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Laserterapia na Medicina Veterinária: entre a promessa e a evidência

Por Jessika Caroline Ferreira da Silva, médica-veterinária, pós-graduada em Medicina Felina e Paulo Abilio Varella Lisboa, médico-veterinário, doutor em Ciências Veterinárias, pesquisador da Fiocruz e titular da Academia Brasileira de Medicina Veterinária

Laserterapia na Medicina Veterinária: entre a promessa e a evidência
Por Equipe Cães&Gatos
22 de outubro de 2026

A fotobiomodulação (FBM), popularmente denominada laserterapia, consolidou-se como modalidade terapêutica não invasiva na Medicina Veterinária, especialmente nas áreas de reabilitação, analgesia, cicatrização e suporte ao paciente cirúrgico. 

Apesar da crescente utilização clínica, sua aplicação ainda é marcada por protocolos heterogêneos, extrapolações da Medicina humana e expectativas frequentemente superiores às evidências disponíveis. 

Este artigo revisa os fundamentos, principais indicações, contraindicações, vantagens, limitações e fatores relacionados à resposta terapêutica em cães e gatos, enfatizando a necessidade de individualização da dose e integração da FBM ao tratamento convencional.

Entendendo a técnica 

A utilização terapêutica da luz deixou de ser uma prática restrita à reabilitação e passou a ocupar espaço na rotina de clínicas e hospitais veterinários . 

Entretanto, popularidade não é sinônimo de eficácia. A fotobiomodulação deve ser compreendida como uma modalidade adjuvante, e não como tratamento universal substituindo analgesia, cirurgia, antibioticoterapia, controle metabólico ou tratamento etiológico.

A FBM utiliza luz, principalmente nas faixas vermelha e infravermelha próxima, para produzir respostas biológicas dependentes de comprimento de onda, irradiância, fluência, tempo de exposição e características do tecido. 

Entre os mecanismos propostos estão alterações da atividade mitocondrial, produção de ATP, sinalização por espécies reativas de oxigênio, óxido nítrico, cálcio e modulação de mediadores inflamatórios. 

Contudo, alguns mecanismos clássicos, especialmente a participação da citocromo c oxidase como principal fotoaceptor, permanecem objeto de debate experimental.

Essa ressalva é importante: laserterapia não é sinônimo de “mais energia, melhor resultado”. A resposta biológica apresenta comportamento dose-dependente e, em determinadas condições, o excesso de energia pode reduzir ou modificar o efeito desejado.

Animação laserterapia
Diferença de penetração do feixe Luz vermelha e infravermelha (Foto: Criada por Inteligência Artificial NotebookLM agosto / 2026)

Onde a laserterapia realmente pode ajudar?

As aplicações veterinárias mais estudadas envolvem doenças musculoesqueléticas, quadros de dor, lesões de tecidos moles, feridas, algumas condições neurológicas e recuperação pós-operatória.

Na osteoartrite, por exemplo, a FBM pode ser utilizada como componente multimodal para redução da dor e melhora funcional. 

Um ensaio clínico randomizado e duplo-cego realizado em cães com osteoartrite coxofemoral demonstrou redução de escores de dor e melhora de parâmetros funcionais após tratamento, com efeitos observados durante o acompanhamento. 

Entretanto, evidências mais recentes ainda classificam a força global dessa recomendação como limitada, reforçando que o laser não deve ser apresentado como superior aos anti-inflamatórios ou demais estratégias terapêuticas.

Em feridas e cicatrização, a situação é ainda mais interessante — e complexa. Há estudos experimentais demonstrando potencial benefício, mas também ensaios controlados nos quais não foram observadas diferenças relevantes na velocidade ou qualidade da cicatrização. 

Portanto, a indicação deve considerar tipo de ferida, vascularização, infecção, condição sistêmica, nutrição e tratamento primário.

Na prática cirúrgica, a FBM pode ser empregada como complemento para controle da dor, edema e recuperação funcional. Entretanto, seu benefício não elimina a necessidade de técnica cirúrgica adequada, controle de infecção, analgesia multimodal e acompanhamento pós-operatório. 

Revisões atuais destacam seu potencial particularmente como terapia complementar, e não substitutiva.

Confira o artigo completo “Laserterapia na Medicina Veterinária: entre a promessa e a evidência”, na íntegra e sem custo, acessando a página 38 da edição de outubro (nº 326) da Revista Cães e Gatos.

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