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Eficiência e estratégia: caminhos para reduzir custos na produção de pet food

De matérias-primas a layout industrial, decisões técnicas e operacionais impactam diretamente o preço final do alimento

Eficiência e estratégia: caminhos para reduzir custos na produção de pet food
Por Equipe Cães&Gatos
3 de março de 2026

O valor de um alimento no ponto de venda parece simples, mas reúne uma cadeia extensa de custos até chegar ao consumidor. 

Dados de 2023 do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicam que, na alimentação humana, cada dólar gasto inclui frações destinadas à produção agropecuária (0,09), processamento (0,13), embalagem (0,02), transporte (0,03) e outros fatores.

No pet food, a lógica é semelhante. Ao mesmo tempo, responsáveis por cães e gatos enfrentam pressão econômica. 

Em setembro de 2025, o Dog Food Advisor divulgou sua primeira pesquisa com responsáveis nos Estados Unidos, com quase 10 mil respondentes. 

Os resultados mostraram forte vínculo com os animais: 52% afirmaram que deixariam de comer para alimentá-los; 96% disseram que não abririam mão do pet por causa do custo; e 86% reduziriam gastos pessoais para manter uma ração de qualidade.

Apesar da fidelidade, a busca por economia é real — e a eficiência produtiva torna-se decisiva para manter preços competitivos.

Onde estão os principais pontos de pressão de custos

Especialistas apontam que praticamente todas as etapas concentram desafios: ingredientes, energia, mão de obra, embalagens, equipamentos e testes.

Ian Mealey, da Datacor Animal Nutrition, destaca que a mitigação de custos passa por ganhos de eficiência no processamento. 

Na formulação, decisões inadequadas de compra de ingredientes podem elevar o custo final sem necessidade. O uso de tecnologia para formulação impacta diretamente o sourcing e a seleção de fornecedores.

A origem dos insumos é outro ponto sensível. Relatório do Institute for Feed Education & Research aponta que a produção interna dos EUA supre menos de 20% da capacidade global de aminoácidos e praticamente não produz vitaminas — com exceção da niacina (B3), que representa 7% da produção mundial. 

A dependência de importações, especialmente da China, é significativa: 100% da lisina importada utilizada em rações para animais de produção vem do país, e mais de 80% das importações de vitaminas como B1, B5, B6 e vitamina E também têm origem chinesa.

Esse cenário evidencia a vulnerabilidade da cadeia a interrupções globais.

No chão de fábrica, ingredientes, consumo de energia e eficiência operacional concentram parte relevante dos custos. Jonathan Iman, da Tietjen, observa que a produção de extrusados pode gerar desperdícios elevados. 

Como os ingredientes estão entre os insumos mais caros, reduzir sobras é prioridade. Ajustes na distribuição do tamanho de partículas e na moagem são estratégias iniciais importantes.

Processos considerados eficientes há dez anos podem não atender às exigências atuais, como formulações com moagem mais fina e maior teor de gordura, que podem reduzir a eficiência dos sistemas e aumentar paradas.

Automação, localização estratégica e layout industrial

Em outubro de 2025, a dsm-firmenich inaugurou uma unidade de premix dedicada ao mercado pet nos EUA. 

Segundo Rishabh Pande, o projeto equilibrou investimento inicial em automação, segurança e sustentabilidade com economias de longo prazo.

A localização no chamado U.S. Animal Health Corridor — região que concentra empresas de saúde animal — reduz custos logísticos, encurta prazos e facilita colaboração técnica.

A automação em processos por batelada e a rastreabilidade digital reduzem erros humanos, aceleram a produção e minimizam desperdícios. 

Sistemas fechados e rastreáveis também diminuem riscos de contaminação cruzada, evitando recalls dispendiosos.

O layout industrial influencia diretamente a eficiência. Estruturas mal planejadas aumentam distâncias internas e consumo energético. 

Já torres de moagem bem projetadas podem reduzir tamanho de equipamentos, energia e investimento de capital.

Segurança dos alimentos e impacto dos recalls

Recalls estão entre os maiores riscos financeiros. Matthew Nichols, da Neogen, afirma que a ausência de um plano robusto de segurança pode gerar custos milionários, incluindo descarte de produtos, acordos de garantia e danos reputacionais.

Além do custo direto dos testes — equipamentos, insumos, retenção de produto e tempo de análise — há despesas relacionadas à mão de obra, rotatividade e capacitação técnica. 

Mesmo quando o problema é identificado antes da comercialização, as perdas são relevantes.

Investir em programas de segurança mais simples de implementar e manter, aliados à gestão de dados e automação, tende a reduzir riscos e proteger a marca.

Existe solução perfeita?

Não há fórmula única. Sempre haverá trade-offs entre investimento inicial e economia futura. 

A eficiência sustentável depende de integração entre formulação, cadeia de suprimentos, equipamentos, automação e controle de qualidade.

Mais do que cortar custos, a tendência é construir processos mais inteligentes e resilientes. Quando automação, integração e sustentabilidade atuam em conjunto, é possível oferecer nutrição segura e consistente com maior competitividade econômica.

Fonte: Petfood Forum Brasil, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre custos na produção de pet food

Quais são os maiores custos na produção de pet food?

Ingredientes, energia, equipamentos, mão de obra e controle de qualidade estão entre os principais.

A automação realmente reduz despesas?

Sim. Ela diminui erros, desperdícios, tempo de parada e riscos de recalls.

Recalls impactam apenas financeiramente?

Não. Além das perdas diretas, podem afetar a reputação e confiança do mercado.

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