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Aumento dos custos com pets faz 56% dos responsáveis reduzirem cuidados e acende alerta para o abandono

Pesquisa inédita revela que a pressão financeira atinge até 62% das famílias das classes C, D e E, reforçando a urgência de políticas públicas para castração e atendimento veterinário gratuito.

Aumento dos custos com pets faz 56% dos responsáveis reduzirem cuidados e acende alerta para o abandono
Por Equipe Cães&Gatos
17 de setembro de 2026

O vínculo dos brasileiros com os animais de estimação sempre esteve muito presente, mas manter os cuidados necessários pode pesar no orçamento das famílias. Pesquisa nacional realizada pelo Instituto Locomotiva, a pedido do Instituto Caramelo, mostra que 56% dos responsáveis já deixaram de realizar algum cuidado com seus pets por questão financeira, e 14% dizem que isso ocorreu várias vezes. Entre as classes C, D e E, o percentual chega a 62%.

A pressão no orçamento aparece em diferentes pontos do levantamento. Para 90% dos brasileiros, os custos para manter um animal estão mais caros. Entre quem tem pet, 42% já enfrentaram dificuldades financeiras por causa dos gastos, índice que chega a 47% nas classes C, D e E. Além disso, 59% dos responsáveis afirmam já terem deixado de comprar algum produto para seu gato ou cachorro por causa do preço.

O impacto financeiro também chega à outra ponta do problema: o abandono. Quase metade dos brasileiros (48%) aponta dificuldades financeiras entre os fatores que contribuem para essa realidade. Outros 72% concordam que o custo elevado é uma das principais razões para o abandono, enquanto 38% dizem conhecer alguém que abandonou ou entregou um animal por dificuldades financeiras.

Diariamente, o Instituto Caramelo lida com animais que dependem de atendimento, reabilitação e encontrar um novo lar. Em 2025, a organização realizou 342 resgates e viabilizou 315 adoções, além de promover mais de 11 mil castrações, considerando procedimentos internos, externos e campanhas. Entre janeiro e julho de 2026, foram outros 185 resgates e 186 adoções, além de mais de 5,7 mil castrações.

“Quando uma família deixa de cuidar do seu pet por não conseguir pagar, o problema deixa de ser só financeiro e também passa a ser de bem-estar animal. E, no limite, isso contribui para o abandono. Precisamos de ampliação da oferta de castração e atendimento veterinário para que cuidar de um bichinho não se torne inviável para muitos”, afirma Yohanna Perlman, diretora executiva do Instituto Caramelo.

Cães presentes em 76% dos lares; gatos, em 51%

Ainda segundo a pesquisa, sete em cada dez pessoas têm hoje um animal de estimação. Desse total, 42% possuem um pet, 31% têm dois, 12% têm três e 15% têm quatro ou mais. Cães estão presentes em 76% dos lares, e gatos, em 51%.

Essa presença se reflete na percepção sobre o bem-estar: 91% dos entrevistados concordam que ter um animal de estimação traz benefícios para a saúde mental. Mesmo entre os três em cada dez brasileiros que não possuem pets, o desejo de convivência permanece alto: 58% gostariam de ter um. As principais barreiras são espaço insuficiente em casa (37%), falta de tempo para cuidar (37%) e custo elevado, incluindo alimentação e despesas veterinárias (29%).

A pesquisa também revela que 85% dos brasileiros concordam que adotar é mais correto do que comprar. Além disso, 74% têm ou já tiveram na vida um animal adotado. Entre os responsáveis atuais, 28% afirmam ter resgatado o pet após abandono, 19% adotaram em campanhas de rua e 13% por meio de redes sociais. Mas a forma mais comum ainda é por meio de amigos ou parentes: 47%.

Outro desafio é a castração: 53% contam ter castrado todos os seus pets, enquanto 17% castraram apenas parte deles e 30% não castraram nenhum.

Pesquisa
Pesquisa mostra que o aumento nos custos com alimentação e saúde veterinária já afeta os cuidados de 56% dos responsáveis no Brasil (Foto: Reprodução)

ONGs como protagonistas na proteção animal

A dimensão do trabalho realizado pelo Instituto Caramelo também encontra eco na percepção dos entrevistados sobre quem hoje sustenta a proteção animal no país. 63% apontam as ONGs como um dos grupos que mais contribuem para a causa, seguidas pelos protetores independentes (50%). Enquanto isso, prefeituras e órgãos públicos são lembrados por apenas 25% dos entrevistados. E 86% deles defendem que o poder público invista mais na causa.

“As ONGs e os protetores independentes têm um papel fundamental, mas não podem ser a única resposta para um problema dessa dimensão. Quem atua na ponta vê diariamente uma demanda bem maior do que a capacidade de atendimento das ONGs. Precisamos de políticas públicas permanentes de castração, atendimento veterinário, prevenção ao abandono e educação para a guarda responsável”, completa Yohanna.

Fonte: Instituto Caramelo, adaptado pela equipe Cães&Gatos.