Uma lenda histórica que habitava o imaginário de pescadores e moradores do Pantanal acaba de ser confirmada pela ciência.
Pesquisadores documentaram pela primeira vez a presença do cervo-do-pantanal melânico, popularmente chamado de “veado preto”. Os registros inéditos foram publicados no periódico Notas sobre Mamíferos Sudamericanos por cientistas da ONG Onçafari e da Embrapa Pantanal.
Normalmente caracterizado por uma pelagem castanha-avermelhada, o cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) é o maior cervídeo da América do Sul, atingindo até 1,30 metro de altura. A variação melânica apresenta uma coloração castanha extremamente escura que se aproxima do preto e decorre de uma mutação genética que gera superprodução de melanina.
Registros no Pantanal e no Cerrado

A descoberta ocorreu durante o monitoramento de fauna de longo prazo com o auxílio de drones e câmeras de monitoramento:
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Pantanal (Mato Grosso do Sul): Uma fêmea melânica foi avistada na base Caiman Pantanal. Foi o único registro do tipo em mais de quatro décadas de estudos na região.
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Cerrado (Minas Gerais / Bahia): Três machos escuros foram identificados no Parque Nacional Grande Sertão Veredas. No local, a população melânica representou 66,7% das observações de cervos da espécie efetuadas entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026.
O enigma adaptativo do melanismo
A presença da pelagem preta em habitats abertos e quentes intriga a comunidade científica. A cor escura absorve mais calor solar e reduz a capacidade de camuflagem do animal diante de predadores, como a onça-pintada, em relação à vegetação de capim-rabo-de-porco.
No Cerrado, onde a espécie está criticamente ameaçada de extinção, pesquisadores trabalham com a hipótese de que a característica seja fruto de um gargalo genético decorrente da endogamia (cruzamento entre parentes próximos).
No entanto, a teoria não se aplica ao Pantanal, onde a população de cervos permanece numerosa e geneticamente diversa.
Fonte: O GLOBO, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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