O Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas-RJ), gerenciado pelo Ibama em Seropédica, no Rio de Janeiro, enfrenta um surto de tuberculose que já causou a morte de três macacos-prego (Sapajus nigritus). A unidade, que acolhe animais silvestres resgatados do tráfico e de cativeiros ilegais, está sob quarentena e com o recebimento de novos animais suspenso para evitar a disseminação da bactéria.
A suspeita da doença surgiu após as necropsias iniciais nos primatas e foi confirmada por exames laboratoriais realizados com o apoio da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Por se tratar de uma zoonose — infecção que pode ser transmitida entre animais e seres humanos —, o controle do surto tornou-se prioridade máxima.
Medidas de contenção e biossegurança
Para conter o avanço biológico da bactéria, o Ibama determinou o isolamento preventivo de outros animais que tiveram contato com os primatas infectados. Protocolos rigorosos de desinfecção e o uso obrigatório de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) foram adotados pelos profissionais que atuam no manejo diário da unidade.
Além do bloqueio na entrada de novos animais, as visitas de estudantes e pesquisadores ao centro também foram temporariamente suspensas. O objetivo é assegurar o monitoramento completo do plantel atual sem expor pessoas ou novos espécimes ao risco de contágio.

Risco de zoonose e impacto na fauna
Especialistas apontam que a tuberculose em primatas não humanos mantidos em cativeiro é um desafio complexo. O estresse gerado pelo confinamento forçado e as condições de debilidade em que muitos chegam do tráfico reduzem a imunidade dos animais, tornando-os altamente suscetíveis a patógenos.
O acompanhamento médico-veterinário segue de forma contínua no Cetas-RJ para avaliar a saúde dos demais primatas sob custódia. A investigação técnica agora busca mapear a origem da contaminação para neutralizar definitivamente o foco bacteriano no ambiente.
Fonte: O Eco, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

