Opções
Pets e Curiosidades

Alerta na Amazônia: estudo detecta mercúrio em 100% dos urubus-de-cabeça-vermelha analisados

Pesquisa realizada pela UFPA em Belém aponta contaminação por metal tóxico em todas as aves, servindo como alerta para a degradação ambiental

Alerta na Amazônia: estudo detecta mercúrio em 100% dos urubus-de-cabeça-vermelha analisados
Por Equipe Cães&Gatos
22 de junho de 2026

Uma pesquisa científica recente acendeu um novo sinal de alerta sobre a contaminação ambiental na Amazônia. Cientistas do Laboratório de Ornitologia e Bioacústica da Universidade Federal do Pará (UFPA), em parceria com o Instituto Evandro Chagas, identificaram a presença de mercúrio em 100% das amostras de penas coletadas de 32 urubus-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura) na região metropolitana de Belém.

Liderado pela bióloga Mariza Silva, o estudo utilizou pequenos cortes nas penas das asas (remiges) das aves, um método não invasivo que funciona como um registro biológico duradouro do que o animal consumiu ao longo do tempo, sem causar danos à sua saúde.

Urubus e o acúmulo de poluentes na cadeia alimentar

A grande surpresa dos pesquisadores foi a distribuição da contaminação. Inicialmente, a equipe esperava encontrar o metal pesado apenas nos urubus capturados próximos ao antigo lixão do Aurá, devido ao descarte incorreto de materiais eletroeletrônicos. No entanto, o mercúrio foi detectado inclusive nas aves de áreas de mata nativa preservada.

De acordo com o estudo, isso prova que o poluente está disperso na atmosfera e na água da chuva, movendo-se de forma invisível pela região. Por ocuparem o topo da cadeia alimentar e possuírem hábitos necrófagos (alimentam-se de carcaças), os urubus sofrem o efeito da biomagnificação: o mercúrio absorvido por pequenos organismos vai se acumulando progressivamente a cada nível trófico, atingindo concentrações perigosas nos predadores. Embora os animais tenham sido monitorados em Belém, eles percorrem longas distâncias diariamente, o que sugere um amplo raio de dispersão do poluente associado a atividades como o garimpo ilegal.

urubu
Mercúrio é encontrado em penas de urubu-de-cabeça-vermelha na Amazônia (Foto: Nailson de Andrade Neri Júnior)

Riscos para as comunidades locais e a saúde pública

Nas aves, a exposição crônica ao mercúrio causa danos neurológicos, lesões no fígado e redução drástica no sucesso reprodutivo. Mas o sinal de alerta emitido por esses animais “sentinelas” vai além da fauna silvestre: ele reflete o risco direto para os moradores da região.

A contaminação ambiental atinge o prato da população local, principalmente por meio do consumo frequente de peixes que baseiam a alimentação amazônica. Diante disso, os cientistas reforçam a importância de monitorar a fauna sob o conceito de Saúde Única (One Health), compreendendo que a saúde humana, animal e ambiental estão totalmente interligadas. Os próximos passos da pesquisa preveem expandir a amostragem para outras espécies de aves e municípios do Pará.

Fonte: g1, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

FAQ sobre a contaminação por mercúrio na fauna

Quantos animais foram analisados na pesquisa da UFPA?

Os pesquisadores analisaram amostras de 32 urubus-de-cabeça-vermelha capturados na região metropolitana de Belém. As aves foram monitoradas em três pontos diferentes, incluindo o antigo lixão do Aurá e áreas de mata nativa preservada.

Por que os cientistas coletaram justamente as penas das aves?

As penas das asas (chamadas de remiges) funcionam como um histórico clínico do animal. O mercúrio se fixa firmemente na estrutura da queratina enquanto a pena está crescendo. Além disso, cortar um pequeno pedaço da pena é um método não invasivo, que permite colher os dados sem machucar ou estressar a ave.

Qual foi a maior surpresa dos pesquisadores nesse estudo?

A equipe liderada pela bióloga Mariza Silva esperava encontrar mercúrio apenas nos urubus que frequentavam o lixão, devido ao descarte de eletrônicos. No entanto, a contaminação em 100% dos indivíduos — inclusive nos de mata nativa — provou que o mercúrio está disperso de forma ampla na atmosfera e na água da chuva da Amazônia.