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Atenção à tosse e ao espirro

Com a chegada do frio, a tosse dos canis em cães e a rinotraqueíte em gatos se destacam entre as patologias mais comuns. Profissionais explicam sintomas, prevenção e tratamento dessas doenças
Por Equipe Cães&Gatos
Por Equipe Cães&Gatos

Com a chegada do inverno, aumentam os casos de doenças respiratórias entre cães e gatos. Entre as patologias mais prevalentes nesta estação, destacam-se a tosse dos canis em cães e a rinotraqueíte em gatos, ambas com significativas implicações clínicas. Nesta edição, discutimos os aspectos etiológicos, clínicos, diagnósticos e terapêuticos dessas doenças respiratórias. 

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A tosse de canis, também conhecida como traqueobronquite infecciosa canina (TIC), é uma doença multifatorial muito contagiosa entre os indivíduos da mesma espécie, especialmente em ambientes como canis e abrigos. Segundo a médica-veterinária, pesquisadora, doutoranda em Políticas públicas (UNIMA-AL), membro do CFMV (Conselheira gestão 2024-2026) e CRMV-AL (Comissão de saúde pública),  Evelynne H. Marques de Melo, a TIC é causada marcadamente pelo vírus da Parainfluenza canina (CPIV) e da bactéria Bordetella bronchiseptica, além disso, outros agentes infecciosos do trato respiratório podem estar associados.

“Os caninos domésticos demonstram uma alteração respiratória com manifestação de tosse e os populares interpretam como ‘engasgo ou movimento para vomitar, porém sem vômito’. Em casos graves o animal expele secreções após a tosse. A tosse fica exacerbada após esforço físico (caminhadas, corridas e brincadeiras)”, afirma Evelynne ao se referir aos sintomas comuns da doença.

Transmissão 

Segundo ela, a doença é transmitida entre animais da mesma espécie quando indivíduos infectados liberam agentes infecciosos no ambiente compartilhado com outros animais da mesma espécie. “Abrigos, acumulação, ambientes de atendimento clínico (salas de espera), fômites (comedouros, brinquedos, caminhas) compartilhados, grades de gaiolas”, são alguns exemplos dados por ela. 

Métodos diagnósticos 

Para Evelynne, uma boa anamnese e o histórico do animal levam ao diagnóstico. “Exames laboratoriais podem ser solicitados, contudo, exames como hemograma e radiografia torácica normalmente são inespecíficos. O clínico deve decidir sobre a terapêutica de suporte sintomática”.

Para tratar 

Ela comenta que a doença tem progressão para a cura normalmente (em média três semanas), mas o período de crise debilita muito o paciente além de torná-lo fonte de transmissão para outros animais no entorno. “Não há terapêutica específica. Desse modo, antibióticos, corticosteróides, mucolíticos, broncodilatadores ou antitussígenos são drogas que entram no plano terapêutico”.

A prevenção 

Como a gripe dos canis pode ser prevenida, especialmente em ambientes de alto risco, como canis e abrigos? Segundo Evelynne, além de manter o calendário de vacinação da rotina em atualização, a prevenção passa, também, pela imunidade materna ou pela imunidade natural. “Alguns animais não apresentarão doença. A higiene do local onde eles permanecem é imprescindível. Animais que tiveram a doença e se curaram, devem ser mantidos isolados por algum tempo (em média 15 dias)”.

A vacinação 

Segundo ela, a literatura disponível demonstra que as vacinas comercializadas abrangem os agentes: CAV-2, o CPiV e a B. bronchiseptica. “Algumas incidem apenas numa dos três causadores e que ajuda a prevenir infeções contra a B. bronchiseptica; outras que incidem em duas delas, que abrange a B. bronchiseptica e o CPiV, e vacinas que abrangem os três patógenos acima descritos. Há vacinas para uso oral, parenteral e outras intranasal”, afirma e complementa que o início do protocolo vacinal tanto para filhote ou adulto, deverá ser administrada em duas doses separadas por três a quatro semanas, além de ser necessário reforço anual. 

“A vacinação deve ser exclusivamente por médico-veterinário, para acompanhamento dos sinais pós-vacinais, pois, baseado no tipo de vacina, no decorrer da geração de células de memória para conferir a imunidade, os animais poderem contrair a patologia apesar de  apresentarem sintomas mais leves e, normalmente, de curta duração”, explica.

Evelynne H. Marques de Melo

Evelynne aponta que é necessário se atentar às possíveis  complicações da TIC. “Tosse acentuada, severa, cansaço acentuado, acometimento pulmonar podem ocorrer. É necessário cuidado para não agravar o problema”, reforça.

Casos que merecem atenção

A TIC pode afetar populações de cães, seja os filhotes, idosos e aqueles com condições pré-existentes, como mencionado. Evelynne comenta que, normalmente, o fator mais predominante é o contato entre animais positivos em fase de eliminação do agente causal. “Dessa forma, locais em aglomeração são os momentos mais evidentes de transmissão e infecção dos animais. Filhotes de mães que tiveram a doença tendem a herdar a imunidade. Manter filhotes mamando e fêmeas recém-paridas em bom estado nutricional colaboram para a imunidade dos descendentes”. 

Segundo a profissional, os médicos-veterinários devem orientar os tutores a evitarem, em climas frios, manter os animais em locais desprotegidos, molhados por muito tempo. “A pelagem molhada por tempo prolongado interfere na manutenção térmica corporal do animal e estando em baixa de temperatura, fica propenso aos agentes infecciosos. Evitar, da mesma forma,  levar os animais a locais onde há filas (aglomerado de pessoas e animais), por exemplo, programas de vacinação contra a raiva coletiva e outras atividade coletivas. Manter distanciamento. Evitar sempre uso compartilhado de fômites (principalmente comedouros e bebedouros)”, afirma e completa que a doença não tem caráter grave, porém não deve ser desassistida, tanto pelo desconforto dos animais quanto pelo risco de transmissão. “O médico-veterinário deve ser buscado tão logo se percebam sinais clínicos de tosse nos caninos”, conta. 

Luciana Deschamps

A vez dos gatos, o cuidado com a rinotraqueíte

Depois de conhecer um pouco sobre a doença respiratória mais comum em cães, vamos falar agora sobre a rinotraqueíte felina, que, por sua vez, é causada principalmente pelo herpesvírus felino tipo 1 (FHV-1), pertencente à família Herpesviridae. A médica-veterinária especializada em felinos, proprietária e responsável técnica da Clínica Veterinária Sr. Gato, Luciana Deschamps, conta que esse vírus, predominantemente, se aloja em tecidos linfóides e gânglios, e em mucosa ocular e nasal. “Outro agente etiológico é o FCV (Calicivírus Felino), pertencente à família Caliciviridae, sendo também um vírus envelopado, resistente ao ambiente, que atinge o trato respiratório superior, acompanhado de secreções nasais, gengivite, úlceras em cavidade oral. Devido à imunossupressão, causada pelo Herpesvírus e Calicivírus, as bactérias mais comuns que surgem são: a Clamídia felis e a Bordetella bronchiseptica, podendo agudizar o quadro clínico do paciente”.

Evelynne comenta que os sinais clínicos da doença são típicos de gripe com acentuada alteração no trato respiratório superior. “Apresenta secreções nasais e oculares acentuadas, espirros que podem ser frequentes, conjuntivite, ulceração de córnea, tosse, dispneia, depressão, inapetência, emagrecimento acentuado e desidratação”, lista.

Para chegar ao diagnóstico 

Luciana informa que o diagnóstico diferencial é baseado na anamnese e na avaliação clínica dos sintomas apresentados pelo paciente felino e nos exames de PCR, suabs orais e da conjuntiva, sorologia, raspados de tecidos, cultivo celular, imunofluorescência, entre outros. 

Evelynne afirma que os sinais clínicos clássicos associados a um histórico de ausência de vacinação e ambientes em contato com muitos gatos (aglomeração/acumulação) são suficientes para as abordagens clínicas. “Um diagnóstico confirmatório pode ser obtido através de PCR (em fase aguda da doença), isolamento viral e imunofluorescência direta ou indireta”.

As médicas-veterinárias entrevistadas afirmam que, como a doença é típica do trato respiratório superior, espirros e secreções oro-nasais são as principais vias de transmissão. A transmissão ocorre por contato direto com animais infectados, bem como por meio de secreções nasais e oculares, saliva, e pelo compartilhamento de pratos, bebedouros e camas contaminados.

Fatores de predisposição

Luciana conta que gatos não imunizados, imunossuprimidos, em gatis sem critérios de isolamento, e que vivem ou têm acesso à rua têm maior chance de contrair a doença. 

Já Evelynne completa que felinos imunossuprimidos são os que constituem o grupo de risco para complicações da doença. “Pois, rapidamente, complicações associadas a infecções bacterianas ocorrem. O modo de criação em sistema de acumulação e aglomeração de felinos também é fator de risco para rápida disseminação da doença com complicações devido às dificuldades de manejo higiênico principalmente”. 

Na hora de tratar

Depois de realizado o diagnóstico, Luciana explica como se dá o tratamento. “O protocolo terapêutico é fundamental – uma vez que o uso de antibióticos deve ser prescrito para prevenir ou amenizar infecções bacterianas secundárias -, lavagem nasal, uso de vaporizadores, inaladores, colírios, suporte nutricional; enfim, o tratamento é sintomático aliviar o desconforto de cada paciente. Pode ser considerada a internação para gatos inapetentes, para que sejam feitas reposições de fluídos e eletrólitos”, conta.

A médica-veterinária Evelynne complementa que os clínicos de felinos têm opções terapêuticas que vão desde o tratamento sintomático (lavagem nasal e terapia inalatória, expectorantes, colírios), como já citado, até o específico anti-viral (trifluridina, ganciclovir, idoxuridina, cidofovir, fanciclovir, vidarabina e aciclovir) e associação com antibióticos (doxiciclina é o antibiótico mais utilizado, mas também azitromicina, clindamicina, amoxicilina são exemplos).

Há prevenção?

Evelynne afirma que para prevenir a doença, é necessário criar felinos com protocolos de vacinação atualizados, evitar aglomeração ou acumulação de felinos em ambientes pequenos, evitar adentrar na residência, novos animais oriundos de vida livre e sem histórico de vacinação adequados (em caso de abrigos/ambientes de acolhimento proceder com quarentena). “Manter comedouros e bebedouros individuais. No caso de animais em tratamento, manter distante de animais saudáveis (gaiolas de contenção devem ser posicionadas em distâncias médias de 1,5m”. 

Segundo Luciana, como prevenção, a imunização deve ser feita anualmente. “Gatos vacinados podem até contrair a doença de forma mais branda. Além disso, seguir os protocolos vacinais, manter comedouros e bebedouros limpos, alimentação balanceada, não ter acesso à rua, não permitir contatos com gatos infectados ou que não se saiba a procedência”, lista algumas medidas preventivas adicionais que podem ser adotadas para evitar a doença. 

As complicações da doença, segundo Evelynne, são conjuntivas, com ulcerações de córnea e conjuntivite severas devido à associação de bactérias Clamídia. 

Ainda sobre as complicações, Luciana comenta que elas ocorrem, principalmente quando não são tratadas corretamente, já que o sistema imune fica mais vulnerável, podendo apresentar infecções secundárias, como pneumonia, conjuntivite, ulceração corneal, úlceras em cavidade oral, causando desconforto alimentar.

O papel do tutor 

O tutor, de acordo com Evelynne, diante de qualquer sinal de alteração no comportamento do animal, deve procurar um médico-veterinário rapidamente para os diagnósticos e orientações adequadas. “Os tutores devem ficar atentos ao atraso nas vacinas que esteja ciente e lembrar que nos períodos de quedas de temperatura e clima frio, sinais de espirros, secreção nasal e falta de apetite nos felinos, é motivo para investigar a rinotraqueíte”.

Luciana, por sua vez, afirma que é importante que  o tutor mantenha o gato monitorado em sua recuperação: “disponibilizar água em diversos pontos da casa, administrar o antibiótico e todos os outros medicamentos recomendados, fazer inalação para desobstruir as vias respiratórias, mantê-lo em ambiente preservado sem correntes de ar, oferecer com frequência alimentos úmidos, aromáticos e mais palatáveis, seguindo a recomendação do veterinário responsável pelo caso”, afirma e completa que é necessário alertar o tutor para as vacinações anuais, não permitir que o animal tenha contato com gatos desconhecidos, proibir o acesso à rua. Se houver espirros, corrimento nasal e/ou ocular, procurar, prontamente, o veterinário”. 

Por fim, Evelynne conta que o médico-veterinário deve orientar os tutores que tenham um médico-veterinário para orientar na boa criação do felino de estimação. “Manter atenção de máxima importância às vacinações, manter gatos em ambientes de higiene, evitar aglomeração/acumulação de gatos e sobretudo não misturar gatos com histórico de saúde desconhecidos”, conclui. 

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