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Resgate de jaguatirica reacende debate sobre manter animais silvestres como pets

Animal que vivia com uma família no Pará foi resgatado pelo Ibama no dia 14 de abril e ação gerou polêmica nas redes sociais

Resgate de jaguatirica reacende debate sobre manter animais silvestres como pets
Por Cláudia Guimarães
16 de abril de 2025
Última atualização: 16/04/2025 - 14:23

Uma relação de intimidade, amor e companheirismo era possível ver no perfil de Luciene Candido, que postava vídeos ao lado de uma jaguatirica, batizada de Pituka, em seu sítio, localizado no município de Uruará, no sudoeste do Pará. O animal não era mantido preso, mas estava habituado a ficar com a mulher e com os pets da família. No entanto, na segunda-feira, dia 14 de abril, o animal foi levado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A situação gerou polêmica nas redes sociais, onde algumas pessoas dizem que Lucilene deve lutar para ter o animal de volta, como se fosse um animal doméstico, enquanto outras defendem que o bem-estar da jaguatirica estava comprometido na residência, pelo fato dela ser tratada como um animal de estimação.

Conversamos com o biólogo e professor, doutor em Saúde Animal Silvestres pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e consultor Ambiental, Saulo Gonçalves Pereira, explica que o resgate realizado pelo Ibama está amparado pela Lei nº 9.605/98, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. Apesar de ter sido publicada há 27 anos e carecer de atualizações, a legislação é clara em seus dispositivos. “É crime manter animal silvestre como pet. E, embora a jaguatirica não estivesse mantida em uma jaula ou corrente, a ação do Ibama foi não apenas correta, mas necessária do ponto de vista técnico, legal e ético”, destaca.

Jaguatirica, chamada Pituka, circulava pela residência como um animal doméstico (Foto: reprodução/redes sociais)

Segundo ele, o simples fato de um animal silvestre ser mantido em ambiente doméstico, sem autorização legal e sem estrutura adequada para suas necessidades fisiológicas, comportamentais e ecológicas, configura crime ambiental, conforme prevê a Lei de Crimes Ambientais.

Ele ainda acrescenta: “Ética significa reconhecer que o animal pertence à natureza, não à vida doméstica. Comparando, seria como pegar um brasileiro e levá-lo para um país com idioma, cultura e clima completamente diferentes, sem escolha ou preparo. Assim, por mais que ele pareça ‘adaptado’, jamais estará em seu verdadeiro lugar”.