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Veterinários do CRMV-SP afirmam: bom atendimento aos pets deve se estender aos tutores

Vale lembrar que os clientes estão em situações diferentes e em momentos psicológicos diferentes

Mais um do dever do médico-veterinário de animais domésticos é ter empatia em dobro: com os pets e com os tutores também. Quando uma pessoa procura atendimento médico-veterinário, ela, naturalmente, espera ser bem atendida, assim como receber um bom diagnóstico para o problema do animal e a demonstração de que o pet será bem cuidado. Segundo o médico-veterinário membro da Comissão Técnica de Clínicos de Pequenos Animais (CTCPA) do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), Otávio Verlengia, o diferencial está em oferecer algo além do que o cliente está esperando. “O que encanta é o inesperado”, avalia.

O encantamento pode vir de uma simples gentileza. “Lembro de uma cliente que, na pesquisa de satisfação, elogiou o rapaz que trabalha na clínica por ele ter, em um dia de chuva, a levado até o carro com um guarda-chuvas”, exemplifica Verlengia.

Para o médico-veterinário que também integra a CTCPA/CRMV-SP, Maickel Bitolo, é importante considerar a situação em que o pet se encontra no momento do atendimento. “Uma coisa é o tutor que leva o seu animal para fazer uma vacina de rotina e outra coisa é aquele que leva o seu pet para tratar um câncer, por exemplo”, declara.

De acordo com Bitolo, o trabalho do médico-veterinário e da equipe é saber identificar o contexto e, dentro do possível, personalizar o atendimento. “Os tutores são pessoas diferentes, em situações diferentes e em momentos psicológicos diferentes”, observa.

No primeiro atendimento, o tutor deve saber, pelo comportamento do veterinário, que o pet será bem cuidado (Foto: reprodução)

A jornada do cliente. As boas práticas devem acontecer durante toda a jornada do cliente, desde o primeiro contato até o pós-atendimento. Uma cirurgia bem sucedida, por exemplo, não garante a satisfação do tutor caso tenha problemas no pós-operatório. “Nesse caso, a pessoa não se sente bem acolhida e a experiência é concluída como negativa, mesmo que o animal esteja bem”, explica Verlengia.

O contrário também pode acontecer. No caso de óbito do pet, se a percepção do tutor for a de que o animal foi tratado da melhor forma e que os profissionais agiram com segurança, ética, respeito e profissionalismo, apesar do resultado clínico ser negativo, a experiência no geral pode ser considerada positiva.

O trabalho dos médicos-veterinários, segundo Maickel Bitolo, pode ser bem estressante, pois lidam diariamente com um bem que não tem valor material: a vida. Isso envolve o amor incondicional das pessoas pelo pet, o que gera uma grande pressão.

Para ele, é essencial realizar uma escuta ativa do tutor e gerar empatia. “Esse é um grande desafio dentro da Medicina Veterinária. Temos que estar prontos para entender o momento do tutor, a dor dele, além de ter um tipo de paz de espírito para lidar com tudo isso”, afirma Bitolo.

Conhecendo o tutor e o animal. Para Bitolo, a anamnese é um momento importante do atendimento, pois é onde se inicia a formação de hipóteses diagnósticas. “O tutor traz o histórico desse animal, do que ele considera ser importante, mas ele é leigo, então cabe ao médico-veterinário saber fazer as perguntas importantes”, expõe.

Além da anamnese, o médico-veterinário reforça a necessidade de se fazer um exame físico completo e atento, levando em conta o paciente como um todo e não só a queixa que o tutor trouxe. Segundo Verlengia, muitos tutores veem o médico-veterinário como alguém que vai interferir em todo um contexto familiar. “Os animais fazem parte da família e a gente acaba atuando como médico da família, tendo que entender as necessidades e as expectativas relacionadas ao pet”, conclui.

Fonte: AI, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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