Opções
Artigos revista

Cuidados paliativos na Medicina Veterinária podem ajudar a prolongar a vida dos pets

O conceito de cuidados paliativos surgiu na Medicina Humana e está em crescimento na Medicina Veterinária

Cuidados paliativos na Medicina Veterinária podem ajudar a prolongar a vida dos pets
Por Equipe Cães&Gatos
28 de agosto de 2025

As novas configurações de família compostas por uma ou duas pessoas transformou as relações entre os animais e seus tutores, pois os animais de companhia formaram laços similares aos de pai e filho ou entre parceiros de vida, constituindo a denominada “família multiespécie”.

Quando esses indivíduos adoecem ou já estão em fase senil, há a possibilidade de morte iminente e, uma vez que ocorre a morte, pode suceder um desencadeamento do processo de luto tão intenso quanto à morte de um familiar próximo, tornando a qualidade no fim da vida desses animais notória e expressiva por parte de seus tutores (Joswig, 2014).

O conceito de cuidados paliativos surgiu na Medicina Humana, no Reino Unido, com a intenção de aliviar o sofrimento nos casos sem possibilidade de cura. Contudo, o público americano percebeu que uma morte prolongada nos hospitais não era o que a maioria das pessoas desejava, mas as opções sobre o fim da vida eram pouco discutidas (Moises, 2019).

Na Medicina Veterinária, graças ao avanço dos diagnósticos e intervenções terapêuticas, a expectativa de vida dos animais de companhia aumentou e junto a isso, a vontade de investir mais dinheiro nos serviços médicos veterinários desencadearam grandes transformações na profissão, entre elas, o aprofundamento no estudo sobre alternativas para eutanásia.

Os cuidados paliativos podem ser utilizados no tratamento de doenças musculoesqueléticas (Foto: Reprodução)

Por exemplo, mesmo no caso de um diagnóstico de câncer incurável, há várias opções para serem discutidas pelo médico-veterinário com o tutor para a escolha do que é melhor para o paciente, de forma a aumentar sua qualidade de vida e prolongar o tempo de convivência do paciente com o tutor (Joswig, 2014).

No entanto, embora a literatura sobre o conceito de cuidados paliativos na Medicina Veterinária esteja em ascensão, a multiplicidade do tema com relação aos aspectos da especialidade (amparo físico, mental e espiritual) requer constante aprofundamento. Desta forma, o presente trabalho tem por objetivo discutir os principais aspectos relatados na literatura para os cuidados paliativos na área médico veterinária.

Cuidados paliativos e a Medicina Veterinária

Define-se cuidados paliativos como uma forma de amparo e compaixão aos pacientes e familiares, cuja enfermidade chegou ao limite dos tratamentos convencionais visando a cura. Dessa forma, o objetivo passa a ser o controle e alívio dos sinais físicos e o termo “cuidados paliativos” é usado para designar a ação de uma equipe multiprofissional à pacientes sem possibilidades terapêuticas de cura (Silva; Sudigurky, 2008).

A Medicina Veterinária tem experimentado notáveis progressos no campo tecnológico, os quais têm conferido aos animais de estimação um acréscimo considerável em termos de longevidade.

Atualmente, os felinos e caninos conseguem, muitas vezes, atingir a notável marca de vinte anos. Contudo, intrínseco ao prolongamento da vida desses animais estão as enfermidades provenientes do avanço da idade, como problemas cardíacos, oncológicos, insuficiência renal e disfunções cognitivas (Accorsi, 2009).

Uma vez que a configuração familiar também tem passado por transformações, nas quais os tutores formam laços afetivos com seus animais de companhia, proferindo maior zelo e prezando pela saúde deles, a qualidade no final da vida desses indivíduos tem sido motivo de preocupações (Joswig, 2014).

As doenças que mais prevalecem nos cuidados paliativos, de acordo com Shearer (2017), são câncer, doença renal crônica, disfunção cognitiva, insuficiência cardíaca congestiva, desordens musculoesqueléticas, neurológicas ou gastrointestinais, todas associadas com o avanço progressivo da idade.

De fato, um estudo realizado por O’Neill et al. (2014) registrou as razões para o óbito de 4.009 felinos atendidos em clínicas veterinárias na Inglaterra de 2009 a 2012, incluindo óbitos naturais e casos de eutanásia.

Para gatos acima de cinco anos, a principal causa de falecimento foi identificada como problemas renais (13,6%), seguida por enfermidades indeterminadas (12,6%), câncer (12,3%), complicações relacionadas a tumores (11,6%) e condições neurológicas (7,8%).

Nesse contexto, os profissionais paliativistas reconhecem a morte como um evento natural da vida (Accorsi, 2009) e por meio dos cuidados adequados, os animais poderão ser assistidos e desfrutar de maior conforto para viver da forma mais plena possível o tempo que lhes resta, mas não somente, os tutores podem dispor de tempo para passar pelo luto antecipatório e se preparar mental e espiritualmente para o momento da partida do animal de estimação (Alves et. al., 2019).

O tutor que acompanha a jornada do fim da vida de um animal de estimação costuma querer ter a consciência de que fez “todo possível”, além de desejar que o animal tenha toda assistência técnica necessária (IAAHP, 2023).

Confira o artigo completo “Implementação de cuidados paliativos na Medicina Veterinária”, na íntegra e sem custo, acessando a página 50 da edição de agosto (nº 312) da Revista Cães e Gatos.

REFERÊNCIAS:

ACCORSI, P. Cuidados Paliativos Veterinários: Aprimorando a qualidade de vida dos nossos animais. Instituto Paliar, 2009. Disponível em: https://www.paliar.com.br/blog/cuidados-paliativos-veterinarios-aprimorando-a-qualidade-de-vida-dos-nossos-animais. Acesso em 05 de mai. 2024.

ALVES, R. S. F. et al. Cuidados Paliativos: alternativa para o cuidado essencial no fim da vida. Revista de Psicologia: Ciência e Profissão, v. 39, p.1-15, 2019.

IAAHPC – Associação Internacional de Cuidados Paliativos e Hospice para Animais. Disponível em: https://iaahpc.org/ Acesso em: 07 mai. 2024.

JOSWIG, S. I. Die Zukunft liegt im Alter: Entwicklung und Bedeutung der Geriatrie in der Tiermedizin [O futuro está na velhice: o desenvolvimento e a importância da geriatria na medicina veterinária]. 2014. Trabalho de Conclusão de Curso – Universidade de Medicina Veterinária de Hannover, Alemanha, 2014.

O’NEILL, G. D. et al. Longevity and mortality in cats attending primary care veterinary practices in England. Journal Feline Medicine and Surgery, v. 17, p. 125 – 133, 2014.

MOISES, L. Overcoming Obstacles to Palliative Care. Lessons to Learn from Our Physician Counterparts. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 49. n. 3. p. 387-397, 2019.

SILVA, E. P.; SUDIGURSKY, D. Concepções sobre cuidados paliativos: revisão bibliográfica. Acta Paulista de Enfermagem, v. 12, n. 3, p. 504-508, 2008.

VILLALOBOS, E. A. Quality-of-life assessment techniques for veterinarians. The Veterinary Clinics of North America. Small animal practice, v. 41, n. 3, p. 519–529, 2011.