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    Como médicas-veterinárias e zootecnistas podem combater a violência no ambiente de trabalho?

    Principalmente profissionais que atuam em atendimentos externos estão mais susceptíveis a sofrer violência no trabalho

    Como médicas-veterinárias e zootecnistas podem combater a violência no ambiente de trabalho?
    Equipe Cães&Gatos
    Equipe Cães&Gatos
    15 de agosto de 2025

    A rotina das médicas-veterinárias e zootecnistas que atuam em atendimentos externos está longe de ser fácil – ou segura. Por isso, durante o dia a dia é ideal que tomem algumas precauções para evitar qualquer intercorrência.

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    Sabendo disso, durante a campanha Agosto Lilás, o CRMV-SP reforça a importância da proteção das profissionais que realizam atendimentos externos e em domicílio e traz dicas de segurança.

    Desde 2022, a Lei nº 14.448 estabelece agosto como o mês dedicado às ações de conscientização sobre as diferentes formas de violência contra a mulher – uma homenagem à Lei Maria da Penha, publicada em agosto de 2006.

    “Mulheres que trabalham em atendimentos externos, especialmente sozinhas, estão mais vulneráveis por não conhecerem o ambiente onde irão atuar”, alerta a delegada da 6ª Delegacia de Defesa da Mulher, Monique Lima.

    Outro ponto de atenção destacado pelo órgão é a possibilidade de atender animais vítimas de maus-tratos. Onde há crime ambiental pode haver também um ambiente violento, com risco às pessoas. Nesses casos, o cuidado precisa ser redobrado, como explica a presidente da Comissão Técnica de Medicina Veterinária Legal do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), Tália Missen Tremori.

    “Se o agressor for quem busca assistência para o animal, devemos ter ainda mais zelo no atendimento, priorizando também a nossa segurança durante a prestação do serviço”, destaca Tália.

    Minimizando riscos durante atendimentos externos

    Um atendimento seguro começa no agendamento. “A profissional sempre deve confirmar o endereço e os dados do cliente, dando preferência ao contato prévio por telefone ou mensagem para confirmar a localização. Informações vagas ou a recusa em fornecer dados completos podem ser sinais de alerta”, orienta a delegada Monique Lima.

    De acordo com a delegada, a prevenção da violência depende do contexto. Todavia, alguns cuidados podem ser adotados para situações em que a mulher esteja sozinha.

    Para completar, entre as medidas recomendadas, destaca-se o compartilhamento de informações com pessoas de confiança, como familiares ou amigos. Essa simples atitude pode ser determinante em situações de emergência.

    Uma das formas de prevenir a violência é coletar o máximo de informações possíveis antes de ir ao local do atendimento externo (Foto: Reprodução)

    Teoria do Elo

    Na Medicina Veterinária e na Zootecnia um aspecto delicado é a possibilidade de encontrar animais vítimas de maus-tratos, o que pode representar não apenas um crime ambiental, mas também um sinal de violência doméstica, situação que pode predispor riscos adicionais.

    A médica-veterinária e presidente da Comissão Técnica de Medicina Veterinária Legal do CRMV-SP, Tália Missen Tremori, explica:

    “A Teoria do Elo, também conhecida como Teoria do Link, mostra que onde há violência contra animais também pode haver agressões a mulheres, crianças ou idosos. Na maioria dos casos, a violência ocorre no próprio ambiente domiciliar, dificultando a tomada de conhecimento por parte de terceiros ou autoridades”, pontua.

    Como identificar sinais de maus-tratos a animais?

    Identificar sinais de maus-tratos a animais pode não ser tão simples, visto que os aspectos dependem de cada caso. Porém, Tália pontua alguns pontos de alerta:

    • Lesões recorrentes incompatíveis com os relatos do responsável (como fraturas, hematomas ou queimaduras);
    • Animais muito agressivos ou excessivamente medrosos, principalmente na presença do responsável;
    • Falta de cuidados básicos, como desnutrição, infestação por parasitas, grandes tumores visíveis;
    • Condições ambientais inadequadas, como espaço restrito, sem ventilação ou higiene.

    Além disso, caso seja atendido um animal com sinais de maus-tratos é preciso seguir algumas etapas, são elas:

    • Elaborar um prontuário clínico completo, conforme a Resolução nº 1.236/2018;
    • Realizar um exame clínico detalhado, preferencialmente com fotos;
    • Produzir um relatório técnico que possa embasar uma denúncia formal.
    • Caso o profissional não tenha familiaridade com esse processo, pode contar com o apoio de colegas que atuam na área de Medicina Veterinária Legal.

    Para finalizar, a delegada Monique Lima ressalta que, especialmente em atendimentos domiciliares, não deve-se se colocar em risco. “Priorize a própria segurança, não confronte diretamente o agressor”, recomenda.

    Fonte: CRMV-SP adaptado pela equipe Cães e Gatos.

    FAQ sobre violência contra médicas-veterinárias e zootecnistas

    Por que profissionais que atuam em atendimentos domiciliares são mais vulneráveis?

    O principal ponto negativo do atendimento domiciliar está relacionado ao fato de não se conhecer o ambiente previamente, o que pode expor a riscos de violência.

    Como prevenir a violência durante o trabalho?

    Uma das maneiras de se precaver durante atendimentos externos é confirmar o endereço e os dados do cliente. Caso a pessoa forneça informaões vagas ou se recuse a disponibilizar dados é essencial ficar atento.

    Quais são os principais sinais de maus-tratos em animais?

    Alguns sinais de alerta são lesões recorrentes e incompatíveis com os relatos do responsável, agressividade ou medo extremos, falta de cuidados básicos e condições ambientais inadequadas.

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