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Avanços no diagnóstico das retroviroses felinas ganham destaque em palestra no Animal Health 2026

Especialista discutiu epidemiologia, manifestações clínicas e interpretação de testes laboratoriais para FIV e FeLV durante evento voltado à atualização profissional

Avanços no diagnóstico das retroviroses felinas ganham destaque em palestra no Animal Health 2026
Por Melissa Marques
12 de março de 2026

As retroviroses felinas estão entre as doenças infecciosas mais relevantes na clínica de gatos. 

Durante o Animal Health 2026, a médica-veterinária Fernanda Amorim, especialista em cirurgia felina e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou uma atualização sobre o diagnóstico das infecções causadas pelo vírus da imunodeficiência felina (FIV) e pelo vírus da leucemia felina (FeLV).

Ao longo da palestra, a especialista abordou desde aspectos epidemiológicos até os principais desafios na interpretação de exames laboratoriais, destacando que o diagnóstico dessas infecções exige avaliação criteriosa do histórico clínico e dos resultados dos testes.

“Não podemos avaliar as retroviroses felinas com base em um único exame. A interpretação precisa considerar o contexto clínico e epidemiológico do paciente”, explicou.

FIV: fatores de risco e evolução da infecção

O vírus da imunodeficiência felina é transmitido principalmente por mordidas profundas entre gatos, sendo mais frequente em animais com comportamento territorial ou acesso à rua.

Entre os fatores de risco associados à infecção estão sexo masculino, idade mais avançada e histórico de brigas entre gatos. 

Após a infecção inicial, o vírus passa por um período de replicação e pode estabelecer uma fase prolongada sem sinais clínicos evidentes.

Durante esse período, no entanto, o comprometimento do sistema imunológico pode predispor os animais a infecções oportunistas e outras alterações clínicas.

Entre as manifestações observadas estão gengivoestomatite crônica, infecções recorrentes, alterações dermatológicas, distúrbios neurológicos e alterações hematológicas.

“Muitos gatos infectados podem permanecer em fase subclínica por anos antes do aparecimento de sinais clínicos”, ressaltou a palestrante.

Interpretação de testes diagnósticos para FIV

Os testes sorológicos são amplamente utilizados para a triagem da infecção por FIV, especialmente em consultas de rotina ou antes da introdução de novos gatos em ambientes compartilhados.

No entanto, segundo Fernanda Amorim, a interpretação desses exames deve considerar o contexto clínico do animal.

Em algumas situações, principalmente diante de resultados inconclusivos, exames moleculares podem ser utilizados como ferramenta complementar para confirmação do diagnóstico.

“O resultado do teste deve sempre ser interpretado junto ao histórico do paciente e à avaliação clínica”, afirmou.

FeLV: transmissão e impacto da infecção

O vírus da leucemia felina apresenta alta capacidade de transmissão entre gatos, principalmente por contato próximo e prolongado.

A infecção pode ocorrer por meio de saliva, secreções nasais e compartilhamento de ambientes, o que facilita a disseminação do vírus em locais com múltiplos animais.

Após a infecção inicial, o vírus pode alcançar a medula óssea e provocar diferentes consequências clínicas, dependendo da resposta imunológica do animal.

Entre as principais alterações associadas ao FeLV estão imunossupressão, distúrbios hematológicos e neoplasias, especialmente linfomas e leucemias.

“Nem todos os gatos infectados apresentam o mesmo desfecho. A resposta imunológica determina a evolução da infecção”, explicou.

Diferentes desfechos da infecção por FeLV

Durante a palestra, a especialista explicou que os gatos expostos ao vírus podem apresentar diferentes tipos de resposta à infecção.

Entre os desfechos possíveis estão a infecção progressiva, quando há replicação viral persistente; a infecção regressiva, caracterizada pelo controle parcial do vírus; a infecção abortiva, quando o sistema imunológico impede a disseminação viral; e as formas focais ou atípicas.

Compreender essas diferenças é essencial para interpretar corretamente os resultados dos exames laboratoriais.

“Os testes detectam diferentes fases da infecção, por isso a interpretação precisa considerar o momento da doença”, destacou.

Métodos laboratoriais e avaliação do prognóstico

Para o diagnóstico da infecção por FeLV, podem ser utilizados diferentes métodos laboratoriais, como testes de triagem baseados em detecção de antígeno, imunofluorescência indireta (IFA) e exames moleculares como PCR.

Segundo a especialista, a PCR quantitativa pode auxiliar na avaliação da carga viral, fornecendo informações importantes sobre o prognóstico.

Estudos apresentados durante a palestra indicam que níveis mais altos de carga viral estão associados a maior risco de evolução clínica desfavorável.

“O uso combinado de diferentes testes permite compreender melhor o status da infecção e orientar decisões clínicas”, afirmou.

Avanços no diagnóstico das retroviroses felinas ganham destaque em palestra no Animal Health 2026
A combinação de diferentes métodos diagnósticos aumenta a precisão na identificação das infecções (Foto: Revista Cães & Gatos)

Triagem e monitoramento são fundamentais na clínica de felinos

A triagem para retroviroses felinas é considerada uma ferramenta essencial na prática clínica, especialmente em gatos com histórico desconhecido, animais provenientes de abrigos ou antes da introdução de novos indivíduos em lares com múltiplos gatos.

A identificação precoce da infecção permite orientar medidas de manejo, acompanhamento clínico e prevenção da transmissão.

“Testar gatos e interpretar corretamente os resultados é fundamental para orientar o manejo clínico e epidemiológico”, concluiu.

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