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O grande desafio das enteropatias em cães e gatos: a importância do diagnóstico preciso

Condições estão entre as principais causas de atendimento veterinário e exigem abordagem individualizada para diagnóstico e manejo adequado

O grande desafio das enteropatias em cães e gatos: a importância do diagnóstico preciso
Por Equipe Cães&Gatos
20 de março de 2026
Última atualização: 20/03/2026 - 16:47

As enteropatias compreendem uma das causas mais comuns de atendimento médico veterinário, chegando, até mesmo, a serem descritas entre as 10 principais razões que trazem os pets até a rotina clínica.

Embora, do ponto de vista do responsável, as alterações clínicas possam parecer semelhantes, a diferenciação entre enteropatias agudas e crônicas é fundamental para a definição da abordagem terapêutica adequada.

Caracterizadas, principalmente, quanto ao tempo de evolução do quadro clínico, as enteropatias agudas são aquelas com duração inferior a 20 dias, enquanto as crônicas se estendem por período superior a este.

Nos quadros agudos, as causas mais frequentes costumam estar associados à episódios de imprudência alimentar, como consumo de alimentos não habituais ao pet, ingestão acidental de objetos e à presença de parasitas e infecções que afetam o trato gastrointestinal, sendo necessária a avaliação do médico-veterinário para exclusão de possíveis diagnósticos diferenciais. 

Como tratamento, indica-se suporte para dor e desconforto, além de alteração da dieta de forma pontual se necessário. Essas situações podem ser autolimitantes e bem contornadas após resolução da causa. Apesar do caráter geralmente transitório, as enteropatias agudas também podem representar risco significativo à vida do paciente, especialmente nos casos hemorrágicos ou infecciosos. 

Nessas situações, a rápida intervenção é essencial. Cabe destacar, ainda, os riscos associados à alimentação crua, que pode favorecer a transmissão de patógenos tanto para os animais quanto para os responsáveis.

Já nas enteropatias crônicas, o espectro de causas é mais amplo e o manejo tende a ser complexo e individualizado. O prognóstico nesses casos é variável, uma vez que, por se tratar de quadros prolongados, existe maior chance de depleção do quadro geral do paciente, incluindo apatia, queda do escore de condição corporal, e anorexia. 

Esse cenário contribui para o comprometimento da integridade da mucosa gastrointestinal, estabelecendo um ciclo de inflamação e má absorção que pode se agravar na ausência de intervenção adequada. 

As diretrizes atuais sobre o assunto nos trazem um extenso passo-a-passo para diagnóstico assertivo da razão da afecção, incluindo avaliação do histórico, exames laboratoriais e ultrassonografia abdominal e, em alguns casos, exames mais invasivos com realização de biópsia.

A classificação atual das enteropatias divide-se em: enteropatia inflamatória crônica responsiva a dieta, responsiva a imunossupressores e não responsiva, podendo haver ou não perda proteica associada. Destas, a enteropatia responsiva a dieta é a mais frequentemente observada em cães.  

No caso da enteropatia crônica felina, existem demais possibilidade como o linfoma de pequenas células, mas o tratamento alimentar também é preconizado.

Nos casos em que o tratamento alimentar é suficiente para estabilização do paciente existem diferentes abordagens possíveis, estando entre as mais comuns o uso de alimento caseiro, comercial monoproteico (de preferência proteína inédita para o paciente) e uso de proteína hidrolisada. 

É válido destacar que a simples troca de categoria do alimento, como trocar ração pela dieta caseira, sem que haja atenção à composição adequada, não costuma gerar sucesso terapêutico. 

De acordo com as diretrizes atuais, é recomendado a tentativa de ao menos três dietas diferentes antes de se pensar em outras abordagens como imunossupressão ou procedimentos mais invasivos, tal qual endoscopia e colonoscopia.

Apesar da existência de protocolos terapêuticos bem definidos, cada paciente representa um quadro clínico específico e a depender da gravidade, muitas vezes a prioridade deverá ser estabilização rápida, de forma que a ordem terapêutica preconizada não possa ser seguida todas as vezes. 

Nesse contexto, utilização de índices de atividade clínica torna-se uma ferramenta importante. Tanto o  CCECAI (Canine Chronic Enteropathy Clinical Activity Index) quanto o FCECAI (Feline Chronic Enteropathy Activity Index) foram desenvolvidos para graduar a gravidade da doença nos cães e gatos, considerando parâmetros laboratoriais, como a concentração sérica de albumina, além de aspectos clínicos como atitude, apetite, perda de peso, vômitos, características das fezes e presença de prurido, auxiliando na tomada de decisão terapêutica e no monitoramento da resposta ao tratamento. 

Diante da diversidade de causas e apresentações clínicas, o manejo das enteropatias em cães e gatos exige uma abordagem sistemática e individualizada, baseada na duração das manifestações clínicas, na gravidade do quadro e na resposta às terapias instituídas. 

A diferenciação adequada entre quadros agudos e crônicos, aliada ao uso criterioso de ferramentas como testes dietéticos, exames complementares e índices de atividade clínica, permite maior precisão diagnóstica e evita o uso desnecessário ou precoce de terapias imunossupressoras e antimicrobianas. 

Além disso, a intervenção nutricional precoce e o monitoramento contínuo do estado clínico e nutricional do paciente são fundamentais para prevenir complicações, como perda de peso, hipoalbuminemia e piora do prognóstico. 

Dessa forma, o reconhecimento precoce e a condução terapêutica estruturada representam fatores determinantes para a melhora da qualidade de vida e para o sucesso no manejo a longo prazo das enteropatias nos cães e gatos.

Escrita por Thais Ximenes, Monique Paludetti e Erika Pereira

Confira o artigo completo “O grande desafio das enteropatias em cães e gatos: a importância do diagnóstico preciso”, na íntegra e sem custo, acessando a página 42 da edição de março (nº 319) da Revista Cães e Gatos.