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Cães de raças gigantes enfrentam mais doenças e têm expectativa de vida reduzida

Pesquisa aponta longevidade média de 8,9 anos e maior incidência de doenças dermatológicas e musculoesqueléticas em animais de porte extremo

Cães de raças gigantes enfrentam mais doenças e têm expectativa de vida reduzida
Por Equipe Cães&Gatos
19 de agosto de 2026

Uma nova pesquisa desenvolvida pelo Royal Veterinary College (RVC), no Reino Unido, confirmou que cães de raças gigantes enfrentam maior fragilidade na saúde e possuem uma expectativa de vida significativamente menor quando comparados à média geral da espécie.

Publicado na revista científica Companion Animal Health and Genetics, o estudo analisou dados de mais de 28 mil cães de 29 raças gigantes atendidos por clínicas veterinárias primárias.

De acordo com o levantamento do programa VetCompass, a idade mediana ao óbito desses animais foi de 8,94 anos, valor consideravelmente inferior aos 12 anos registrados para a população canina geral. As causas de morte mais recorrentes apontadas pela investigação foram neoplasias (cancro), colapsos e cardiopatias.

Diagnósticos frequentes e diferenças entre raças molossoides

A análise de uma amostra representativa indicou que 74% dos cães gigantes apresentavam pelo menos uma doença registrada durante o ano analisado, um índice superior aos 66% observado na população canina em geral. As enfermidades mais comuns incluíram otite externa, excesso de peso ou obesidade e episódios de agressividade, com maior prevalência de problemas nos sistemas dermatológico, musculoesquelético e auditivo.

O estudo também destacou particularidades no grupo das raças molossoides, como o Dogue de Bordeaux e o São Bernardo:

  • Sintomas mais comuns em molossoides: Alopecia, cistos cutâneos, claudicação (mancagem), otite externa, secreção auricular e entrópio (deformação na pálpebra);

  • Enfermidades menos frequentes: Obesidade, diarreia, doenças dentárias e problemas periodontais;

  • Impacto na longevidade: A expectativa de vida mediana para molossoides foi de 8,42 anos, enquanto outras raças gigantes não molossoides atingiram 9,97 anos.

Raças de porte gigante
Raças de porte gigante exigem atenção veterinária redobrada devido à alta incidência de problemas cardíacos e articulares (Foto: Reprodução)

Discussão sobre limites genéticos e cuidados veterinários

A variação de longevidade entre as raças gigantes mostrou-se expressiva. Enquanto o Mastim Tibetano apresentou a menor idade mediana ao óbito, com 4,77 anos, o Terrier Russo Preto alcançou a marca de 12,7 anos. O peso médio dos adultos analisados situou-se em 49 kg, variando entre 31 kg no Kuvasz Húngaro e 65 kg no São Bernardo.

Segundo os autores do estudo, os resultados acendem um alerta sobre os impactos da seleção genética para portes corporais extremos.

Além das questões biológicas do gigantismo, os pesquisadores ponderam que dificuldades financeiras e logísticas por parte dos responsáveis podem limitar o acesso contínuo a cuidados preventivos, agravando o quadro de saúde desses animais.

Fonte: Veterinária Atual, adaptado pela equipe Cães&Gatos.