Depois de uma década aguardando por uma família, Gordo, de aproximadamente 13 anos, finalmente ganhou um novo lar.
O cão era o mais antigo sob os cuidados da Coordenadoria de Saúde e Proteção ao Animal Doméstico (Cosap) e deixou o Centro Municipal de Adoção no domingo de pré-Carnaval (8), emocionando toda a equipe.
Até então, ele fazia parte do grupo de 290 animais disponíveis para adoção — 72 deles idosos. Ao longo dos anos, tornou-se conhecido entre os profissionais e visitantes.
Participou de todos os eventos promovidos no local e foi mascote da “Semana Animal”, em 2023.
Gordo foi acolhido em 8 de agosto de 2016, na região de Sapopemba, Zona Leste da capital paulista, após um chamado ao serviço 156 informar a presença de um cão considerado agressivo na Praça Joaquim Mendes Santiago. A equipe foi até o endereço e realizou o recolhimento.
“Ele me escolheu”
Quase dez anos depois, a engenheira Luísa Mendes Heise, de 25 anos, decidiu visitar o Centro Municipal de Adoção após ler uma reportagem sobre um evento realizado no espaço. O encontro mudou tudo.
“Eu já queria adotar um cachorro e fui com minha mãe à Cosap depois de ler uma matéria em um jornal sobre um evento de adoção. Lá, eu vi o Gordo. Foi amor à primeira vista. Achei ele muito fofo e fiquei tocada por saber que estava há tantos anos esperando por um novo lar. Pensei que seria bonito dar a ele um final de vida em uma casa e incorporá-lo à nossa família”, conta.
A decisão se confirmou quando o cão fez questão de se aproximar, mesmo com artrite e dificuldade para caminhar.
“Eu olhei para ele de longe, enquanto os outros cachorros vinham saltitantes. Quando cheguei perto, ele levantou e veio até mim, mancando, para pedir carinho. Aquilo me ganhou. Ele me escolheu.”

Adaptação gradual e cuidados redobrados
Depois de tanto tempo vivendo no mesmo ambiente, a mudança foi intensa.
“Durante o trajeto para casa, ele ficou ansioso, ofegante. Nos primeiros dias, não queria sair da cozinha. No terceiro ou quarto dia, decidiu que podia ficar na sala também e escolheu o melhor lugar para se acomodar”, relata Luísa.
Luísa admite que sentiu receio no início. “Eu tinha receio de não conseguir cuidar dele da forma correta. Mas, conversando com a equipe da Cosap, fiquei mais segura. Sabia que a responsabilidade seria maior, mas que valeria a pena tê-lo na minha vida.”
Ela também destacou o suporte recebido pela Cosap: “Eles são muito profissionais e sinceros sobre a responsabilidade que é uma adoção. Informam tudo com clareza, tiram todas as dúvidas e mostram os desafios de adotar um cão idoso. Fiquei muito impressionada com o cuidado que têm com os animais.”
Adoção de animais idosos exige atenção
De acordo com os profissionais da Cosap, cães com idade avançada demandam acompanhamento mais frequente, possíveis medicações contínuas — como no caso de Gordo, que apresenta problemas articulares — e adaptações no ambiente doméstico para garantir conforto e segurança.
Por outro lado, costumam ter comportamento mais previsível, menor nível de agitação e maior facilidade para se ajustar à rotina da família, desde que seu tempo seja respeitado.
Para incentivar esse tipo de adoção, quem acolhe um animal acima de 8 anos recebe o Cartão Cuida Bem Idoso, que garante atendimento prioritário e vitalício em hospitais veterinários públicos da capital.
A Cosap disponibiliza cães e gatos de diferentes perfis, de filhotes a idosos. A escolha deve considerar estilo de vida, disponibilidade e recursos para assegurar bem-estar ao longo de toda a vida do animal.
No caso de Gordo, a rotina inclui medicação, pequenos passeios e muito carinho.
“Ele é muito dócil, não faz bagunça. Mas é só pegar a coleira que ele levanta todo feliz. Tentamos passear duas vezes ao dia para ele se movimentar um pouco”, conta a tutora.
Para o médico-veterinário Daniel Hollman Mingates, que acompanhou o cão durante anos, a adoção representa sentimentos mistos:
“Hoje o coração da Cosap está cheio de alegria e também de uma saudade que aperta, mas conforta. Ele ganhou um lar de verdade. Um lugar onde é amado, cuidado e onde, finalmente, pode saber que pertence.”
A coordenadora Analy Xavier também celebrou o desfecho:
“O Gordo se adaptou muito bem à nova casa. Hoje ele tem uma tutora que o ama, cuida e acolhe, fazendo cada dia valer a pena. Para nós, foi uma das maiores felicidades acompanhar cada passo, cada conquista, cada dia de espera e depois ver esse final tão bonito acontecer. A gente sente falta, sim. Mas é uma falta leve e cheia de amor.”
Para quem ainda tem dúvidas sobre adotar um animal idoso, Luísa deixa um recado:
“Parece mais desafiador, mas é só um desafio diferente. Eles merecem essa chance também. E vale muito a pena.”
Como adotar
O serviço de adoção ocorre durante todo o ano no Centro Municipal de Adoção de Cães e Gatos, localizado na Rua Santa Eulália, 86, em Santana, São Paulo.
Todos os animais disponíveis estão vacinados, vermifugados, castrados, identificados por microchip e possuem Registro Geral do Animal (RGA).
O atendimento para adoções acontece das 9h às 17h, de segunda a sexta-feira, e das 9h às 15h, aos sábados e domingos. Informações podem ser obtidas pelo telefone 2974-7892.
Para adotar, é necessário ter mais de 18 anos, apresentar RG, CPF e comprovante de residência, pagar taxa administrativa de R$35,80 e levar coleira e guia (no caso de cães) ou caixa de transporte (para gatos).
Fonte: Prefeitura de São Paulo, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre adoção de Gordo
Quanto tempo Gordo aguardou por adoção?
Aproximadamente 10 anos.
Animais idosos podem ser adotados?
Sim. Eles estão aptos à adoção e contam com benefícios específicos na capital paulista.
Quais documentos são necessários para adotar?
RG, CPF e comprovante de residência, além do pagamento da taxa administrativa.
LEIA TAMBÉM:
Cães resgatados protagonizam entrada emocionante em casamento e simbolizam trajetória do casal
Brasil ainda enfrenta cenário crítico de abandono de animais, com 4,8 milhões em vulnerabilidade

