Comportamentos antes considerados comuns ou até “manias” em cães e gatos têm ganhado um novo olhar: podem ser sinais de estresse e ansiedade.
Assim como os humanos, os animais também são capazes de sentir medo, tensão e desconforto emocional — e isso impacta diretamente sua qualidade de vida.
Um levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) aponta que, em atendimentos de clínicas urbanas, cerca de 35% dos cães apresentam algum tipo de alteração comportamental associada ao estresse.
Esse dado reforça a necessidade de atenção por parte do responsável e de avaliação veterinária sempre que houver mudanças no comportamento.
Apesar de parecer um tema recente, estudos sobre emoções em animais já eram discutidos desde o século XIX, com pesquisas que demonstraram que diferentes espécies compartilham respostas emocionais semelhantes às humanas.
Hoje, esses conhecimentos são amplamente aplicados na prática clínica, ampliando o cuidado com o bem-estar animal.
Mudanças de comportamento podem indicar problemas emocionais
Cada animal possui um padrão comportamental próprio. Por isso, qualquer alteração — mesmo que sutil — deve ser observada com atenção.
A avaliação veterinária é essencial para diferenciar comportamentos naturais de possíveis sinais de ansiedade ou estresse.
Entre os principais indícios, estão mudanças no apetite, na rotina e na forma como o animal interage com o ambiente e com as pessoas.
Sinais de estresse e ansiedade em cães
Nos cães, os sintomas costumam ser mais evidentes. Latidos ou uivos excessivos, destruição de objetos e inquietação são alguns dos comportamentos mais frequentes.
Também é importante observar alterações no apetite e mudanças nos hábitos fisiológicos, como fazer necessidades fora do local habitual.
Gatos tendem a demonstrar sinais mais discretos
Nos gatos, os sinais de estresse e ansiedade podem ser mais sutis, o que exige ainda mais atenção do responsável. Entre os principais indícios estão queda de pelos em áreas específicas, lambedura excessiva, miados intensos e repetitivos, isolamento e agitação fora do comum.
Mudanças no apetite também são comuns e devem ser investigadas.
Rotina e ambiente influenciam diretamente o bem-estar
Diversos fatores podem desencadear estresse e ansiedade nos animais. Mudanças bruscas na rotina — como o retorno ao trabalho presencial —, longos períodos sozinhos, falta de estímulos, ambientes pequenos e a chegada de novos membros na família estão entre as causas mais comuns.
Essas situações podem impactar diretamente o equilíbrio emocional do animal, tornando fundamental a adaptação gradual e o enriquecimento do ambiente.
Algumas mudanças simples na rotina podem contribuir significativamente para o bem-estar emocional dos animais:
- Estimular atividades físicas com passeios e brincadeiras ajuda a reduzir a ansiedade;
- Evitar brigas e punições, que podem intensificar medo e estresse;
- Oferecer reforços positivos, como petiscos, especialmente em momentos de ausência do responsável;
- Preparar o ambiente com brinquedos e estímulos para períodos em que o animal ficará sozinho;
- Levar o animal frequentemente ao veterinário e conversar com um especialista formado em uma faculdade de veterinária para conferir se o comportamento do animal está como o esperado pode prevenir o agravamento de doenças psíquicas.
Observar o comportamento do animal no dia a dia é a principal forma de prevenção. Diante de qualquer alteração, a recomendação é buscar orientação profissional para garantir o bem-estar e evitar a evolução de quadros mais graves.
Fonte: Conversion, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre ansiedade e depressão em pets
Animais realmente podem ter ansiedade?
Sim. Cães e gatos podem apresentar ansiedade e estresse, que se manifestam por meio de alterações comportamentais.
Quais são os sinais mais comuns em cães?
Latidos excessivos, destruição de objetos, inquietação e mudanças no apetite estão entre os principais.
Quando procurar um veterinário?
Sempre que houver mudanças de comportamento ou sinais persistentes, o ideal é realizar uma avaliação veterinária.

