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Proteína de frango: vilã para a pele? Estudos explicam o real impacto na dermatologia pet

Por Thais Ximenes, Monique Paludetti e Erika Pereira

Proteína de frango: vilã para a pele? Estudos explicam o real impacto na dermatologia pet
Por Equipe Cães&Gatos
30 de junho de 2026
Última atualização: 30/06/2026 - 15:55

Alergia alimentar é uma preocupação frequentemente apontada por responsáveis como uma das principais causas de prurido e distúrbios cutâneos em cães e gatos, motivando um número expressivo de atendimentos na rotina clínica. (Olivry & Mueller, 2017). 

Essa reação pode ser definida como uma resposta imune exagerada à antígenos provenientes do alimento, mediada tanto por imunoglobulinas quanto por células (Mueller & Unterer, 2018; Halliwell et al., 2021). 

Essa afecção pode chegar a 24% dos quadros dermatológicos em animais de companhia (Olivry & Mueller, 2017) e, apesar de aparentemente não apresentar predisposição racial direta, é comumente observada em cães da raça Labrador, Golden Retriever e West Highland White Terrier (Olivry & Mueller, 2019) bem como em gatos siameses (Carlotti et al., 1990). 

As formas de apresentação da reação adversa muitas vezes não se restringem apenas a lesões na pele e coceira, em mais de 20% dos casos ocorre também envolvimento gastrointestinal como vômito, diarreia, desconforto abdominal e borborigmos (Matias & Martins, 2025). 

Para o correto diagnóstico, é fundamental inicialmente eliminar outras possíveis causas que estejam afetando a integridade da pele a partir do controle adequado de ectoparasitas, e garantir que o animal esteja recebendo uma nutrição completa e balanceada (Gaschen & Merchant, 2011; Dandrieux et al., 2026). 

Após, segue-se para o padrão ouro de diagnóstico e tratamento da doença que consiste no teste alimentar ou dieta de exclusão, com posterior dieta desafio  (Bryan & Frank, 2010; Gaschen & Merchant, 2011). 

A dieta de exclusão consiste na restrição a antígenos alimentares conhecidos, podendo ser utilizado alimento comercial com base em proteína hidrolisada, ou então dieta caseira com proteína exclusiva e de preferência inédita, ou seja, que o animal não tenha tido contato prévio (Miller et al., 2023; Dandrieux et al., 2026). 

Embora proteínas animais sejam os principais alérgenos envolvidos nas reações adversas alimentares em cães e gatos, relatos envolvendo ingredientes vegetais e fontes de carboidratos, como trigo, milho e arroz, também já foram descritos na literatura, demonstrando que diferentes componentes da dieta podem atuar como desencadeadores em indivíduos sensibilizados (Mueller et al, 2016).

Já a dieta desafio consiste em oferecer novamente a dieta anterior ao tratamento e é indispensável para conclusão do diagnóstico de alergia alimentar, uma vez que ajuda a eliminar possíveis causas sazonais.

Mais especificamente em relação à proteína proveniente do frango, é importante destacar que, em animais que não apresentam reação adversa alimentar, essa fonte proteica costuma ter excelente aproveitamento nutricional. 

Ingredientes derivados do frango, incluindo farinhas de vísceras utilizadas na indústria pet food, possuem elevada digestibilidade, adequado perfil de aminoácidos essenciais e boa palatabilidade, sendo amplamente empregados na formulação de dietas comerciais para cães e gatos. 

Estudos demonstram que, quando adequadamente processadas, essas matérias-primas apresentam alta qualidade nutricional e importante contribuição para o fornecimento proteico dos alimentos completos, não havendo evidências que sustentem a associação automática entre o uso desses ingredientes e baixa qualidade alimentar (Abd El-Wahab et al., 2022; Dozier et al., 2003).

proteína de frango
Para cães e gatos saudáveis, a proteína de frango oferece excelente digestibilidade e perfil nutricional (Foto: Reprodução)

A frequente associação entre o frango e os quadros de alergia alimentar em cães e gatos não está relacionado ao potencial alergênico da proteína, mas a ampla exposição desses animais ao ingrediente ao longo da vida. 

O frango está entre as principais fontes proteicas utilizadas na indústria pet food brasileira devido à sua elevada disponibilidade, digestibilidade, palatabilidade e custo competitivo, estando presente em grande parte dos alimentos comerciais e petiscos (Pedrinelli et al., 2022; Donadelli et al., 2019). 

Confira o artigo completo “Proteína de frango: vilã para a pele?”, na íntegra e sem custo, acessando a página 42 da edição de maio (nº 322) da Revista Cães&Gatos.