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Tratamento com células-tronco: Conheça os benefícios desta terapia e como ela pode ajudar o pet

Qualquer animal pode receber a terapia, com exceção de animais que estejam gravemente imunocomprometidos

A última década, foi marcada pelo advento da Medicina Regenerativa, que objetivou e alcançou com êxito recuperar a função de tecidos e órgãos de uma maneira próxima ao que ocorre naturalmente. Dentro desta área da Medicina Regenerativa, a terapia com células-tronco apresenta-se como um dos seus grandes pilares.

Por definição, as células-tronco mesenquimais são células que têm uma capacidade de se autorrenovar, conseguem se diferenciar em vários outros tipos celulares e são encontradas em qualquer tecido adulto. Podemos dizer que essas células são verdadeiras sentinelas à espreita de qualquer dano no organismo para entrarem em ação e, desta forma, participam ativamente da eficiência funcional de todos os órgãos e tecidos ao logo da vida.

Historicamente, as células-tronco foram descobertas há mais de 30 anos e, desde então, vêm sendo amplamente estudas e testadas quanto ao seu potencial terapêutico em diversas doenças humanas e animais. Atualmente podemos encontrar mais de 77 mil trabalhos publicados oriundos destes estudos científicos.

Durante estes anos de pesquisa, o importante reconhecimento do comportamento e do desempenho funcional destas células em diversas doenças, promoveu a terapia celular como primeira opção terapêutica para diversas enfermidades. Esta força em potencial deve-se ao fato de que as células-tronco são capazes de perceber a injúria tecidual e, por meio de uma série de sinalizações intercelulares conseguem recuperar o tecido / órgão doente. 

Em laboratório, as células-tronco são isoladas do tecido, cultivadas, caracterizadas e congeladas, permitindo assim, uma disponibilidade de utilização imediata. Quando aplicadas, as células-tronco são atraídas para a lesão e contribuem para a restauração do tecido lesionado se diferenciando em células saudáveis do órgão comprometido. Além disso, elas produzem inúmeras biomoléculas que contribuem com a recuperação da lesão. Tais moléculas permitem que elas auxiliem na produção de novos vasos sanguíneos, atenuem a fibrose, retardem a morte acelerada das células, diminuam e inflamação tecidual, além de estimularem a produção e ativação das células-tronco do próprio microambiente doente.

As células-tronco podem ser utilizadas para tratar doenças como as osteoartroses (doenças das articulações), as sequelas neurológicas causada pelo vírus da cinomose e a ceratoconjuntivite seca (olho seco). Qualquer animal pode receber a terapia, com exceção de animais que estejam gravemente imunocomprometidos ou que tenham formações tumorais.

Células-tronco no tratamento do olho seco

Para cães com ceratoconjuntivite seca quantitativa, ou seja, cães que apresentam falha na quantidade de lágrima produzida, doença resultante de uma disfunção autoimune, de forma que o olho não recebe lubrificação adequada, é comum que observemos uma secreção ocular mais amarelada, popularmente chamada de “remela”. Nestes casos, a resposta à utilização das células-tronco com o objetivo de restabelecer a produção normal de lágrima pode ser maior que 90%.

O tratamento convencional preconizado para cães com ceratoconjuntivite seca é o uso diário de colírios imunomodulatórios, de forma ininterrupta. Essa é uma doença de controle farmacológico, ou seja, quando a medicação é descontinuada, o animal volta a ter os sintomas previamente apresentados.

Na terapia celular, uma aplicação única é feita diretamente nas glândulas lacrimais e a expectativa de melhora na produção lacrimal inicia-se em torno de 1 semana após a aplicação. A melhora ocorre gradativamente e, aos 30 dias após a aplicação a produção de lágrimas já pode apresentar-se normalizada. 

Uma vez que as glândulas lacrimais voltem a sua normalidade, observamos esse benefício terapêutico por anos, sem a necessidade de novas aplicações. Nesta doença, a principal ação das células-tronco é o controle imunomodulatório da glândula lacrimal.

Em geral, a melhora clínica do animal com a terapia de células-tronco é observada de forma gradual e crescente (Foto: reprodução)

Células-tronco no tratamento das osteoartroses

Os cães que apresentam osteoartrose em decorrência de displasia coxofemoral, lesões de joelho, cotovelo, entre outras, também podem se beneficiar desta terapia, independentemente do grau de lesão ou da articulação acometida. 

Em geral, esses animais sofrem de dor e, dependendo do grau de comprometimento articular, perdem consideravelmente a qualidade de vida. 

Comumente eles relutam em praticar atividades que antes faziam com tranquilidade como, por exemplo, descer ou subir escadas, passear, correr ou até mesmo o simples ato de se levantar para atender às suas necessidades fisiológicas como comer, beber água, urinar e defecar.

Por tratar-se de uma doença cônica e progressiva, as alternativas terapêuticas convencionais ficam limitadas. Corriqueiramente para o controle da dor utiliza-se fármacos com ação anti-inflamatória e ou que tragam analgesia. No entanto, o uso crônico de algumas medicações, principalmente os anti-inflamatórios, podem acarretar efeitos adversos com prejuízo à saúde do animal. 

A indicação da terapia celular é bem-vinda, vez que além das células conferirem uma potente ação anti-inflamatória, ainda contribuem com a regeneração da articulação.  

A aplicação é feita via intra-articular, quase sempre de maneira única e é indicada o mais precocemente possível, assim que é feito o diagnóstico, já que a terapia celular evita a rápida progressão desta doença 

Em geral, a melhora clínica do animal é observada de forma gradual e crescente. Após a terapia com células-tronco mesenquimais, comumente observamos que eles ficam mais dispostos e voltam a expressar comportamentos que já haviam perdido pela presença da dor.

Células-tronco no tratamento das sequelas neurológicas da cinomose

A indicação da terapia celular para as sequelas neurológicas causadas pelo vírus da cinomose é, atualmente, uma das melhores chances de recuperação do paciente. É sabido que, idealmente, para evitarmos essa doença, os animais devem ser devidamente vacinados. No entanto, a cinomose é uma doença de alta prevalência no Brasil e após a infecção ou os cães morrem em decorrência do vírus ou acabam sendo encaminhados para eutanásia, pois trata-se de uma doença muito debilitante e de difícil manejo. No entanto, os pacientes que conseguem combater o quadro viral e permanecem com as sequelas neurológicas, podem se beneficiar da terapia celular.

As células-tronco atuam de diferentes formas e ajudam a restabelecer o sistema neurológico. Além da modulação do sistema imunológico, as células-tronco promovem um grande estímulo na diferenciação e multiplicação das células precursoras neurais residentes no organismo do animal e estas são as principais ações das células-tronco nesta doença. Como resultado, observamos melhora e até resolução dos sinais neurógicos, por exemplo, muitos animais que ficaram impossibilitados de andar restabelecem esta capacidade.

O animal pode receber a terapia a qualquer momento, com exceção da fase que ainda está com o vírus em grande replicação, o que chamamos de viremia.  A aplicação é feita pela via intravenosa totalizando de 1 a 3 aplicações com intervalo médio de 30 dias entre elas. O tempo de resposta e a melhora clínica são influenciados pelo tempo de sequela e gravidade da lesão neurológica. 

Futuro

As células-tronco seguem sendo estudadas no mundo todo como tratamento para diversas doenças, tanto na medicina quanto na veterinária e a perspectiva é de que cada vez mais se ampliem as possibilidades terapêuticas com esta tecnologia, oferecendo uma chance a mais aos pacientes que sofrem com doenças para as quais as terapias convencionais nem sempre obtém sucesso.

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