A estiagem que atinge a região do Cerrado brasileiro acendeu o alerta para a conservação da fauna aquática no estado do Tocantins.
Uma operação emergencial realizada entre os dias 21 e 24 de agosto de 2026 resgatou seis exemplares do boto-do-Araguaia (Inia araguaiaensis) que estavam isolados em poças rasas no leito do rio Urubu. A espécie é endêmica da bacia do Tocantins-Araguaia e está classificada como vulnerável à extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
A ação coordenada reuniu instituições ambientais e veterinários especialistas no manejo de cetáceos amazônicos. Com o auxílio de drones e caiaques, as equipes identificaram três pontos distintos de fragmentação do rio.
No local, cinco animais foram achados retidos em pequenas poças sem conexão hídrica entre si, enquanto o sexto indivíduo foi localizado em um ponto próximo após varredura aérea.
Sinais de desidratação e estresse térmico mobilizam atendimento veterinário
A redução acentuada do nível das águas expõe os animais ao superaquecimento da temperatura aquática e à radiação solar direta. Durante a avaliação médica, dois dos seis botos resgatados apresentavam estado de saúde debilitado, com sinais claros de inanição e desidratação severa.
Diante do risco de morte, os veterinários optaram pelo manejo e transferência imediata dos dois mamíferos para trechos mais profundos e seguros do rio.
Os outros quatro botos permanecem sob monitoramento contínuo das equipes de campo. A estratégia busca evitar intervenções físicas desnecessárias, acionando o transporte manual apenas em caso de alteração comportamental ou piora no quadro clínico dos espécimes.

Fragilidade do Cerrado coloca em risco menos de 1,5 mil indivíduos restantes
Com uma população estimada em menos de 1,5 mil indivíduos na natureza, o boto-do-Araguaia funciona como um indicador bioecológico da saúde dos rios da região. O isolamento provocado pela seca impede a livre circulação, a busca por alimento e a reprodução, fragilizando a sobrevivência da espécie.
Especialistas do WWF-Brasil apontam que a estiagem prolongada entre os meses de maio e outubro evidencia a vulnerabilidade do bioma Cerrado diante de eventos climáticos extremos. A perda de conectividade hídrica nos rios coloca em risco o equilíbrio de todo o ecossistema aquático local.
Fonte: Metrópoles, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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