Opções
Inovação e Mercado

Veterinários devem buscar equilíbrio emocional para garantir qualidade no atendimento

Receber um paciente com doença grave ou em estado crítico após um acidente exige do profissional uma resposta rápida para garantir as melhores chances de recuperação

Veterinários devem buscar equilíbrio emocional para garantir qualidade no atendimento
Por Cláudia Guimarães
8 de novembro de 2024
Última atualização: 31/01/2025 - 19:49

A frase “eu posso imaginar” pode cair bem em algumas situações, mas, quando se trata dos desafios emocionais que os médicos-veterinários lidam diariamente em seus atendimentos, só quem vive pode sentir. Então, nesse dilema, como esses profissionais lidam com o lado emocional para atender da melhor forma possível pacientes críticos?

Conversamos com o médico-veterinário Eric Prestes, que atende em Sorocaba, interior de São Paulo, e é indicado por muitas pessoas por conta de seu trabalho de excelência com pets em quadros complicados.

Alguns veterinários consideram complicada a tarefa de separar o lado emocional do profissional (Foto: reprodução)

Para Prestes, os principais desafios que enfrenta durante os atendimentos são o peso da responsabilidade e a autocobrança, por querer salvar aquele animal a todo custo, mesmo sabendo que, em alguns casos, será impossível reverter o quadro. “Além disso, nosso trabalho é acompanhado pela frustração de não poder fazer mais do que já foi feito. Também há a pressão de lidar com a expectativa dos tutores, que, muitas vezes, estão em um misto de desespero e esperança, e acabam dificultando o atendimento”, compartilha.

O veterinário comenta que é bastante difícil separar o lado pessoal, com emoções, do profissional: “Mas isso é fundamental, principalmente, durante a emergência, para que as decisões sejam baseadas na lógica em vez de serem tomadas pelas emoções. Misturar os dois influencia diretamente na qualidade do tratamento e na saúde mental do próprio veterinário”, destaca e adiciona que uma decisão impulsiva ou errada vai interferir diretamente no desfecho do quadro.

Ele discorre que ter empatia pelo animal é essencial para entender a dor dele e do tutor, mas a tomada de decisão rápida é ainda mais importante para o sucesso do tratamento. “A prática e a experiência ajudam a desenvolver essa habilidade de equilibrar emoções e ações, permitindo que se permaneça focado no atendimento”, insere.

Apesar de todas essas dificuldades que, com certeza, a maioria dos veterinários encara, algumas estratégias podem ajudá-los a se manter focados tanto para manterem sua saúde mental em dia, quanto para poderem salvar os animais que recebem. “Existem várias técnicas que podem nos ajudar, desde a terapia de suporte psicológico, meditação, academia e, até mesmo, hobbies. Cada veterinário busca a forma que se sente melhor para lidar com esse processamento de emoções. Pessoalmente, gosto de sair com meus amigos e possuo, também, uma atividade de vôlei semanal, isso me permite ‘sair’ da rotina veterinária em alguns momentos para que eu possa entender melhor como estou”, revela.

Além disso, o trabalho em equipe e o suporte dos colegas de profissão podem ajudar o veterinário, de acordo com Prestes. “Trabalhar em equipe alivia a pressão e a cobrança excessiva pessoal. Sentir que tem um colega que pode te apoiar ou está ao lado para te ajudar naquele momento, faz a diferença. Cada veterinário tem seu conhecimento e sua experiência, quanto mais pessoas apoiando, mais confiantes ficamos de que iremos conseguir resolver o caso da melhor maneira, independente do que seja”, expõe.