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Veja quais são as estratégias para redução de estresse em aves silvestres

Alta capacidade cognitiva e fortes instintos tornam aves de estimação vulneráveis ao estress

Veja quais são as estratégias para redução de estresse em aves silvestres
Por Raquel Naomi Tanaka Scaduto
19 de maio de 2026
Última atualização: 23/06/2026 - 10:00

As aves têm se destacado entre os pets não convencionais mais procurados atualmente. Desde os pequenos pássaros, como canários, coleiros e mandarins, mas principalmente os psitacídeos de menor porte, como periquitos, calopsitas, agapornis e loris, e maior porte, como papagaios, araras e cacatuas, chamam atenção pela sua inteligência, beleza e capacidade de interação, o que favorece a criação de vínculos com os responsáveis.

No entanto, essa alta capacidade cognitiva também as tornam mais vulneráveis ao cativeiro. Diferente de cães e gatos, a maioria das aves ainda mantém fortes instintos selvagens, o que faz com que a vida em ambientes fechados represente um desafio constante para o seu bem-estar.

Além disso, na natureza, essas aves estariam em constante voo, em busca de alimento, se reproduzindo, em alerta contra predadores, se exercitando diariamente e consumindo uma dieta extremamente variada — uma rotina complexa e dinâmica que é difícil de reproduzir dentro dos recintos.

Espaço restrito, alimento hipercalórico sempre disponível, isolamento social, estímulos anormais (ruídos e ciclo de luz irregular), privação de sono, fotoperíodos prolongados, falta de estímulos naturais, tédio, superpopulação ou solidão e rotinas irregulares ou desconforto térmico ocasionam um quadro de estresse, que é extremamente prejudicial ao animal. 

Cada espécie de ave deve ser estudada individualmente antes de ser adquirida, para que suas necessidades naturais e sociais sejam devidamente atendidas, garantindo uma vida com qualidade e bem-estar.

O enriquecimento ambiental é uma ferramenta importante na busca de comportamentos típicos da espécie, melhor qualidade de vida e bem-estar desejável.

aves silvestres
O enriquecimento ambiental ajuda a reduzir o estresse em aves silvestres (Foto: Reprodução)

O corpo em alerta: as marcas do estresse

O estresse é um estado comum entre as aves, devido à falta de interações sociais e privação de suas reais atividades cotidianas. Assim, os comportamentos anormais podem surgir como indicativos da condição ou por conta de ansiedade, tédio e solidão.

O estresse crônico em aves não é apenas psicológico, ele causa alterações que comprometem as funções vitais gravemente, como:

  • Imunidade baixa: o sistema de defesa entra em colapso, tornando a ave um alvo fácil para fungos e bactérias que seriam inofensivos em animais saudáveis;
  • Automutilação (Picacismo): um dos sinais mais alarmantes, no qual a ave arranca as próprias penas e fere a pele para buscar alívio sensorial. Compromete a termorregulação e deixa o corpo exposto a infecções e hemorragias. Possui alta ocorrência na clínica e complexidade etiopatogênica;
  •  Linhas de estresse: as penas crescem com marcas transversais e quebradiças, sinalizando períodos de má nutrição e picos hormonais durante o seu desenvolvimento;
  •  Problemas reprodutivos: podem ocorrer por diversos motivos, como perda de peso súbita, agressão, defesa territorial, exibições sexuais, regurgitação, masturbação, postura crônica de ovos ou até a retenção de ovos em fêmeas; 
  •  Comportamento repetitivo (estereotipias): exemplos são balançar a cabeça repetidamente, andar de um lado para o outro obsessivamente ou girar em torno de si mesma;
  •  Agressividade e irritabilidade: a ave torna-se mais hostil com outros indivíduos e com o responsável, aumentando as brigas, picadas reativas e gritos excessivos, que funcionam como uma válvula de escape para a frustração acumulada;
  •  Vocalização excessiva: vai além dos sons naturais. Nesses casos o animal passa a gritar repetidamente e de forma estridente sem um motivo aparente. Esse comportamento é frequentemente um pedido por atenção, uma expressão de medo ou uma tentativa desesperada de aliviar o tédio em ambientes privados de estímulos; 
  •  Bicar o ar ou grades: consiste no ato de realizar movimentos de mastigação ou bicadas no vazio, ou nas grades da gaiola sem intenção de se alimentar.

Existe tratamento?

A abordagem terapêutica do estresse em aves é baseada na modificação comportamental através da melhoria das condições físicas, ambientais e sociais, utilizando o enriquecimento ambiental como ferramenta central. 

O enriquecimento ambiental é uma maneira de promover ambientes interativos, fazendo com que os animais apresentem comportamentos naturais e satisfaçam suas necessidades físicas e psicológicas. Em situações específicas, o suporte farmacológico pode ser necessário.

Confira o artigo completo “Estratégias para redução de estresse em aves”, na íntegra e sem custo, acessando a página 56 da edição de maio (nº 321) da Revista Cães&Gatos.

REFERÊNCIAS: 

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