Os arraiás continuarão movimentando cidades e famílias mesmo após o fim de junho, com diversas festas realizadas também ao longo de julho.
Além da música, das brincadeiras e das comidas típicas, esse período exige atenção redobrada dos responsáveis por cães e gatos. Isso porque muitos alimentos tradicionais e até elementos comuns da comemoração, como fogueiras e fogos de artifício, podem representar riscos à saúde e ao bem-estar dos pets.
Durante as confraternizações, também é comum que familiares e convidados ofereçam petiscos aos animais sem conhecer os perigos envolvidos. Por isso, veterinários especializados em nutrição recomendam manter a alimentação dos cães e gatos conforme a rotina habitual, evitando improvisações durante as festas.
De acordo com a médica-veterinária Larissa Marry Pchevuzinske, especializada em Nutrição do Hospital Veterinário Pet Care, a maior parte das receitas tradicionais do período não é adequada para os pets e pode provocar problemas de diferentes gravidades.
“As comidas típicas das festas juninas e julinas são muito atrativas para nós, mas podem representar diversos riscos à saúde de cães e gatos. A maioria desses alimentos é rica em açúcar, gordura, sal, temperos e outros ingredientes que não fazem parte da alimentação dos pets e podem causar desde distúrbios gastrointestinais leves até quadros graves de intoxicação”, explica.
Nem toda comida típica pode ser compartilhada com os pets
Embora alguns ingredientes, como o milho cozido sem sal e sem temperos, possam ser consumidos em pequenas quantidades por cães e gatos saudáveis, a recomendação é evitar oferecer aos animais as preparações típicas feitas para consumo humano.
O motivo é simples: a maioria das receitas leva sal, açúcar, condimentos e outros componentes inadequados para a alimentação dos pets.
Segundo Larissa, quando os responsáveis desejam incluir os animais na comemoração, a alternativa mais segura é recorrer a petiscos desenvolvidos especificamente para a espécie ou a preparações caseiras formuladas com orientação de um médico-veterinário.
“Dessa forma, é possível proporcionar um momento de interação sem comprometer a saúde e o bem-estar dos animais”, afirma.

Chocolate, doces e outros alimentos perigosos
Alguns ingredientes bastante presentes nos arraiás exigem atenção especial por apresentarem elevado potencial tóxico para cães e gatos.
Entre eles estão a cebola e o alho, que contêm tiossulfatos, substâncias capazes de destruir glóbulos vermelhos e provocar anemia hemolítica.
Outro item que merece destaque é o chocolate, considerado altamente perigoso aos pets.
“O chocolate contém teobromina, uma substância altamente tóxica para cães e gatos, capaz de causar vômitos, diarreia, agitação, tremores, alterações cardíacas, sinais neurológicos e, em casos mais graves, até mesmo a morte”, alerta Larissa.
Os doces típicos também devem ficar longe dos pets. Bolos, paçocas, pés de moleque e outras sobremesas costumam apresentar altas concentrações de açúcar e gordura, favorecendo distúrbios digestivos e pancreatite.
Além disso, versões industrializadas desses produtos podem conter xilitol, adoçante extremamente tóxico para cães, capaz de provocar hipoglicemia severa, lesões hepáticas e colocar a vida do animal em risco.
Até ingredientes considerados mais seguros exigem cuidados. O milho cozido, quando servido sem sal e sem temperos, pode ser consumido em pequenas quantidades por cães e gatos saudáveis.
No entanto, a espiga representa um perigo importante, pois não é digerida pelo organismo e pode causar obstrução intestinal. Dependendo da gravidade do quadro, o pet poderá necessitar de atendimento emergencial e até mesmo de cirurgia para a remoção do corpo estranho.
Como identificar uma intoxicação alimentar
A ingestão de alimentos inadequados pode provocar diferentes sinais clínicos, que variam conforme a substância e a quantidade consumida. Entre os sintomas mais comuns estão vômitos, diarreia, excesso de salivação, dor abdominal, falta de apetite, apatia e tremores.
“Dependendo da substância ingerida, o animal também pode apresentar alterações neurológicas, dificuldade para andar, convulsões ou mudanças no comportamento”, informa a profissional.
Diante da ingestão de um alimento inadequado, a recomendação é buscar atendimento veterinário imediatamente, mesmo que o pet ainda não apresente sintomas.
“E sempre que possível, é importante informar no atendimento qual alimento foi consumido, a quantidade ingerida e há quanto tempo ocorreu a ingestão”, orienta a médica-veterinária.
Essas informações auxiliam o profissional na avaliação do caso e na definição da conduta mais adequada para cada situação.

Cuidados além da alimentação
Os cuidados durante os arraiás não devem se limitar apenas à alimentação. O ambiente das festas também pode representar desafios para a segurança e o bem-estar dos animais.
Segundo a veterinária, o barulho intenso de músicas e fogos de artifício pode provocar medo, ansiedade e tentativas de fuga, especialmente em cães e gatos mais sensíveis. Por isso, é importante mantê-los em um ambiente seguro, tranquilo e protegido durante as comemorações.
Outro cuidado importante é manter distância de fogueiras e churrasqueiras, reduzindo o risco de queimaduras. Em eventos com grande circulação de pessoas, também é fundamental que os pets permaneçam identificados e supervisionados para evitar fugas ou acidentes.
Além da alimentação e dos cuidados com o ambiente, a supervisão constante dos animais faz toda a diferença para que a comemoração seja segura.
Larissa orienta ainda que familiares e convidados sejam avisados para não oferecer alimentos aos pets sem autorização, mantendo comidas e bebidas sempre fora do alcance deles.
Já quando a intenção for incluir os animais na festa, a melhor opção é oferecer petiscos apropriados para a espécie e preparar um local tranquilo onde possam descansar longe da movimentação excessiva.
“Lembre-se que cães e gatos não precisam compartilhar os mesmos alimentos que os humanos para fazer parte da festa. Muitas vezes, a melhor forma de incluí-los é oferecendo petiscos apropriados para a espécie e garantindo um ambiente confortável e seguro. Com alguns cuidados simples, é possível aproveitar as festividades sem comprometer a saúde e o bem-estar dos animais”, conclui.
FAQ sobre os cuidados com cães e gatos durante o arraiá
Cachorro pode comer comida típica de arraiá?
Em geral, não. A maioria das receitas típicas contém açúcar, gordura, sal, temperos ou ingredientes tóxicos para cães e gatos. O mais seguro é oferecer apenas alimentos próprios para pets.
Quais alimentos típicos representam mais perigo para cães e gatos?
Chocolate, cebola, alho, doces industrializados que contenham xilitol e preparações muito gordurosas estão entre os principais riscos. A espiga de milho também merece atenção por poder causar obstrução intestinal.
O que fazer se o pet comer um alimento inadequado?
O responsável deve procurar atendimento veterinário imediatamente, mesmo que o animal ainda não apresente sintomas. Sempre que possível, informe qual alimento foi ingerido, a quantidade consumida e o horário aproximado da ingestão.
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