O crescimento de aves, répteis, peixes e pequenos mamíferos como animais de estimação nos lares brasileiros tem ampliado a procura por atendimento veterinário especializado.
Segundo profissionais da área, grande parte dos problemas de saúde registrados nesses pets poderia ser evitada com orientação adequada desde a aquisição do animal.
Erros de manejo, dieta incompatível com a espécie e ausência de acompanhamento preventivo estão entre as causas mais frequentes de adoecimento.
Mudança no perfil dos pets exige orientação desde a aquisição
Dados do setor indicam que os animais não convencionais já representam uma parcela significativa da população pet no país. A diversificação acompanha transformações no estilo de vida urbano, como residências menores e a popularização dessas espécies nas redes sociais.
O desafio, porém, está nas exigências específicas de cada espécie — muitas vezes desconhecidas pelos responsáveis.
No Hospital Veterinário Taquaral (HVT), em Campinas (SP), o aumento da demanda já é perceptível na rotina clínica.
“Temos observado um aumento consistente nos atendimentos a pets não convencionais, não apenas em casos de urgência, mas também em consultas preventivas, exames e orientações aos tutores. Isso mostra que há uma conscientização crescente, embora muitos problemas ainda sejam consequência de manejo indevido”, explica a médica-veterinária Raíssa Natali, especializada em animais não convencionais.

Erros de manejo estão entre as principais causas de adoecimento
Apesar das diferenças entre espécies, os equívocos cometidos pelos responsáveis tendem a se repetir.
“Independentemente de ser ave, réptil ou pequeno mamífero, os principais equívocos envolvem alimentação incompatível, ambiente mal dimensionado, ausência de controle de temperatura e umidade e a falta de acompanhamento veterinário preventivo”, afirma Raíssa.
Também é comum a automedicação e a adoção de orientações genéricas encontradas na internet, o que pode agravar quadros clínicos.
Outro fator que dificulta o diagnóstico precoce está relacionado ao comportamento natural dessas espécies.
“A maioria dos pets não convencionais é espécie-presa e, por instinto, mascara sinais clínicos até o limite fisiológico. As alterações iniciais costumam ser sutis e pouco específicas, o que faz com que muitos cheguem ao atendimento já em estágios avançados da doença”, explica a médica-veterinária Morgana Prado, também atuante no HVT.
Acompanhamento preventivo é essencial para garantir bem-estar e longevidade
A ideia de que esses animais “dão menos trabalho” ou “não precisam de veterinário” representa um dos principais riscos à saúde dessas espécies.
“Essa percepção leva à negligência do manejo correto e da medicina preventiva. Sem acompanhamento, o diagnóstico e o tratamento acabam sendo tardios, o que reduz o prognóstico”, alerta Morgana.
A consulta preventiva permite avaliar nutrição, ambiente e manejo, além da realização de exames clínicos, laboratoriais e de imagem quando necessário. Esse acompanhamento é essencial para promover bem-estar e ampliar a longevidade do animal.

Para as especialistas, afeto não substitui conhecimento técnico.
“Não é o afeto que garante saúde, mas a informação correta e o acompanhamento veterinário especializado”, conclui Raíssa.
Morgana completa: “Diante de qualquer mudança discreta de comportamento, apetite, fezes ou mesmo na aquisição do animal, a recomendação é buscar orientação profissional, que assegura a busca pelo bem-estar e longevidade do pet”.
Fonte: AMZ, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre pets não convencionais
O que são considerados pets não convencionais?
Aves, répteis, peixes e pequenos mamíferos mantidos como animais de estimação.
Quais são os erros mais comuns no manejo?
Alimentação inadequada, ambiente mal adaptado, falta de controle de temperatura e ausência de acompanhamento preventivo.
Esses animais precisam de consulta veterinária regular?
Sim. O acompanhamento preventivo é fundamental para identificar alterações precoces e garantir qualidade de vida.

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