A decisão do governo dos Estados Unidos de revogar a Regra de Conservação de Áreas Sem Estradas — norma em vigor desde 2001 que impedia a construção de rodovias e limitava a exploração de madeira em terras públicas — coloca em risco mais de 400 espécies de animais e plantas ameaçadas de extinção.
Com a mudança, mais de 18 milhões de hectares de florestas preservadas passam a ficar vulneráveis à mineração, perfuração de combustíveis fósseis e corte de árvores.
Segundo um levantamento feito pelo Centro para a Diversidade Biológica, a perda da proteção afeta diretamente cerca de 3 milhões de hectares considerados habitats críticos, além de quase 2.900 quilômetros de rios e córregos.
Para a fauna silvestre, a fragmentação causada por estradas transforma ecossistemas inteiros e isola populações que já lutam para sobreviver em territórios reduzidos.
Fauna em risco e perda de refúgios naturais
A abertura de infraestrutura viária em áreas virgens interfere na capacidade de deslocamento, reprodução e alimentação de diversas espécies nativas. Entre os animais mais impactados pela medida estão:
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Mamíferos: ursos-pardos, lobos-cinzentos, linces-do-Canadá e a raposa-vermelha da Serra Nevada — cuja população é estimada entre apenas 18 e 39 indivíduos;
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Vida aquática: salmões selvagens, trutas-de-gila e salamandras-gigantes-orientais, altamente sensíveis ao acúmulo de sedimentos e poluição nos rios;
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Aves e insetos: corujas-pintadas-mexicanas e várias espécies de borboletas raras.
Além da destruição direta da vegetação, a presença de estradas eleva os riscos de incêndios florestais e aproxima atividades industriais de territórios que serviam como os últimos refúgios da biodiversidade americana.

Impactos no abastecimento de água e comunidades humanas
A flexibilização das leis ambientais não afeta apenas a vida selvagem, mas também compromete a segurança hídrica de milhões de pessoas. As florestas nacionais abrigam nascentes e bacias hidrográficas cruciais para o abastecimento urbano em diversas regiões do país.
Na floresta nacional de Tongass, no Alasca, o ecossistema sustenta uma indústria pesqueira de salmão avaliada em cerca de US$ 1 bilhão por ano e garante a água potável para diversas comunidades locais.
Já na Geórgia, as florestas de Chattahoochee protegem nascentes responsáveis por mais de 70% da água consumida na região metropolitana de Atlanta, enquanto no sudoeste americano, a preservação dessas áreas garante o abastecimento de metrópoles como Phoenix, Albuquerque e Flagstaff.
Fonte: ANDA, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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