Opções
Clínica e Nutrição

Remédios para emagrecimento ganham espaço no tratamento da obesidade em pets

Testes com medicamentos usados em humanos apontam um novo caminho para o controle de peso e do diabetes em cães e gatos

Remédios para emagrecimento ganham espaço no tratamento da obesidade em pets
Por Equipe Cães&Gatos
3 de dezembro de 2025

Os medicamentos à base de GLP-1, famosos no tratamento da obesidade e do diabetes em humanos, podem estar prestes a ganhar espaço também na medicina veterinária. 

Após revolucionarem o controle de peso em pessoas, essas drogas começam a ser testadas em gatos e cães, abrindo caminho para uma nova era no tratamento da obesidade e do diabetes em animais de companhia.

Nos Estados Unidos, a empresa de biotecnologia Okava Pharmaceuticals iniciou recentemente um estudo-piloto com um fármaco de GLP-1 voltado especificamente para gatos obesos. 

A grande inovação está na forma de administração: em vez de injeções semanais, os animais recebem um pequeno implante subcutâneo, um pouco maior que um microchip, capaz de liberar o medicamento de forma gradual por até seis meses.

“Você implanta a cápsula sob a pele e, seis meses depois, o gato perdeu peso. É quase mágico”, afirma o veterinário Dr. Chen Gilor, da Universidade da Flórida, responsável pelo estudo.

Os primeiros resultados são esperados para o próximo verão no hemisfério norte. Caso se mostrem positivos, o tratamento pode se tornar uma alternativa inédita para milhões de pets.

Um problema crescente

Estimativas apontam que cerca de 60% dos cães e gatos apresentam sobrepeso ou obesidade nos Estados Unidos. Além disso, centenas de milhares convivem com o diabetes — uma condição que exige, na maioria dos casos, aplicações diárias de insulina.

“O diabetes é totalmente tratável do ponto de vista técnico, mas ainda fazemos um trabalho muito ruim nesse manejo”, avalia Dr. Gilor. Ele lembra que o tratamento é caro, trabalhoso e, em muitos casos, acaba levando à eutanásia precoce do animal.

Já no caso da obesidade, apenas mudanças na dieta e incentivo à atividade física têm mostrado resultados limitados. 

“Não conseguimos avançar como gostaríamos”, afirma Dr. Ernie Ward, fundador da Associação para Prevenção da Obesidade Pet.

Remédios para emagrecimento ganham espaço no tratamento da obesidade em pets
Aumento do número de cães e gatos obesos ou com diabetes tem levantado alerta para desenvolvimento de novos tratamentos (Foto: Reprodução)

Como agem os medicamentos de GLP-1

As drogas de GLP-1 imitam um hormônio natural do corpo que estimula a produção de insulina, retarda a digestão e aumenta a sensação de saciedade. 

Estudos iniciais indicam que esses efeitos também podem ocorrer em cães e gatos, promovendo redução do apetite, melhor controle glicêmico e perda de peso.

“Vejo benefícios claros, mas ainda faltam estudos clínicos em larga escala”, explica Thomas Lutz, fisiologista veterinário da Universidade de Zurique. 

Entre os efeitos colaterais observados estão náuseas e episódios de vômito, semelhantes aos relatados em humanos.

Mesmo sem formulações veterinárias aprovadas, alguns profissionais já utilizam medicamentos humanos de forma off-label em gatos diabéticos. 

O problema é o custo: os valores podem chegar a centenas de dólares por mês, tornando o tratamento inviável para muitos tutores.

Implantes de longa duração na mira da indústria

A Okava aposta justamente na viabilidade prática e financeira. Seu produto usa a substância exenatida e será testado em um estudo chamado MEOW-1, com pelo menos 50 gatos com obesidade. 

Se os resultados forem positivos, a empresa pretende solicitar aprovação à FDA entre 18 e 24 meses.

“Nosso entendimento é que a obesidade é o maior desafio preventivo da medicina veterinária hoje”, afirma Michael Klotsman, CEO da empresa. O objetivo é manter o custo em torno de US$ 100 mensais.

Aceitação dos tutores

Apesar do otimismo, especialistas alertam que a adesão dos tutores pode ser limitada. Um exemplo do passado é o Slentrol, um medicamento para emagrecimento canino aprovado em 2007, que acabou descontinuado por falta de demanda.

“Muitos tutores não viam a obesidade como uma doença, e ainda havia frustração por o animal perder o apetite”, explica a nutricionista veterinária Dr. Maryanne Murphy. 

Para ela, os novos medicamentos têm potencial, mas devem atuar como complemento, e não substituto, das práticas tradicionais.

“Não será uma solução rápida e isolada. Dieta, rotina e acompanhamento veterinário continuarão sendo essenciais”, conclui.

Remédios para emagrecimento ganham espaço no tratamento da obesidade em pets
Medicamento diminui o apetite dos pets, mas apresentam alguns efeitos colaterais (Foto: Reprodução)

Fonte: The New York Times, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre tratamento de obesidade em pets

Como o medicamento seria administrado?

Os animais recebem um pequeno implante subcutâneo, que libera o medicamento de forma gradual durante seis meses.

Como o GLP-1 funciona?

A substância imita um hormônio natural do corpo que estimula a produção de insulina, retarda a digestão e aumenta a sensação de saciedade.

Quantos animais sofrem com obesidade atualmente?

Estimativas apontam que 60% dos cães e gatos dos Estados Unidos apresentam algum grau de obesidade.

LEIA TAMBÉM:

Uso de canetas emagrecedoras para tratar obesidade em pets requer cautela e atenção

Estudo revela que obesidade em cães não se resume à comida

Obesidade canina: mais de 50% dos cães estão acima do peso no mundo