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Setor pet projeta ano difícil com alta tributação, dólar volátil e consumo mais cauteloso

Para o presidente de Abempet, 2026 será um ano de provas para o setor e requer resiliência da indústria pet brasileira

Setor pet projeta ano difícil com alta tributação, dólar volátil e consumo mais cauteloso
Por Equipe Cães&Gatos
5 de fevereiro de 2026

Mesmo aquecida, a indústria pet brasileira já há algum tempo está passando momentos difíceis. Em 2026, esse cenário será ainda mais desafiador, devido ao crescimento abaixo do potencial, ambiente tributário complexo e implicações globais no câmbio. Para a Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet), a previsão é que neste novo ano o caminho siga árduo.

“Os números apontam que devemos ter um crescimento de menos de 4% no faturamento total do setor, que deve encerrar o ano com cerca de R$ 78 bilhões”, afirma José Edson Galvão de França, presidente do Conselho Gestor da Abempet.

Segundo França, o pet food, especificamente, chegou à casa dos R$ 41 bilhões, mantendo sua posição como o maior segmento do mercado e representando praticamente metade do faturamento total do setor. No entanto, ainda apresenta resultados “frustrantes”.

Principais desafios 

Para o presidente da Abempet, o principal culpado para tantos desafios são os impostos que recaem sobre os alimentos pet, que chegam a 50% no Brasil. Esse cenário encarece o produto final e limita drasticamente o acesso da população. Além disso, o setor foi excluído da Reforma Tributária, que passa a valer em caráter de transição em 2026.

“Apesar dos estudos apresentados, demonstrando que uma isenção de 60% poderia alavancar a produção para até nove milhões de toneladas anuais e gerar um aumento de 210% na arrecadação de impostos, não fomos contemplados”, conta.

Dessa forma, pode não ser um exagero considerar que 2026 traga mais fatores negativos para o setor do que positivos.

Ainda segundo a Abempet, o cenário tributário deve trazer consequências para o consumo. Com o início da fase de transição da Reforma Tributária, que irá substituir cinco tributos por dois de forma gradual até 2033, rações e suplementos devem ficar mais caros já que não entraram nas listas de isenções.

Para complementar, considerando que a indústria brasileira depende de ingredientes importados, o câmbio é um fator chave de impacto nos custos de produção e, consequentemente, nos preços finais.

Em 2025, o dólar valorizado já tinha seus efeitos na indústria pet, mas, em 2026, o ano eleitoral deve trazer uma volatilidade cambial e incertezas mais acentuadas, afetando as decisões de consumo e investimento.

Outro fator importante que continua desde o ano anterior é a inflação persistente somada à desaceleração do consumo, que criou um consumidor muito mais criterioso.

cachorro branco comendo ração
O setor de alimentação pet ainda é um dos mais expressivos no Brasil (Foto: Reprodução)

Alimentação pet ainda é gasto essencial

Conforme relata França, a boa notícia é que, mesmo com tantos desafios, a alimentação pet se mantém entre os gastos considerados essenciais para os consumidores, o que demonstra que a população brasileira reconhece a importância da nutrição adequada para seus animais de estimação.

Além disso, tendências de consumo, como premiumização, funcionalidade e humanização, que foram motores para a indústria em 2025, seguem em 2026.

O maior destaque vai para a premiumização: à medida que a maior parte dos responsáveis consideram seus pets como parte da família e buscam oferecer o que há de melhor no quesito alimentação. Apesar disso, ele ressalta que a tributação atual limita o acesso de famílias de rendas médias e baixas às rações premium.

“A carga de impostos faz com que apenas famílias das classes A e B consigam ofertar produtos premium para seus pets. Por isso, a mudança na tributação também significa democratizar o acesso à nutrição de qualidade”, reforça o presidente.

Nutrição além do básico

Com relação às tendências de consumo, a Abempet aponta que as famílias buscam cada vez mais produtos que vão além da nutrição básica, oferecendo benefícios específicos como fortalecimento da imunidade, saúde articular, digestão eficiente, entre outros.

A observação segue tendências globais de maior procura por alimentos que ofereçam benefícios para a saúde dos pets, com os responsáveis, inclusive, dispostos a pagarem mais por esses produtos.

O segmento de snacks e petiscos, em especial, deve despontar no quesito novidades, com produtos que vão além dos agrados convencionais.

“Os ‘lanchinhos’ não são mais apenas prêmios. São ferramentas de saúde preventiva, com benefícios como saúde digestiva, prevenção de problemas orais e cuidados com pele e pelagem”, aponta Galvão de França.

pestisco para gatos
Os petiscos possuem um papel importante na relação entre responsáveis e seus pets (Foto: Reprodução)

Instabilidade geopolítica 

Outro fator que coloca desafios para a indústria pet brasileira em 2026 é o cenário geopolítico. Ainda que de forma menos direta do que outros setores econômicos, o setor pet deve considerar a combinação de guerras tarifárias, populismo econômico e disputas geopolíticas em seus planejamentos comerciais para 2026.

A intensificação do uso de tarifas, subsídios e sanções afetam a indústria brasileira em três frentes: cambial, matérias-primas e exportações.

A volatilidade cambial e o acesso às matérias-primas são desafios interligados. As tensões geopolíticas, como a guerra na Ucrânia, tensões entre Estados Unidos e China e a instabilidade no Oriente Médio, afetam o valor do dólar, que por sua vez impacta o custo de ingredientes importados.

“Somos um país rico em proteínas, grãos e outros insumos para pet food, mas ainda dependemos de alguns ingredientes específicos e aditivos importados, o que impacta diretamente nas cadeias de produção”, explica o presidente da associação.

Sobre as exportações, políticas protecionistas e barreiras técnicas afetam diretamente as vendas externas, exigindo mais atenção e estratégias diversificadas para manter a balança comercial positiva.

No entanto, João reforça que o maior entrave para a indústria pet brasileira é interno.

“A carga tributária continua com maior peso do que os desafios externos. Se resolvermos isso, estaremos muito mais preparados para navegar qualquer instabilidade global”, afirma.

Ao concluir, o presidente aponta que, para que a indústria pet brasileira passe por 2026 de forma positiva, é preciso mobilização.

“2026 será um ano de provas para o setor. Mas teremos que ser mais do que resilientes e nos movimentarmos para enfrentar os obstáculos. Esse será um ano em que a força para continuar lutando, capacidade de adaptação e determinação para transformar adversidade em oportunidade serão mais importantes do que nunca”, finaliza.

Fonte: Pet Food Industry, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

FAQ sobre as projeções do setor pet para 2026

Qual a influência da tributação na indústria pet brasileira?

Além dos impostos elevados, o setor pet não foi incluído na reforma tributária, o que dificulta ainda mais o crescimento da indústria no Brasil, devido a tributação de até 50%.

A alimentação pet ainda é considerada um gasto essencial pelos responsáveis?

Segundo o presidente da Abempet, mesmo com tantos desafios, a alimentação pet se mantém entre os gastos considerados essenciais para os consumidores, demonstrando que a população brasileira reconhece a importância da nutrição adequada para seus animais de estimação.

Qual o conselho para a indústria pet em 2026?

Para José Edson Galvão de França, teremos que ser mais do que resilientes e nos movimentarmos para enfrentar os obstáculos. Esse será um ano em que a força para continuar lutando, capacidade de adaptação e determinação para transformar adversidade em oportunidade serão mais importantes do que nunca.