Aquecer a comida de cães e gatos no micro-ondas é uma prática segura, desde que alguns cuidados sejam observados. A principal preocupação não está na radiação utilizada pelo aparelho, mas na forma como o alimento é aquecido e servido ao animal.
O micro-ondas funciona por meio de radiação eletromagnética não ionizante, que movimenta principalmente moléculas de água e gera calor. Por isso, o alimento não se torna radioativo.
Segundo a zootecnista Fernanda Canova Jordan, especializada em Nutrição de cães e gatos, também não há evidências de que o método provoque alterações nutricionais mais prejudiciais do que outras formas convencionais de aquecimento.
Aquecer no micro-ondas prejudica os nutrientes?
Qualquer processo térmico pode provocar alterações nutricionais, mas isso depende principalmente da temperatura, do tempo de exposição ao calor, da quantidade de água e da sensibilidade de cada nutriente.
Vitaminas hidrossolúveis e termossensíveis, como vitamina C, tiamina (B1) e folato, são mais suscetíveis ao calor. Os minerais, por outro lado, apresentam maior estabilidade.
“Usar o micro-ondas não significa, necessariamente, perder mais nutrientes”, explica Fernanda.
Como o método costuma exigir pouco ou nenhum acréscimo de água e períodos curtos de aquecimento, a retenção de determinadas vitaminas pode ser semelhante ou até superior à observada em métodos como a fervura.
Na rotina, portanto, aquecer rapidamente uma refeição completa e balanceada retirada da geladeira não tende a comprometer de forma relevante seu valor nutricional.
A atenção deve aumentar quando a comida contém suplementos ou outros componentes que tenham restrições de temperatura. Nesses casos, a recomendação do fabricante deve prevalecer.

Qual comida pode ser aquecida?
O teor de água influencia diretamente o aquecimento. Alimentos úmidos, como sachês, patês e dietas comerciais frescas, podem ser levemente aquecidos, desde que a embalagem permita esse procedimento.
Além de retirar a refeição da refrigeração, o calor moderado favorece a liberação de compostos aromáticos e pode aumentar a atratividade do alimento. O efeito pode ser especialmente interessante para gatos, cães idosos ou animais com apetite reduzido.
“Os alimentos úmidos apresentam, em geral, cerca de 70% a 80% de água, o que também facilita seu aquecimento”, afirma a zootecnista.
As dietas caseiras cozidas também podem ser reaquecidas, mas os suplementos devem ser considerados. Quando algum produto não puder ser submetido ao calor, ele deve ser acrescentado depois, conforme a orientação de uso.
Já a ração seca não precisa ser colocada no micro-ondas. Para aumentar a umidade e favorecer a liberação de aromas, uma opção é adicionar pequena quantidade de água morna.
Temperatura e recipiente exigem atenção
O micro-ondas pode aquecer diferentes partes da comida em temperaturas distintas, formando os chamados hot spots. Assim, uma refeição que parece morna na superfície pode apresentar regiões muito quentes no interior.
“O principal cuidado é lembrar que o micro-ondas não aquece o alimento de maneira perfeitamente uniforme”, alerta Fernanda.
Por isso, quando a intenção é apenas deixar a comida mais agradável após a refrigeração, o ideal é utilizar períodos curtos de aquecimento, misturar a refeição e esperar alguns instantes antes de servir. A temperatura deve ser conferida em diferentes pontos.
Alimento excessivamente quente pode provocar lesões térmicas na boca e, dependendo da temperatura e da quantidade ingerida, também no esôfago e em outras regiões do trato gastrointestinal.
O recipiente também faz diferença. Vidro resistente ao calor e cerâmica própria para micro-ondas são opções adequadas. Plásticos só devem ser utilizados quando houver indicação expressa do fabricante.
Potes descartáveis, embalagens de delivery, recipientes de margarina ou iogurte e bandejas de espuma não devem ser reaproveitados para aquecimento. A melamina também não é indicada para esse fim. Recipientes metálicos, utensílios com detalhes metalizados e papel-alumínio devem ser evitados, salvo quando houver orientação específica do fabricante.
Outro cuidado é a conservação. “Aquecer uma comida que foi armazenada inadequadamente não a torna novamente segura para consumo”, ressalta a profissional.
Quando o objetivo é reaquecer uma preparação previamente cozida por segurança microbiológica, o procedimento é diferente de simplesmente deixá-la morna.
Nesse caso, referências de segurança de alimentos recomendam que a preparação atinja aproximadamente 74 °C em toda a sua extensão. Depois, deve-se esperar o resfriamento até uma temperatura confortável antes de oferecer ao animal.

Afinal, pode aquecer comida do pet no micro-ondas?
Sim. O micro-ondas pode ser usado para aquecer a alimentação de cães e gatos, desde que o alimento tenha sido armazenado corretamente e o aparelho seja utilizado de maneira adequada.
Na prática, os principais cuidados são evitar o excesso de calor, garantir uma distribuição uniforme da temperatura, escolher um recipiente apropriado e respeitar as orientações do fabricante do alimento ou de suplementos adicionados à refeição.
“Não há motivo para demonizar o uso do micro-ondas na alimentação de cães e gatos. Quando utilizado corretamente, ele é apenas mais um método de aquecimento”, conclui Fernanda.

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