A Suprema Corte da Índia emitiu uma decisão histórica para conter a escalada de violência e proteger a sobrevivência dos elefantes selvagens no país.
A sentença proíbe categoricamente qualquer medida coercitiva para alterar a rota natural dos animais e decreta o fim das chamadas hulla parties — milícias e grupos mobilizados que usavam bolas de fogo, estacas em chamas e intimidação para expulsar as manadas de áreas habitadas.
A ação foi movida pela conservacionista Prerna Singh Bindra, que denunciou como essas perseguições transformavam a tentativa de afastar os animais em atos de crueldade em massa.
Segundo Bindra, acuados por centenas de pessoas com objetos em chamas, os elefantes ficavam ainda mais agressivos, o que só agravava os conflitos e colocava em risco tanto os animais quanto as comunidades locais.
Resgate dos corredores ecológicos e perda de habitat
Além de proibir a violência, o tribunal determinou que os governos estaduais façam um mapeamento imediato e removam todas as barreiras físicas que bloqueiam os corredores ecológicos. Essas rotas de trânsito livre são fundamentais para que as manadas circulem entre áreas de alimentação, água, reprodução e abrigo.
A Índia abriga a maior população do mundo de elefantes-asiáticos (Elephas maximus), espécie ameaçada de extinção e declarada patrimônio nacional. No entanto, dados de um levantamento do governo indiano apontam que os 22.446 elefantes selvagens do país sobrevivem atualmente em apenas 3,5% de seu território histórico.
O avanço descontrolado de ferrovias, rodovias e atividades de mineração fragmentou o habitat, empurrando as manadas para encontros diários com populações humanas.

Novas regras para animais mantidos em cativeiro
Em uma deliberação paralela, a Suprema Corte também impôs barreiras à exploração dos mais de 2.600 elefantes mantidos em cativeiro no país. O tribunal ordenou a criação de prontuários médicos individuais e a realização de exames periódicos de saúde nesses animais, que historicamente sofrem abusos ao serem explorados no turismo, em apresentações e em rituais religiosos.
Organizações de proteção animal, como a PETA Índia, comemoraram o avanço, mas ressaltaram que o objetivo final deve ser o fim do confinamento.
Representantes da entidade destacaram que elefantes nascidos ou levados ao cativeiro são submetidos a métodos violentos de adestramento e privados de seus comportamentos sociais mais básicos.
Fonte: ANDA, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.