A cultura de ter animais de estimação está passando por uma transformação marcante na Coreia do Norte, expondo uma profunda divisão socioeconômica. O hábito de criar cachorros dentro de casa, antes visto pelo regime como um “costume burguês”, agora se tornou um símbolo de status altamente cobiçado entre a classe alta de Pyongyang.
Enquanto a elite gasta recursos significativos com rações comerciais e acessórios para seus pets, a maior parte da população do país ainda luta contra a escassez de alimentos. Esse contraste visível tem gerado ressentimento entre os cidadãos comuns.
Ostentação e raças preferidas pela elite
Cães de raças puras e de pequeno porte — como Poodles, Malteses e Chihuahuas — viraram os favoritos dos norte-coreanos mais ricos. Ter um animal bem cuidado passou a ser uma forma explícita de demonstrar poder aquisitivo.
Nas áreas nobres da capital, já é possível ver responsáveis passeando com seus pets usando coleiras modernas e roupas importadas. Esse mercado informal cresce por meio de redes de comércio que atendem exclusivamente quem tem acesso a moedas estrangeiras, como o dólar e o iuane.

O forte contraste com a realidade local
Essa nova realidade bate de frente com o cotidiano da classe trabalhadora norte-coreana, que enxerga o desperdício de recursos com animais como uma afronta à situação do país. Para muitos cidadãos das províncias, alimentar um cão com comida processada é impensável diante do racionamento diário.
O governo norte-coreano já tentou reprimir a prática ou redirecionar o foco para cães de guarda e utilitários. No entanto, o mercado privado e o desejo da elite em ostentar tendências externas têm mantido o crescimento da cultura pet nos grandes centros urbanos.
Fonte: Daily NK, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

