A osteoartrite se destaca entre as doenças ortopédicas mais frequentes em gatos e, ao mesmo tempo, é também uma das mais subdiagnosticadas na rotina clínica.
Caracterizada pela degeneração progressiva e lenta da cartilagem articular, provoca dor crônica e limitações funcionais que, muitas vezes, passam despercebidas pelos responsáveis.
De acordo com Mario Rennó, médico-veterinário com residência em Clínica Médica, mestre em Ciência Animal e especialização em Ortopedia e Traumatologia Veterinária, estima-se que entre 25% e 45% dos gatos possuem osteoartrite e essa porcentagem pode chegar a 90% em animais idosos.
“A enfermidade leva a uma baixa de qualidade do líquido sinovial, evoluindo para sinovite, que expõe osso subcondral e provoca no paciente uma dor intensa”, afirma.

Entre as principais causas da osteoartrite nos felinos está o envelhecimento natural. Logo, quanto mais idoso, maior a predisposição. No entanto, animais jovens também podem desenvolver a condição devido a traumas recorrentes provocados, por exemplo, ao subir e descer de locais altos, correr e escorregar.
“A obesidade também é considerada um fator de risco, visto que o sobrepeso aumenta a sobrecarga sobre as articulações, acelerando o processo degenerativo e intensificando a sensação dolorosa”, cita o veterinário.
A castração precoce é outro aspecto apontado como prejudicial, especialmente se realizada antes dos três meses de idade. Nesse período, os animais podem desenvolver alterações de fechamento de placa de crescimento, que desencadeiam outras patologias, como displasia fiseal e fraturas patológicas.
Dor que se manifesta por mudanças de comportamento
Diferentemente dos cães, os gatos tendem a mascarar a dor, comportamento herdado de seus ancestrais como estratégia de sobrevivência. Por isso, neles os sinais clínicos costumam ser discretos e se manifestam principalmente por alterações na rotina.
“A osteoartrite costuma ser silenciosa nos felinos, justamente por terem o hábito de esconder os sinais clínicos. Dessa forma, acredita-se que somente 30% dos gatos têm manifestações clínicas”, esclarece.
Entre os indícios mais comuns da doença estão a redução da frequência de saltos, dificuldade para subir em móveis, menor disposição para brincar, mudanças no local de descanso e dificuldade para deitar ou levantar.
Rennó também afirma que alguns animais passam a apresentar menor interação com os responsáveis, redução da higiene corporal, irritabilidade ao toque, diminuição do apetite e da ingestão de água, além de retenção urinária ou fecal.
“Quando os felinos vão para a liteira, passam um tempo maior tentando urinar e começam a adotar comportamentos que minimizem a dor. Com isso, se antes dormiam em cima de um sofá, podem começar a descansar em locais mais acessíveis, assim como demonstram dificuldade em deitar ou levantar, por exemplo”, relata.
Outro comportamento frequentemente observado é o excesso de lambedura em regiões doloridas, que pode provocar lesões na pele e perda de pelos.

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