para gatos”, destacando a importância de avaliar cuidadosamente a segurança de ingredientes utilizados em alimentos para felinos.
Segundo a docente, os gatos possuem características metabólicas próprias que podem dificultar a eliminação de determinadas substâncias pelo organismo.
“O felino já tem as suas particularidades por ser um carnívoro restrito. Por causa disso, a metabolização de muitos compostos fica deficiente”, explicou.
Entre os exemplos citados, Silvana mencionou conservantes sintéticos e compostos naturais, como a curcumina e o eugenol. “Não é porque são produtos naturais que eles são isentos de toxicidade no felino”, afirmou.
A professora ressaltou que alguns ingredientes podem se acumular no organismo ao longo do tempo e causar efeitos adversos.
“Todos os radicais fenólicos podem ser potencialmente tóxicos para o gato”, disse.
Intoxicação crônica pode passar despercebida
De acordo com Silvana, o principal desafio está na exposição contínua a pequenas quantidades de determinadas substâncias.
“O grande problema não é a intoxicação aguda. Sempre vai ser a intoxicação crônica, que passa meio desapercebida, e a consequência a gente vai ver meses ou anos depois”, destacou.
Ela acrescentou que fatores como idade e condições individuais do animal podem aumentar a sensibilidade a certos compostos.

Avaliação cuidadosa da formulação
Como recomendação prática, a professora orientou médicos-veterinários e nutricionistas a analisarem atentamente a composição das dietas.
“O nutricionista veterinário e o clínico veterinário devem se atentar se existem compostos com potencial tóxico nesses alimentos”, afirmou.
A palestra reforçou que a segurança dos ingredientes deve ser avaliada de forma criteriosa, considerando as particularidades dos felinos e o consumo contínuo desses produtos.
“Esses compostos podem se acumular no organismo e, consequentemente, causar intoxicação no gato”, concluiu.
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