Em lojas, bares, postos de combustíveis e até repartições públicas do interior paulista, cães comunitários passaram a integrar o cotidiano de funcionários e clientes.
Sem um responsável individual, esses animais criam vínculos com a comunidade local, que assume coletivamente cuidados básicos como alimentação, hidratação, abrigo e atenção.
Na região central de Avaré (SP), uma loja de variedades ganhou um “funcionário” especial: o cão comunitário Boleto.
Há cerca de dois meses, ele passou a frequentar o espaço diariamente, sendo acolhido pelos funcionários, que oferecem ração, água fresca, carinho e um local confortável para descanso.
O animal ganhou notoriedade após aparecer em vídeos nas redes sociais do comércio, nos quais surge relaxando no tapete da loja enquanto interage com a equipe.
Em tom bem-humorado, os funcionários passaram a chamá-lo de “CEO”, sigla reinterpretada como “come, encosta e observa”.

Quando o cuidado é coletivo
Segundo Vinicius Rodolfo de Souza Assis, gerente de marketing do estabelecimento, o espaço é pet friendly e já tinha o hábito de acolher animais que circulam pela região.
Boleto passou a retornar com frequência até se tornar presença constante, alternando visitas à loja com paradas em outros pontos do bairro.
Apesar do carinho recebido, o cão ainda não tem um responsável oficial, o que gera preocupação entre os cuidadores.
Com idade estimada entre cinco e sete anos, Boleto é descrito como dócil, brincalhão e muito sociável — características que reforçam a importância de um lar definitivo.
O “gerente” do boteco e a rede de apoio
Em Itapeva (SP), outro cão comunitário conquistou espaço entre comerciantes e moradores.
Apelidado de Maurício, ele circula há cerca de um ano por um boteco da cidade, onde ficou conhecido como o “gerente da esquina”.
Durante a noite, acompanha o movimento do bar; durante o dia, costuma descansar em uma farmácia 24 horas.
A rotina do animal é acompanhada por comerciantes da região, que se organizam para garantir alimentação, hidratação, vacinação e atendimento veterinário sempre que necessário.
Além disso, mantêm comunicação constante para saber onde Maurício está e se precisa de algum cuidado específico.
Na cidade, o cão virou figura conhecida, recebendo carinho, posando para fotos e participando da vida social do bairro.

“Frentistas” de quatro patas e presença institucional
Em Itapetininga (SP), a convivência com cães comunitários já dura uma década em um posto de combustíveis.
Negão e Loira acompanham a movimentação do local, interagem com clientes e recebem todos os cuidados por parte do estabelecimento, que arca com despesas veterinárias e alimentação.
Após um atropelamento, Negão passou a usar roupa reflexiva como medida de proteção, reforçando a preocupação com a segurança dos animais que vivem em áreas de grande circulação.
A presença de cães comunitários também se estende a repartições públicas. Na Subsecretaria Municipal de Defesa Animal, o vira-lata caramelo Luizinho foi acolhido após circular pelo local sem que nenhum responsável fosse identificado.
Ele foi vacinado, castrado e passou a receber cuidados regulares dos funcionários.

O que define um cão comunitário?
De acordo com especialistas em direito animal, o cão comunitário é aquele que vive em espaços públicos, sem vínculo de posse ou propriedade individual, mas que estabelece relações de cuidado com a comunidade.
Em Itapetininga, uma lei municipal aprovada em 2025 regulamenta a proteção desses animais, definindo diretrizes para monitoramento, bem-estar e responsabilidades compartilhadas.

Fonte: G1, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre cães comunitários
O que é um cão comunitário?
É um animal que vive em espaço público, sem responsável individual, mas que recebe cuidados da comunidade.
Quem responde pelo bem-estar do cão comunitário?
A responsabilidade é compartilhada entre pessoas, comércios ou instituições que convivem com o animal.
Cães comunitários podem ser adotados?
Sim. A adoção é incentivada sempre que possível, desde que respeite o bem-estar do animal.
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