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Urgência para poucos: responsáveis subestimam emergências veterinárias

Estudo da Royal Veterinary College aponta que responsáveis por cães subestimam a gravidade dos quadros clínicos de seus pets

Urgência para poucos: responsáveis subestimam emergências veterinárias
Por Danielle Assis
10 de fevereiro de 2026

A percepção da importância de determinados problemas é fundamental para levar as pessoas a tomarem decisões sobre eles. Essa dinâmica é observada em diferentes situações e, também, pode ser aplicada à forma como os responsáveis reagem às alterações na saúde dos cães.

Sabe-se que o conhecimento e as percepções dos cuidadores são considerados influências-chave na busca por atendimento veterinário. Mas até que ponto existe senso de urgência ou discernimento quanto à gravidade de uma condição?

Para explorar esse questionamento, o Royal Veterinary College (RVC) realizou uma pesquisa no Reino Unido com 1.722 responsáveis por cães. No país existem aproximadamente 10,6 milhões de cães de estimação e cerca de 28% da população adulta possui um animal da espécie. 

A proposta foi avaliar especificamente a capacidade dos responsáveis de identificar enfermidades a partir de mudanças observadas na condição física e/ou no comportamento mental do cão, além de analisar o prazo para buscar atendimento veterinário. 

O estudo, publicado em janeiro de 2026, foi conduzido por meio de um questionário online e baseado em vinhetas com históricos clínicos anonimizados, que descreviam doenças caninas comuns na prática veterinária geral. 

Ao visualizar as informações, os participantes deveriam indicar três aspectos: 1) a condição que acreditavam que o cão apresentava; 2) a urgência percebida para buscar atendimento veterinário; e 3) as fontes de informação utilizadas para embasar suas decisões.

Sinais visíveis, percepção apurada

A pesquisa demonstrou que doenças com sinais clínicos claros, como epilepsia, tosse dos canis e infestação por pulgas, são identificadas com maior precisão. Por outro lado, condições que não são claramente visíveis, como glaucoma e ingestão de corpo estranho gastrointestinal, são menos notadas. 

Contudo, mesmo nas afecções fáceis de identificar, a urgência em procurar atendimento veterinário foi subestimada. Os resultados mostram que, em mais de um quarto das respostas (28,4%), os participantes classificaram a situação como menos urgente do que um profissional da área recomendaria.

Além disso, quando questionados sobre as ferramentas usadas para buscar informações quanto à saúde de seus pets, 73,7% dos entrevistados afirmaram confiar em seu próprio conhecimento, 61,1% entram em contato com a clínica veterinária local e 49,2% realizam buscas na internet.

Já 21,1% dos responsáveis por animais que possuem doenças crônicas afirmaram participar de grupos online relacionados à saúde canina. Entre os fatores que influenciaram a escolha da fonte de informação estavam a reputação (66,8%), a veracidade dos fatos (65,6%) e a disponibilidade (39,5%).

Os responsáveis que buscaram informações em grupos online sobre a saúde de seus cães apresentaram probabilidade 0,50 vezes menor de considerar os cenários hipotéticos menos urgentes do que a avaliação dos veterinários.

Por outro lado, os que teriam entrado em contato com uma clínica veterinária para obter auxílio com as respostas aos cenários hipotéticos relataram probabilidade 0,40 vezes menor. 

Faixa etária tem influência 

A pesquisa demonstrou que a faixa etária dos responsáveis pelos cães pode interferir na facilidade de reconhecer as afecções e buscar ajuda profissional. 

Os participantes mais jovens, com idade entre 18 a 24 anos, foram os mais precisos na identificação das condições, possivelmente devido à maior familiaridade com a busca de informações online.  

Já os responsáveis por cães de primeira viagem estiveram entre os mais propensos a usar a internet para pesquisar sobre a saúde dos seus pets, totalizando 65,2%. 

Com base em todas as informações coletadas, os resultados do estudo sugerem que a capacidade dos responsáveis por cães no Reino Unido de identificar com precisão as condições de saúde de seus animais, e a tomada de decisões sobre a urgência da busca por atendimento veterinário são variáveis ​​e, muitas vezes, deficientes. 

“Embora alguns responsáveis tenham demonstrado habilidade em identificar certas condições, uma grande porção subestimou o prazo necessário para buscar atendimento veterinário, contradizendo as avaliações dos profissionais, o que não estava relacionado à capacidade dos cuidadores de identificar a condição específica que afetava o cão em questão”, citaram os autores.

O RVC alertou que subestimar uma emergência de saúde pode representar um sério risco ao bem-estar animal, levando ao atraso ou à ausência de tratamento, ao sofrimento prolongado e até mesmo à morte. 

“Este estudo destaca uma lacuna no bem-estar animal entre o que os responsáveis por cães observam e como eles percebem a necessidade de cuidados veterinários. Compreensivelmente, problemas de saúde sem sinais clínicos externos óbvios são os que correm maior risco de ter a necessidade de tratamento urgente subestimada”, afirmou Rowena Packer, professora sênior de Comportamento e Bem-Estar de Animais de Companhia no RVC e autora principal do artigo.

Confira o artigo completo “Urgência para poucos“, na íntegra e sem custo, acessando a página 12 da edição de fevereiro (nº 318) da Revista Cães e Gatos.