A compra de medicamentos para cães e gatos deixou de ser um evento pontual e passou a fazer parte da rotina de muitas famílias brasileiras.
A primeira edição da pesquisa “Jornada do Shopper de Produtos Veterinários para Pets”, encomendada pela Comissão de Animais de Companhia (Comac) do Sindan e realizada pelo instituto Qualibest, mostra que, dos responsáveis que compraram um medicamento ou suplemento para seu pet nos últimos 12 meses, 73% compraram no mês anterior à pesquisa. Mais de um quarto, 26%, havia feito uma compra nos sete dias anteriores.
O levantamento ouviu 2.613 pessoas das classes A, B e C nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul entre junho e julho de 2026. Os números indicam um consumidor frequente, que incorporou os cuidados com a saúde do animal às despesas regulares da casa.
A decisão também mudou de lugar. Em 55% dos casos, quem compra decide sozinho, sem consultar outra pessoa. O padrão é mais forte entre as mulheres, com 59%, e entre quem cuida de cães e gatos ao mesmo tempo, com 65%. Os homens tendem a dividir mais a escolha.
Na prática, a compra do medicamento passou a seguir a lógica do restante do consumo doméstico e é resolvida por uma pessoa, muitas vezes pelo celular, entre uma tarefa e outra.
Quando o estudo pergunta por que o responsável evita determinado canal, o preço aparece como a principal barreira. A etapa qualitativa da pesquisa, com quatro grupos de discussão realizados em maio, ajuda a entender a origem dessa percepção.
Os participantes dizem que falta parâmetro para avaliar o valor de um medicamento veterinário, diferentemente do que acontece com o remédio humano. Identificam classes mais caras, como antibióticos e analgésicos, e relatam que tratamentos contínuos pesam no orçamento a ponto de a compra ser espaçada além do recomendado.
Esse último ponto merece atenção de todo o setor. Espaçar a compra de um medicamento de uso contínuo significa interromper o tratamento. Em doenças crônicas, que crescem com a longevidade dos animais, a adesão é o que sustenta o resultado clínico.
O responsável que compra com frequência, decide sozinho e sente o preço, é hoje, o perfil predominante, e a cadeia precisa aprender a orientá-lo.
A pesquisa explica por que o responsável compara preços, procura o mesmo produto em outro canal e, em alguns casos, recorre a fontes sem procedência clara. É nesse ponto que a economia de alguns reais se converte em risco.
Nas lojas online que vendem produtos variados, o receio de o medicamento não ser original é a barreira que mais se destaca em relação aos demais canais.
O médico-veterinário segue como a principal referência técnica, e nada no estudo aponta o contrário. O que muda é o momento em que ele precisa atuar.
A orientação sobre onde comprar, como conferir registro, lote e validade e por que um tratamento longo não pode ser interrompido passa a fazer parte da consulta, com o mesmo peso da prescrição.
Explicar o custo, oferecer alternativas quando existem e alinhar expectativas sobre tratamentos prolongados reduz a distância entre o consultório e a decisão tomada em casa.
Formulações que simplificam a rotina de administração, embalagens com informação clara de autenticidade e canais oficiais de venda bem sinalizados ajudam o responsável a decidir com segurança e a manter o tratamento até o fim.
A jornada de compra do medicamento pet ficou mais frequente, mais individual e mais sensível ao preço. A confiança que sustenta essa relação se constrói em cada ponto de contato, do consultório à prateleira, e é ela que vai definir se o responsável mais ativo será também um responsável mais bem orientado.

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.