Dormir é fundamental para a saúde física e mental de cães e gatos. Além de contribuir para a reposição de energia, o sono participa do desenvolvimento cognitivo, da consolidação da memória e da manutenção de processos fisiológicos.
Por isso, observar como os pets descansam também pode ajudar os responsáveis a identificar alterações que merecem atenção.
Embora a quantidade de horas de sono varie conforme a idade, o porte e o estilo de vida, mudanças no padrão de descanso podem indicar que algo não está bem. Trocar o dia pela noite, vocalizar durante a madrugada ou acordar repetidamente são alguns dos sinais que precisam ser investigados.
Segundo a médica-veterinária Rayanne de Moura Silvestre, pós-graduada em Clínica Médica de Cães e Gatos e Neurologia de Pequenos Animais, o sono tem funções importantes para o organismo.
“O sono proporciona melhora no desenvolvimento cognitivo e memória, além de estar ligado à reposição de reserva de energia e manutenção de processos fisiológicos”, explica.
Quantas horas os pets precisam dormir?
Não existe uma quantidade única de horas de sono adequada para todos os cães e gatos. A necessidade de descanso varia de acordo com diferentes fatores, como fase da vida, idade, porte e estilo de vida.
Filhotes e animais idosos tendem a dormir mais do que adultos, embora existam diferenças individuais. Para Rayanne, essa necessidade está relacionada às características de cada animal.
“É difícil dizer a quantidade de horas que eles devem dormir durante a noite, uma vez que diversos fatores estão correlacionados, como: fase e estilo de vida, porte do animal e idade do paciente”, esclarece.
Nos filhotes, o descanso é importante para o desenvolvimento do sistema nervoso e a consolidação das memórias e dos aprendizados. Já nos idosos, a redução da atividade motora pode influenciar a rotina de sono.
Entretanto, dormir mais nem sempre é uma consequência natural do envelhecimento. A avaliação deve considerar o comportamento habitual de cada animal e possíveis mudanças em sua rotina.

Fases do sono e movimentos durante o descanso
O sono é um processo fisiológico caracterizado pela redução da percepção dos estímulos externos, sem que isso represente uma perda definitiva da consciência. Sua classificação considera a atividade elétrica cerebral e inclui a transição da vigília para o sono, o sono não REM (NREM) e o sono REM.
Na transição para o sono, o animal começa a relaxar e a responder menos aos estímulos do ambiente. Durante o NREM, conhecido como sono de ondas lentas, a frequência cardíaca e a ventilação tendem a diminuir em comparação com a vigília.
Essa fase participa da recuperação do organismo, da regulação fisiológica e da consolidação das memórias.
O sono REM, por sua vez, é marcado por movimentos rápidos dos olhos e relaxamento muscular. Nesse estágio, podem ocorrer movimentos das patas, da face e das orelhas, além de alterações na frequência cardíaca e respiratória.
Essas manifestações fazem parte das características observadas durante o sono REM, mas, isoladamente, não permitem determinar o conteúdo de eventuais sonhos dos animais.
Alterações no sono podem indicar problemas de saúde
A qualidade do descanso depende de condições que permitam ao animal dormir de maneira contínua. Ruídos, temperatura inadequada, estresse, ansiedade e mudanças na rotina podem provocar despertares frequentes e prejudicar o descanso.
“Quando o animal está em um ambiente que afeta a fluidez do sono, fazendo com que o acorde, o corpo não consegue repor as energias, realizar todos os mecanismos necessários e eleva o hormônio responsável pelo estresse, afetando a qualidade de vida dos pets”, alerta Rayanne.
Além dos fatores ambientais, doenças e condições dolorosas podem modificar os hábitos de sono. Pets com dor ou desconforto podem apresentar inquietação, vocalizações e dificuldade para dormir durante toda a noite. Em outros casos, podem demorar mais para despertar.
Entre as condições que merecem atenção está a síndrome da disfunção cognitiva canina, um quadro neurodegenerativo associado ao envelhecimento e frequentemente comparado à doença de Alzheimer em humanos.
A condição pode provocar mudanças comportamentais, inclusive alterações no ciclo de sono e vigília.

Como identificar sinais de alerta e melhorar o descanso
Nos animais idosos, a diminuição da atividade motora pode ser esperada, mas alterações acentuadas no padrão de sono não devem ser atribuídas automaticamente à idade.
Dormir predominantemente durante o dia, permanecer acordado à noite ou despertar repetidamente são sinais que precisam ser avaliados.
Outras mudanças comportamentais também podem ajudar a identificar problemas. Urinar fora do local habitual ou demonstrar dificuldade para encontrar o pote de ração, por exemplo, podem indicar alterações que justificam investigação médico-veterinária.
Para favorecer o descanso, a recomendação é oferecer um local tranquilo, escuro e com temperatura confortável, reduzindo ruídos e outros fatores que possam interromper o sono.
A observação da rotina é importante para reconhecer mudanças persistentes.
“Qualquer alteração no padrão de sono é importante avaliar, incluindo alterações de comportamento que não incluem o sono”, reforça a médica-veterinária.
Dessa forma, acompanhar os hábitos de descanso dos pets permite reconhecer sinais precoces de desconforto e buscar avaliação profissional quando necessário, contribuindo para a saúde e a qualidade de vida ao longo de todas as fases da vida.

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