O período pós-operatório é desafiador para os cães e gatos. Além das dores relacionadas ao procedimento em si, todo o ambiente da internação é considerado estressante aos animais.
Em sua palestra no Simpósio Dor e Comportamento 2025, o médico-veterinário mestre em Ciências da Saúde, especializado em Anestesiologia Veterinária e em Clínica da Dor e Cuidados Paliativos, Lucas Pimentel, abordou a importância de classificar a dor para entender quando é necessário realizar o resgate analgésico dos pacientes.
Deste modo, a sensação dolorosa pode ser classificada em quatro aspectos: temporal, intensidade, localização e mecanismos neurofisiológicos.
Além disso, de acordo com o profissional, a dor nociceptiva é considerada aguda, tendo uma apresentação que vai da periferia até o Sistema Nervoso Central (SNC). Por outro lado, a dor neuropática requer uma lesão para se manifestar, atingindo o sistema somático sensorial, enquanto a dor nociplástica não precisa de uma lesão em periferia para ocorrer.
“Um dos maiores desafios dos médicos-veterinários pensando em dor é a comunicação e a descrição não verbal, pois nossos pacientes não falam e cada animal se comporta de uma forma diferente na internação”, relatou.

Escalas de avaliação da dor aguda
A dor aguda é a mais presente no período pós-operatório e existem diferentes escalas que podem ser utilizadas para a avaliar.
Uma das mais populares é a numérica, que varia de 0 (sem dor) até 10 (dor intensa). Outro método indicado é a Escala de Lascelles, que também usa números para avaliar a dor. Nesse caso, Lucas afirmou que a partir do nível dois é necessário realizar o resgate analgésico.
No entanto, também existem escalas de avaliação da dor espécie-específicas. Para cães, segundo o médico-veterinário, a mais comum é a de Glasgow.
“Essa é uma escala de avaliação de dor aguda no pós-operatório. Possui aspectos de avaliação separados de A a D e, caso o animal apresente pontuação total maior que quatro, deve-se fazer o resgate analgésico”, esclareceu.
Para gatos, Lucas comentou que até 2017 existiam poucos trabalhos publicados sobre o tema. Contudo, de uns anos para cá isso mudou e, atualmente, há mais estudos avaliando dor em felinos do que em cães.
Para a espécie, o método mais recomendado é a Escala multidimensional da UNESP-Botucatu para avaliação de dor aguda pós- operatória em gatos.
“A escala da UNESP-Botucatu é utilizada no mundo todo, sendo bastante similar a de Glasgow para cães. Nela avalia-se diversos parâmetros, como comportamento do animal, apetite, nível de atividade e vocalização. Caso a pontuação seja maior que quatro, é indicado o resgate”, pontuou.
Outro método específico para felinos indicado por Pimentel é a Escala de Expressões Faciais de Dor em Gatos (Feline Grimace Scale), que está disponível através de um aplicativo para celular.
“Essa escala é muito simples e dentro do aplicativo é possível aprender a usá-la”, indicou.
Para finalizar a sua palestra, o médico-veterinário deixou uma mensagem final:
“Avaliar a dor é avaliar o comportamento. A agressividade, imobilidade, silêncio ou recusa em interagir não são traços de personalidade, são linguagens de sofrimento. Quando controlamos a dor, não devolvemos apenas o conforto, devolvemos a identidade do paciente”.
