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Residentes destacam os benefícios da acreditação do CFMV para o mercado de trabalho

Algumas clínicas têm interesse em profissionais com a bagagem de um programa de residência

Para aplicar a teoria na prática hospitalar e avaliar os próprios resultados, após seis meses de formada, a médica-veterinária Laís Gonçalves da Silva entrou para o Programa de Residência de Clínica Cirúrgica e Anestesiologia de Pequenos Animais, da Sociedade Educacional do Espírito Santo/Universidade de Vila Velha (UVV). Assim, ela adquiriu experiência com respaldo de profissionais altamente capacitados, ampliou seu conhecimento na área que escolheu e aumentou sua confiança profissional.

Esse e mais dois programas de residência da UVV (Clínica Médica de Pequenos Animais e Patologia Animal) receberam Selo Prata no I Ciclo de Acreditação dos Programas de Residência e Aprimoramento em Medicina Veterinária, realizado pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) em 2020.

A UVV foi visitada pela comissão avaliadora do CFMV para análise de documentos, reuniões com gestores, preceptores, tutores e residentes. A avalição in loco permitiu verificar o tripé infraestrutura, preceptoria e casuística, bem como, especialmente, o envolvimento dos residentes com o sistema básico de saúde, prerrogativa para o reconhecimento dos programas de residência pelo Ministério da Educação (MEC).

“Ficamos gratamente surpresos por perceber o olhar cuidadoso na busca contínua pelo aperfeiçoamento do ensino, tanto que vieram buscar, de forma voluntária, a chancela do CFMV nesse processo de acreditação”, observa o médico-veterinário e presidente da Comissão Nacional de Residência em Medicina Veterinária (CNRMV/CFMV), Fábio Manhoso.

A comissão avaliadora encontrou uma organização administrativamente bem consolidada na UVV, além de um corpo docente ativo e em consonância com as exigências do CFMV e do MEC para um bom programa de residência. “Verificamos boa estrutura, casuística, uma preceptoria de qualidade, com uma aderência muito incisiva junto aos residentes”, recorda Manhoso. De acordo com o presidente da CNRMV, esses critérios deram segurança para conferir o selo de acreditação à instituição, que voluntariamente se submeteu ao processo de avaliação, conquistando a aprovação por capacidade e mérito.

acreditação CFMV
A chancela do CFMV é vista como um diferencial pelos residentes (Foto: reprodução)

Cirurgia e Anestesia.

Laís soube que iria enveredar pela cirurgia no primeiro dia como estagiária, ainda no primeiro semestre da graduação. “Acompanhei a esplenectomia de um pastor alemão e lembro exatamente do momento em que vi a cirurgiã clampear uma artéria. Achei incrível”. Logo, percebeu o desafio que é anestesiar e se interessou também por emergência. “Entendi que dificilmente se arriscariam deixar um recém-formado anestesiar ou operar, pois é muita responsabilidade”. Pensou em fazer pós-graduação em cirurgia, mas faltaram os recursos. Foi durante o estágio supervisionado, também na UVV, que conheceu o programa de residência e decidiu fazer a prova. “Além de me especializar, seria remunerada para aprender, podendo arcar com os custos mesmo longe de casa”, conta a médica-veterinária, natural do Rio Grande do Sul.

Durante a residência, Laís aprendeu a diferença entre ministrar a anestesia e a prática de fazer um animal dormir e acordar para o procedimento cirúrgico. “O momento ouro para se operar o paciente, a adequação de técnicas conforme a necessidade do animal e a biotecnologia, como o uso de células-tronco na recuperação, foram ótimos aprendizados”, exemplifica.

A profissional descreve o aprimoramento em procedimentos técnicos graças à residência, como o Duplo J, a derivação ventrículo-peritoneal em caso de hidrocefalia e a avaliação aprimorada de exames de imagem.

O conhecimento em duas áreas ainda permitiu a Laís absorver mais funções como médica-veterinária. “Pela alta rotatividade de pacientes, desenvolvi habilidade cirúrgica, operando mais rápido e com mais segurança”, complementa.

Clínica.

Diferentemente de Laís, o médico-veterinário Leonardo Alabrín fez a residência em Clínica Médica de Pequenos Animais na UVV, três anos após a graduação. Mesmo com anos de experiência, ele avalia que a residência lhe agregou mais conhecimento prático em menos tempo. “A aprendizagem é absurda quando os preceptores estão próximos e se adquire muito mais experiência teórica e prática. É um salto de aprendizagem”, calcula.

Quando entrou na Medicina Veterinária, Alabrín queria trabalhar com animais de produção, especificamente, com clínica cirúrgica de equinos e bovinos, influenciado pela vivência em propriedade rural familiar. No entanto, ao longo do curso, descobriu a afinidade com a clínica médica de animais de companhia, área na qual estagiou desde o primeiro período.

Para ele, a residência abriu portas. “Tive mais oportunidades, pois muitas clínicas têm interesse em profissionais qualificados e com a bagagem de um programa de residência”. De acordo com o clínico, o residente acaba vendo de tudo no programa, lidando com vários problemas e situações, “o que permite (a ele) oferecer um serviço de mais qualidade para animais e tutores”.

Patologia.

A médica-veterinária Halana do Carmo Silva encontrou o que amava estudar durante a monitoria e o estágio na área de Patologia Animal. “Percebi que me interessava mais pelo diagnóstico do que pela conduta clínica ou cirúrgica”. Por isso, escolheu estudar as causas e os diferenciais sobre o que pode ter ocorrido ao paciente, possíveis razões do óbito e como conectar tudo o que houve com o animal.

Com a residência, Halana adquiriu experiência prática de rotina. “Aprendi a descrever e interpretar resultados na área, métodos de coleta de amostra para diagnóstico, discutir e relatar sobre os resultados obtidos com o tutor e o médico-veterinário solicitante”, relata. Na área patológica, a forma de descrição das neoplasias e da dermatopatologia despertou-lhe especial interesse. “O diagnóstico é muito desafiador, tem mais particularidades e termos técnicos específicos”, explica.

Para além do conhecimento técnico, os residentes recém-formados reconhecem os aprendizados humanísticos, como programação de rotina, o trabalho em equipe, a responsabilidade, a dedicação, o compromisso, a postura e a relevância de assuntos.

“Aprendemos a forma de dialogar, como agir diante do tutor, a postura em relação a outro profissional e a comunicação. Além disso, como profissional, aperfeiçoei a forma de ensinar o que aprendi aos estagiários e iniciantes na área”, indica Halana.

Laís acrescenta que a rotina hospitalar e o acompanhamento de pacientes como médica-veterinária responsável incentivaram o aprendizado. “A residência foi um diferencial, por ensinar a manter o foco durante momentos críticos. Desenvolvi ferramentas pessoais para lidar com as adversidades que surgem quando se trabalha com uma equipe grande”, destaca.

Acreditação.

A chancela do CFMV é vista como um diferencial pelos residentes. “O acompanhamento do Federal e do Ministério da Educação (MEC) acabam estimulando os graduandos a procurarem programas de residência com essa referência”, afirma Leonardo Alabrín.

Como lembra Laís, poucos programas conseguem a acreditação do CFMV, por ser uma avaliação criteriosa, com indicadores específicos buscando a excelência. “A UVV conseguiu atingir esse patamar pelo trabalho de residentes, professores, médicos-veterinários contratados, estagiários, técnicos, recepcionistas e faxineiros que se esforçaram e deram o seu melhor pelos animais”, reconhece. Para ela, a conquista é um selo de “trabalho bem-feito, conferido pelo maior órgão de fiscalização veterinária do país”, completa.

Além disso, muitos médicos-veterinários percebem a importância dessa chancela, segundo a residente. “Gera valorização do meu conhecimento e do meu trabalho”, revela. O título de residente de uma instituição de ensino acreditada a ajudou a ter mais credibilidade e se reinserir no mercado de trabalho. Laís foi readmitida no centro veterinário em que trabalhou como plantonista, nos seis meses entre a graduação e a residência, em Florianópolis (SC).

Retornei com boa remuneração e em uma oportunidade melhor, fazendo parte da equipe diurna em atendimento clínico, cirurgia e anestesia”, comemora.

Fonte: CFMV, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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