Uma pesquisa recente publicada no Journal of Small Animal Practice revelou dados importantes sobre as complicações urológicas em cães com alterações vasculares hepáticas.
De acordo com o levantamento, 29% dos cães diagnosticados com hipoplasia primária da veia porta apresentaram cálculos urinários, ressaltando a relevância de exames de rotina para identificar a condição de forma precoce.
A hipoplasia primária da veia porta é uma anomalia vascular congênita caracterizada pelo subdesenvolvimento dos vasos sanguíneos que irrigam o fígado, reduzindo o fluxo sanguíneo para o órgão.
O estudo, conduzido por pesquisadores da Southern Counties Veterinary Specialists, analisou casos clínicos de 15 hospitais veterinários de referência localizados no Reino Unido.
Sintomas clínicos e achados laboratoriais em animais afetados
A análise apontou que a totalidade dos animais com cálculos urinários também apresentava a presença de cristais na urina, sendo identificados principalmente cristais de biurato de amônio e de bilirrubina.
Em três dos cães avaliados, foram localizadas pedras na bexiga, e um deles apresentou quadros obstrutivos severos ao longo do canal que conecta o rim à bexiga.
A pesquisa também detalhou as manifestações clínicas apresentadas pelos pacientes. Todos os animais afetados por cálculos urinários apresentavam sinais gastrointestinais concomitantes, enquanto apenas metade demonstrava sintomas urológicos inferiores evidentes, como sangramento na urina ou aumento na frequência de micção.
Além disso, desvios anómalos da circulação entre o sistema porta e a circulação geral foram identificados em 50% dos cães com cálculos, contra apenas 10% naqueles que não desenvolveram a complicação.

Diagnóstico precoce e recomendações para a rotina clínica
Embora a incidência de cálculos nesses pacientes seja ligeiramente inferior à observada em cães com desvios portossistêmicos congênitos, os resultados acendem um alerta para os médicos-veterinários.
Os autores da pesquisa recomendam que a avaliação de rotina para cães diagnosticados com hipoplasia primária da veia porta inclua obrigatoriamente a urinálise completa e exames de imagem.
Essa conduta permite o diagnóstico de litíase urinária mesmo na ausência de sintomas urinários clássicos, garantindo um manejo terapêutico mais rápido e eficiente.
Fonte: Veterinária Atual, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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