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Qual o papel dos ingredientes funcionais e nutracêuticos na alimentação dos pets?

Dentre os ingredientes funcionais, os ácidos graxos EPA e DHA, da série ômega 3, são uns dos mais conhecidos

Ter um animal de estimação promove bem-estar físico, mental e psicológico, talvez seja por esse motivo que os laços criados entre seres humanos e seus animais são cada vez mais fortes. Os animais hoje em dia fazem parte da família, dessa forma, os tutores procuram cada vez mais por uma alimentação que promova saúde, longevidade e bem-estar para cães e gatos nas diferentes fases de vida1.

A qualidade de um alimento, seja ele caseiro ou comercial, se dá principalmente pelo seu balanço de nutrientes e como eles são aproveitados pelo organismo. Os principais nutrientes em um alimento para cães e gatos são as proteínas, gorduras, carboidratos, fibras, vitaminas e minerais2. Diversos nutrientes são essenciais para o correto funcionamento do organismo. Estes não podem ser sintetizados pelo organismo e sua necessidade precisa ser suprida pela dieta. As quantidades ideais dos nutrientes essenciais em um alimento são atingidas por meio da combinação dos ingredientes selecionados levando-se em conta o perfil esperado para o alimento e a sua finalidade3. Alguns ingredientes, além de cumprir o seu papel como fonte de nutrientes essenciais, fornecem também outras substâncias capazes de favorecer o equilíbrio do organismo e auxiliar em diversas funções orgânicas. Eles são chamados de ingredientes (ou alimentos) funcionais e nutracêuticos, e proporcionam benefícios à saúde dos animais4. Dentre os ingredientes funcionais, os ácidos graxos EPA e DHA, da série ômega 3, são uns dos mais conhecidos, e têm efeito benéfico sobre doenças inflamatórias, problemas dermatológicos, doenças osteoarticulares, doenças cardíacas, doença renal e possível efeito na diminuição da atividade tumoral5.  

Os antioxidantes naturais também têm se destacado dentre os ingredientes funcionais. Além de prevenir a oxidação do alimento que causaria alterações no odor, sabor e produção de substâncias prejudiciais à saúde6, essas substâncias também podem combater os radicais livres do organismo, provenientes de processos oxidativos naturais ou estimulados por exposição à poluentes, moléculas químicas de medicamentos, pesticidas, produtos de limpeza, entre outros. Os radicais livres podem afetar a função das células pois atacam suas membranas celulares, modificam proteína, inativam enzimas, promovem estresse oxidativo e inflamação, acelerando o processo de envelhecimento do animal e a perda muscular7. Contribuem ainda à redução do surgimento de células cancerígenas e seu crescimento, artrose, doenças cardiovasculares e renais, catarata, disfunção cognitiva, entre outros processos degenerativos. Substâncias antioxidantes tem o poder de inibir a formação ou inativar radicais livres, auxiliando assim na prevenção desses processos e melhorando a expectativa de vida dos animais4.

Leia abaixa as referências utilizadas pelas autoras. O artigo completo pode ser acessado na edição 268 da C&G VF. Acesse aqui.

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(Foto: C&G VF)

 REFERÊNCIAS

  1. McConnell, A. R., Paige Lloyd, E., & Humphrey, B. T. (2019). We are family: Viewing pets as family members improves wellbeing. Anthrozoös, 32(4), 459-470.
  2. Carciofí, A. C., Prada, F., & Mori, C. S. (1998). Uso de indicadores internos na avaliação da digestibilidade aparente de alimentos para gatos: comparação de métodos. Ciência Rural, 28, 299-302.
  3. França, J., Saad, F. M. O. B., Saad, C. E. P., Silva, R. C., & Reis, J. S. (2011). Avaliação de ingredientes convencionais e alternativos em rações de cães e gatos. Revista Brasileira de Zootecnia, 40, 222-231.
  4. Rajasekaran, A., Sivagnanam, G., & Xavier, R. (2008). Nutraceuticals as therapeutic agents: A Review. Research Journal of Pharmacy and Technology, 1(4), 328-340.
  5. Wander, R. C., Hall, J. A., Gradin, J. L., Du, S. H., & Jewell, D. E. (1997). The ratio of dietary (n-6) to (n-3) fatty acids influences immune system function, eicosanoid metabolism, lipid peroxidation and vitamin E status in aged dogs. The Journal of nutrition, 127(6), 1198-1205.
  6. Vasconcellos, R.S. Antioxidantes naturais representam uma tendência no mercado pet food brasileiro? Alltech, Disponível em: < https://www.alltech.com/pt-br/blog/antioxidantes-naturais-representam-uma-tendencia-no-mercado-pet-food-brasileiro> Acesso em: 19 de agosto de 2021.
  7. SOARES, Sergio Eduardo. Ácidos fenólicos como antioxidantes. Revista de nutrição, v. 15, p. 71-81, 2002.
  8. Bianchi, M. D. L. P., & Antunes, L. M. G. (1999). Radicais livres e os principais antioxidantes da dieta. Revista de nutrição, 12, 123-130.
  9. Zaine, L., Monti, M., Vasconcellos, R. S., & Carciofi, A. C. (2014). Nutracêuticos imunomoduladores com potencial uso clínico para cães e gatos. Semina: Ciências Agrárias, 35(4), 2513-2529.

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