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Alegria para uns, estresse para outros: como proteger os pets do barulho e da quebra de rotina na Copa 2026

Grandes eventos, como a Copa do Mundo, podem desencadear quadros de ansiedade e estresse em cães e gatos e requerem cuidados diferenciados com os pets

Alegria para uns, estresse para outros: como proteger os pets do barulho e da quebra de rotina na Copa 2026
Por Danielle Assis
23 de junho de 2026

O ano de 2026 foi muito esperado pelos amantes de futebol, graças a mais uma edição da Copa do Mundo. Por mais que a competição não vá acontecer por aqui, esse esporte ainda é a paixão dos brasileiros e milhares de pessoas param para assistir a seleção jogar. 

No entanto, a celebração durante os jogos pode se tornar um fator desencadeante de estresse e ansiedade para os pets. Mais do que os barulhos elevados, sejam eles provenientes de gritos, rojões, fogos de artifício ou música, a mudança na rotina também pode afetar os animais. 

Segundo Bárbara Georgetti Nascimento, médica-veterinária comportamentalista com certificação Fear Free for Pets e pós-graduação em Etologia Clínica Veterinária, quando a rotina do responsável muda, geralmente, a rotina dos animais também se altera por consequência.

“Grandes eventos esportivos costumam modificar bastante o ambiente da casa: os familiares passam mais tempo fora ou dentro do lar, mudam horários de passeios, alimentação e brincadeiras, além de receberem visitas, fazer confraternizações e gerar mais movimentação e barulho”, cita.

Para complementar, durante jogos importantes é comum haver gritos, música alta, buzinas e fogos de artifício, que podem ser bastante estressantes para alguns animais, especialmente aqueles mais sensíveis a sons.

Bárbara Georgetti Nascimento
Bárbara Georgetti Nascimento é médica-veterinária comportamentalista com certificação Fear Free for Pets e pós-graduação em Etologia Clínica Veterinária (Foto: Arquivo Pessoal)

“Certos pets lidam relativamente bem com essas alterações, principalmente os mais sociáveis e resilientes. Outros podem apresentar sinais de medo, ansiedade ou desconforto, ficando mais agitados, em alerta constante, procurando locais para se esconder ou tendo dificuldade para descansar”, afirma a profissional.

Além disso, a previsibilidade é muito importante para os animais, pois oferece a eles a sensação de controle da situação. 

Bárbara relata que a rotina ajuda cães e gatos a entenderem o ambiente, anteciparem acontecimentos e se sentirem seguros. Logo, horários relativamente estáveis de alimentação, passeios, descanso e interação funcionam como referências importantes para o equilíbrio emocional deles.

“Quando essa previsibilidade desaparece, alguns animais passam a interpretar o ambiente como menos seguro. Mesmo mudanças que parecem pequenas para os humanos, podem ser significativas para os pets. Dormir mais tarde, receber muitas visitas, ouvir sons intensos ou perceber a casa mais agitada já pode ser suficiente para gerar estresse em indivíduos mais sensíveis”, pontua.

Grandes vilões

Por mais que as alterações de rotina possam ser ruins para cães e gatos, os barulhos durante os jogos da Copa do Mundo ainda são os principais desencadeadores de estresse. 

Dentre eles, gritos e rojões são os mais prejudiciais aos animais, especialmente os que possuem sensibilidade a ruídos. 

Segundo a veterinária, é necessário lembrar que cães e gatos percebem o ambiente de forma diferente dos seres humanos. Isso acontece porque a audição deles é mais sensível, fazendo com que consigam escutar frequências que as pessoas não são capazes. 

Deste modo, sons que parecem apenas parte da comemoração, para os animais podem ser muito mais intensos. 

“Porém, o problema, geralmente, não é só o barulho. Durante esses eventos, o animal costuma ser exposto a vários estímulos ao mesmo tempo: mudança de rotina, excesso de pessoas, movimentação intensa, cheiros diferentes, gritos e falta de previsibilidade. Tudo isso pode deixar alguns pets sobrecarregados, principalmente, quando a reunião acontece na própria casa do animal ou quando ele é levado para ambientes cheios e agitados”, cita Nascimento.

Para completar, muitas vezes, os cães e gatos também perdem acesso aos próprios locais de segurança, o que representa outro desafio. Todos esses aspectos aumentam o risco de fugas. 

De acordo com a profissional, animais assustados podem tentar escapar durante rojões ou movimentação intensa de pessoas dentro de casa. Por outro lado, pets mais sociáveis podem não se incomodar com visitas e encontros de pessoas. 

De modo geral, o mais comum é que os felinos fiquem desconfortáveis com visitas e prefiram se esconder em períodos de muita movimentação na casa. Já os cães costumam tolerar melhor ou até gostar de interação social. Contudo, isso não é uma regra. 

“Existem cães muito medrosos ou desconfortáveis com pessoas desconhecidas, que sofrem bastante nessas situações. Outros podem ficar excessivamente excitados e superestimulados com tanta movimentação. Ao mesmo tempo, há gatos extremamente sociáveis e que adoram contato com visitas. Nesses casos, o impacto pode ser muito maior para um cão inseguro ou superestimulado do que para um gato sociável”, diz.

Confira o artigo completo “Alegria para uns, estresse para outros”, na íntegra e sem custo, acessando a página 18 da edição de junho (nº 322) da Revista Cães e Gatos.