Nos últimos anos, a categoria de pet food tem se transformado em uma das mais dinâmicas do mercado brasileiro, impulsionada pelo crescimento da população de animais de companhia e pela forte tendência de humanização dos pets. Nesse cenário, a Nestlé Purina vem redesenhando sua presença, reforçando investimentos em inovação, tecnologia e comunicação, além de trazer ao país iniciativas globais como o Purina Institute, braço científico da companhia.
À frente desse movimento está Rodrigo Maingue, executivo com 15 anos de carreira na Nestlé e que, há pouco menos de um ano, assumiu a liderança da Purina no Brasil.
Em entrevista exclusiva à Cães&Gatos, ele detalha o novo posicionamento da empresa, comenta sobre o potencial do mercado brasileiro e revela as apostas da companhia para os próximos anos.
Cães&Gatos: Rodrigo, você assumiu recentemente a gestão da Purina no Brasil. Qual é o balanço desse período e quais são os principais planos da empresa para os próximos meses?

Rodrigo Maingue: É um prazer conversar com vocês. Estou na Nestlé há 15 anos, mas completei 11 meses à frente da Purina, e foi uma experiência de grande encantamento. A categoria pet tem uma dinâmica muito parecida com a que já vivenciei em food service: canais distintos, especificidades próprias e um componente tecnológico muito forte. Desde que assumi, busquei aprender com veterinários, criadores e proprietários de pet shops. É um universo apaixonante. A Purina é uma marca centenária, com mais de 100 anos de história dedicados à nutrição pet. Quando olhamos em paralelo para a Nestlé, com seus 150 anos de trajetória em saúde, nutrição e bem-estar, percebemos um alinhamento de propósitos. A aquisição da Purina pela Nestlé, há mais de 20 anos, consolidou essa convergência. Hoje, trabalhamos para traduzir ciência, qualidade e tecnologia em soluções que proporcionem mais longevidade e qualidade de vida aos animais de companhia.
Cães&Gatos: A humanização dos pets é um fenômeno consolidado. Qual a relevância desse movimento para a Purina?
Rodrigo Maingue: A humanização é, sem dúvida, um marco para o setor. Há pouco mais de uma década, começamos a perceber esse comportamento ganhar força. Hoje, os pets são tratados como verdadeiros membros da família. Os números são reveladores: o Brasil concentra cerca de 50% dos animais de estimação da América Latina, com mais de 107 milhões de pets vivendo dentro dos lares. Para comparação, temos em torno de 40 milhões de crianças no país – ou seja, há mais que o dobro de pets em relação ao número de crianças.
Esse contexto mostra a relevância do papel do tutor e o quanto ele valoriza saúde, qualidade de vida e longevidade para seus animais. Além disso, a pandemia trouxe um componente adicional: a saúde mental dos tutores. O convívio com pets se mostrou essencial para momentos de relaxamento e bem-estar emocional, reforçando ainda mais o vínculo entre humanos e animais.
Cães&Gatos: Você citou ciência e tecnologia como diferenciais da Purina. Como esses conceitos se traduzem em investimentos no Brasil?
Rodrigo Maingue: O Brasil é hoje um dos principais focos de investimento global da Purina. O potencial de crescimento é enorme e, por isso, temos aportado recursos robustos. Entre 2017 e 2022, foram investidos mais de R$ 700 milhões na fábrica de Ribeirão Preto (SP), voltados à modernização tecnológica, transformação digital e aprimoramento da eficiência produtiva.
Mais recentemente, avançamos em um projeto ainda mais ambicioso: a construção de uma nova unidade fabril em Vargeão (SC), totalmente do zero, com investimento superior a R$ 1,3 bilhão. Essa planta está equipada com tecnologia de ponta para sustentar o crescimento esperado do mercado brasileiro. Esses movimentos reforçam nosso compromisso de longo prazo com o país e com a oferta de produtos de altíssima qualidade nutricional para cães e gatos.
