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Úlcera de córnea em gatos: causas, diagnóstico e opções de tratamento

Alteração oftálmica comum em felinos, a úlcera de córnea provoca dor intensa e pode levar à perda de visão se não for diagnosticada e tratada corretamente

Úlcera de córnea em gatos: causas, diagnóstico e opções de tratamento
Por Equipe Cães&Gatos
2 de fevereiro de 2026

A úlcera de córnea é uma das afecções oftálmicas mais frequentes em gatos e representa uma condição clinicamente relevante no atendimento veterinário. 

Caracteriza-se pela perda da integridade do epitélio corneano, podendo ou não envolver camadas mais profundas do estroma.

Além de extremamente dolorosa — já que a córnea possui alta densidade de terminações nervosas —, a lesão pode evoluir para comprometimento visual permanente ou cegueira irreversível quando o manejo não é adequado. 

Por isso, o reconhecimento precoce e a intervenção correta são fundamentais para um desfecho favorável.

A córnea felina e sua função

A córnea do gato é uma estrutura transparente e altamente especializada, composta por quatro camadas principais: epitélio, estroma, membrana de Descemet e endotélio. 

Ela atua tanto como a principal superfície refrativa do olho quanto como uma barreira física e imunológica contra traumas e microrganismos.

Sua transparência depende da organização das fibras de colágeno e da ausência de vasos sanguíneos. 

Já a intensa inervação, derivada do nervo trigêmeo, explica a dor acentuada associada às lesões corneanas e também a capacidade de resposta rápida ao dano tecidual.

O filme lacrimal é essencial para a nutrição, lubrificação e proteção da córnea. Alterações nessa camada favorecem a quebra do epitélio e a formação de úlceras.

Principais causas de úlcera de córnea em gatos

As úlceras corneanas felinas possuem etiologias variadas, sendo as mais comuns:

  • Infecção pelo herpesvírus felino tipo 1 (FHV-1)
  • Traumas mecânicos e corpos estranhos
  • Alterações palpebrais ou de cílios (entrópio, distiquíase, triquíase)
  • Ceratite de exposição por piscar incompleto
  • Deficiências do filme lacrimal
  • Doenças imunomediadas, como ceratite eosinofílica
  • Ceratopatia bolhosa
  • Complicações secundárias a glaucoma, uveíte ou alterações endoteliais

Abordagem diagnóstica

O diagnóstico exige uma avaliação sistemática da superfície ocular e anexos. Entre os exames mais utilizados estão:

  • Avaliação das pálpebras e cílios
  • Testes do filme lacrimal
  • Coloração com fluoresceína para identificação da úlcera
  • Avaliação da terceira pálpebra após anestésico tópico
  • Citologia e cultura, quando há suspeita de infecção

Nos gatos, é importante destacar que úlceras crônicas espontâneas, comuns em cães, não ocorrem. 

Procedimentos como ceratotomia em grade são contraindicados, pois aumentam o risco de sequestro corneano.

Tratamento: quando é clínico e quando é cirúrgico

Úlceras superficiais não complicadas geralmente respondem bem ao tratamento clínico, que inclui:

  • Antibióticos tópicos
  • Lubrificação ocular frequente
  • Cicloplégicos para controle da dor
  • Analgesia sistêmica, como gabapentina ou anti-inflamatórios não esteroidais
  • Uso de colar elizabetano

Quando a úlcera não cicatriza em até sete dias, deve-se investigar fatores predisponentes, como infecção por FHV-1, trauma contínuo ou conformação braquicefálica. 

Em alguns casos, o uso de lentes de contato terapêuticas melhora o conforto e favorece a cicatrização.

Úlceras profundas, ceratomalácia (“derretimento” da córnea), descemetocele ou risco de perfuração exigem intervenção cirúrgica imediata, como enxertos conjuntivais ou outras técnicas reconstrutivas, além de encaminhamento para especialista.

Herpesvírus felino e lesões corneanas

O FHV-1 é uma das principais causas de úlcera de córnea em gatos, especialmente em filhotes. 

A infecção inicial pode causar conjuntivite, ceratite e lesões típicas, como úlceras dendríticas, melhor evidenciadas com rosa bengala.

Após a infecção, cerca de 80% dos gatos tornam-se portadores latentes. Situações de estresse podem reativar o vírus, levando a episódios recorrentes de ulceração.

O tratamento envolve antiviral sistêmico, principalmente famciclovir, associado a antibióticos tópicos, lubrificação e controle da dor.

Mesmo quando a úlcera apresenta melhora, o acompanhamento é essencial para evitar recidivas, perda visual e complicações. 

Orientar o responsável sobre sinais de dor ocular, como blefaroespasmo, secreção e fotofobia, é parte fundamental do manejo.

Fonte: Vet Times, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre úlcera de córnea em gatos

Úlcera de córnea em gato sempre é emergência?

Nem sempre, mas casos profundos ou com dor intensa exigem atendimento imediato.

Gato com herpes pode ter úlcera recorrente?

Sim. O herpesvírus pode permanecer latente e reativar em situações de estresse.

Colírio humano pode ser usado no gato?

Não. Apenas medicamentos prescritos após avaliação veterinária são seguros.

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