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    Cães de assistência e cães-guia combinam amor com serviço exemplar para quem precisa

    Tendo um papel fundamental na vida de muitas pessoas, os cães-guia e os cães de assistência passam por um longo processo de treinamento até que estejam prontos para cumprir a sua função

    Cães de assistência e cães-guia combinam amor com serviço exemplar para quem precisa
    Danielle Assis
    Danielle Assis
    25 de agosto de 2025
    Última atualização: 25/08/2025 - 09:38

    Realizando um trabalho único, os cães-guia e os cães de assistência são capazes de minimizar as dificuldades de pessoas portadoras de alguma deficiência.

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    Através de um longo período de treinamento, esses animais se capacitam para oferecer muito mais do que amor, tendo um papel de extrema importância no dia a dia de muitos seres humanos. Porém, como funciona a capacitação dos cães-guia?

    Para entender um pouco mais sobre esse processo conversamos com Elis Rejane Busanello, que é presidente da diretoria executiva da Escola de Cães-Guia Hellen Keller (HKeller), pioneira no Brasil a atuar diretamente na inclusão de pessoas com deficiência visual com o apoio de cães-guias.

    A escola também é a única instituição da América Latina certificada pela International Guide Dog Federation (IGDF), uma referência mundial em padrões de qualidade para cães-guias.

    Segundo Elis, tudo começa com o cão ainda filhote.

    Na HKeller a raça escolhida foi retriever do labrado devido as suas características (Foto: Divulgação / Escola HKeller)

    “Até os quatro meses de vida os animais estão no período de dessensibilização. Nessa fase são estimulados e observados enquanto realizamos trabalhos relacionados aos hábitos de alimentação e higiene. A próxima etapa é a da socialização, no qual os voluntários “apresentam o mundo” ao futuro cão-guia. A socialização dura um ano e nesse período os cães vivenciam experiências diárias em locais diversos”, comenta.

    Passada a etapa de socialização, a presidente explica que os animais retornam para a escola quando estão com cerca de 1,5 anos e passam por avaliações de comportamento e de saúde. Na sequência, são treinados por cerca de seis meses.

    Quais as características essenciais de um cão-guia?

    Busanello comenta que as melhores raças para exercer funções como cão-guia, cão de assistência ou cão de terapia são as que possuem temperamento equilibrado, inteligência, facilidade de aprendizado, sociabilidade e disposição para o trabalho em equipe com o ser humano.

    “Entre as raças mais utilizadas no mundo para essas atividades estão retriever do labrador, golden retriever, pastor alemão, poodle (médio ou padrão) e border collie. Nossa instituição optou pela retriever do labrador por considerá-la extremamente adequada para a função de cão-guia”, pontua.

    Ela relata que a escolha foi baseada em diversas qualidades marcantes da raça como:

    • Temperamento dócil e equilibrado essencial para ambientes urbanos e variados;
    • Alta sociabilidade, que facilita a convivência com pessoas e outros animais;
    • Inteligência e facilidade de treinamento;
    • Instinto de colaboração e desejo de agradar o humano.

    “Além dessas qualidades comportamentais e físicas, a escolha por uma única raça também favorece o processo de melhoramento genético, permitindo que sejam selecionados e preservados, ao longo das gerações, os traços desejáveis para o desempenho da função. Essa padronização genética torna os resultados mais previsíveis e confiáveis, contribuindo para a qualidade e a segurança do serviço prestado pelos cães”, afirma.

    Já para saber se um animal, realmente, está apto para a função, uma equipe de profissionais realiza avaliações técnicas, comportamentais e físicas.

    Quem pode solicitar um cão guia?

    De acordo com Elis, na escola HKeller podem requisitar um cão-guia deficientes visuais com cegueira ou baixa visão, maiores de 18 anos e que tenham domínio do uso da bengala

    Por outro lado, as famílias socializadoras, que auxiliam no treinamento dos animais, devem contar com uma residência segura a um raio de 150km da escola e possuir disponibilidade para estar com o cão 24 horas por dia. Além disso, também é importante que exista um responsável com mais de 18 anos.

    A importância dos cães-guia

    “Os cães-guia e os cães de assistência têm um impacto profundo não apenas na vida da pessoa com deficiência, mas em toda a sua família. Esses cães representam liberdade, autonomia, segurança e inclusão, devolvendo à pessoa a possibilidade de viver com mais independência e confiança”, comenta a presidente.

    Ela também relata que, para as famílias, o animal se torna parceiro essencial no cuidado e na rotina. Através do seu trabalho consegue reduzir o nível de preocupação constante, melhora a mobilidade e promove a autoestima da pessoa assistida, o que reflete em uma dinâmica familiar mais leve e positiva.

    Contudo, esse vínculo é construído de maneira cuidadosa e gradual. Segundo Busanello, esse processo envolve:

    • Um período de adaptação e convivência assistida com orientação técnica especializada;
    • Treinamento conjunto, no qual usuário e cão aprendem a se comunicar e confiar um no outro;
    • Presença de afeto, respeito e rotina – elementos fundamentais para solidificar a parceria.

    “Com o tempo esse vínculo ultrapassa a função prática e se transforma em amizade profunda, conexão emocional e parceria de vida. O cão passa a entender as necessidades do seu humano com uma sensibilidade surpreendente, respondendo com dedicação e lealdade. Mais do que um auxiliar, o cão-guia ou cão de assistência se torna um membro da família, um elo de amor, que inspira todos ao redor”, finaliza.

    O trabalho na prática

    Elias Ricardo Diel é um exemplo de quem vivenciou na prática o trabalho desses animais. Hoje com 51 anos, ele é bicampeão de parasurf mundial e já teve dois cães- guia.

    Hoje a Hibisco acompanha Rock em todas as suas atividades do dia a dia (Foto: Arquivo Pessoal)

    “O primeiro cão-guia eu recebi em 2010 e veio da Austrália. Era uma fêmea, mistura de labrador com golden retriever, e ficou comigo durante seis anos. Depois eu tive a Durga, uma labradora que foi treinada pela escola HKeller e também se manteve ao meu lado durante esse período”, relembra.

    Segundo o atleta, contar com a assistência dos cães é algo incrível.

    “Eles nos ajudam muito na rotina e no dia a dia. É muito importante que as pessoas possam ter acesso a esse trabalho. Hoje estou sem um cão-guia, na realidade, estou na fila para receber o próximo e muito feliz por poder ter essa oportunidade”, relata.

    Já Rock Hudson nasceu com perda de visão e no decorrer dos anos a deficiência foi agravando até que ele se tornou usuário de um cão-guia.

    “Estou com a Hibisco, uma labrador retriever de cor preta, há três anos e seis meses. Ela me acompanha todos os dias na nossa rotina. Para chegar ao trabalho pegamos ferry boat e ônibus e andamos por calçadas com obstáculos. Nós temos uma rotina agitada e, graças a Deus e a Hibisco, eu levo uma vida muito ativa”, conta.

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