A Medicina Veterinária está cada vez mais próxima da Medicina Humana, graças à chegada de técnicas e tecnologias, que visam garantir mais segurança e eficácia no cuidado com os pacientes.
Entre as novas alternativas disponíveis estão os procedimentos minimamente invasivos através de videocirurgia e os realizados a partir de técnicas de endoscopia.
As cirurgias minimamente invasivas começaram a ser realizadas em pacientes humanos no início da década de 70, ganhando mais destaque nos anos 80, especialmente devido a procedimentos como apendicectomia e colecistectomia.
Na Medicina Veterinária, os primeiros relatos do uso da videocirurgia em procedimentos cirúrgicos experimentais datam de 1970, mas foi em meados dos anos 2000 que começou a se popularizar. No início, essa prática era restrita a centros universitários e hospitais especializados, visto que precisava de treinamentos específicos e os equipamentos não eram acessíveis.

Contudo, hoje já está mais disseminada. Segundo Rodrigo Cincotto, médico-veterinário pós-graduado em Clínica Médica de Pequenos Animais e Cirurgia de Tecidos Moles, praticamente todas as especialidades cirúrgicas já possuem aplicações por videocirurgia. O profissional é especializado em cirurgia minimamente invasiva, membro do Colégio Brasileiro de Endocirurgia e Videocirurgia Veterinária (CBEVV) e titulado pelo Royal College of Veterinary Surgeons (RCVS), no Reino Unido.
Com isso, diversos procedimentos diagnósticos e exploratórios podem ser realizados através da técnica. Dentre eles:
- Ovariectomia e ovariohisterectomia;
- Gastropexia preventiva;
- Colecistectomia;
- Biópsias hepáticas, intestinais e pancreáticas;
- Adrenalectomia;
- Criptorquidectomia;
- Remoção de ovário remanescente;
- Pericardiectomia.
“As principais vantagens da videocirurgia são o menor trauma cirúrgico, a necessidade de incisões menores, a redução significativa de dor pós-operatória e o menor sangramento transoperatório. A técnica também garante uma recuperação mais rápida, retorno precoce às atividades, menor risco de infecção da ferida cirúrgica e, ainda, possibilita uma excelente visualização das estruturas anatômicas devido à magnificação da imagem”, relata o profissional.
No entanto, a técnica possui como desvantagens o custo dos equipamentos, que segue sendo alto, e a necessidade de capacitação profissional específica.
Além disso, Rodrigo comenta que nem todos os hospitais possuem estrutura adequada para a sua realização e alguns casos muito complexos ou emergenciais podem exigir conversão para cirurgia aberta.
“É importante destacar que a conversão para cirurgia aberta não representa uma complicação, mas sim uma decisão cirúrgica visando a segurança do paciente”, afirma.

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