A pancreatite é uma enfermidade multifatorial, caracterizada pela inflamação do pâncreas e dos órgãos adjacentes com potencial de desencadear uma resposta inflamatória sistêmica no organismo.
Com apresentação distinta entre cães e gatos, em casos graves pode causar alterações importantes, como arritmias, depressão mental, insuficiência renal aguda e hepatite grave.
Segundo Larissa Nonato de Camargo Dembowski, médica-veterinária especializada em Gastroenterologia com aprimoramento em Medicina Intensiva e membro da Diretoria da Associação Brasileira de Gastroenterologia Animal (ABRAGA), Felipe Saab Romano, médico-veterinário com residência em Clínica Médica e presidente da ABRAGA, e Brunna Gomes Ré, médica-veterinária pela Universidade de São Paulo (USP) e ex-residente do Hospital Pompeia, nos cães é comum existirem quadros agudos de pancreatite, que se manifestam de forma mais exuberante.
“Nesses animais, os sinais e sintomas são evidentes, apresentando principalmente vômito, anorexia, dor abdominal e prostração. Alguns cães podem ter diarreia, taquipneia, alterações neurológicas (depressão mental e convulsão), hematológicas (anemia, neutrofilia, geralmente, sem desvio à esquerda e alterações da coagulação) e hepáticas (aumento de enzimas hepáticas e icterícia)”, relatam.
Já nos gatos, a doença geralmente tem evolução crônica, com caráter mais brando ou manifestações clínicas silenciosas, o que resulta em subdiagnóstico.
Os médicos-veterinários explicam que as causas da enfermidade podem ser parecidas em ambas as espécies, mas normalmente nos cães há histórico de mudança de dieta recente ou indiscrição alimentar. Também são considerados trauma, aumento de triglicérides, endocrinopatias, obesidade e uso de medicações, como ciclosporina, brometo de potássio e azatioprina.
“Nos felinos a condição costuma ser idiopática e pode estar associada a fatores autoimunes. Algumas doenças concomitantes, como enteropatias crônicas, colangite e diabetes mellitus, aparecem associadas à pancreatite, mas nem sempre é possível estabelecer relação de causa e efeito”, citam.
Ainda nesses animais, a apresentação da pancreatite pode ser discreta com alteração de apetite, perda de peso, diminuição do nível de atividade e episódios inespecíficos de náusea e alteração gastrointestinal.

Fatores predisponentes
A doença pode se desenvolver em animais de qualquer idade. Porém, é mais frequente em adultos e idosos, sendo diagnosticada raramente em filhotes.
“Nos cães, existe predisposição racial, por isso a literatura tradicional sempre alertou que os cachorros do grupo Terrier podem ter uma genética suscetível a pancreatite, como Yorkshire, Schnauzer e West. Ainda há casos descritos em Poodle, Cocker Spaniel e outras raças, mas essa não é uma regra. Em gatos, não há predisposição racial estabelecida”, destacam.
Fatores genéticos também podem estar envolvidos na incidência da pancreatite, especialmente as alterações metabólicas, como hipertrigliceridemia.
Além disso, nos cães existe associação entre obesidade e pancreatite, enquanto nos gatos essa correlação não está estabelecida.
“A obesidade continua sendo um problema importante de saúde, mas não podemos afirmar que um gato obeso necessariamente possui maior risco”, alertam.

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