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Dia do Doador de Sangue: doação também é um ato de amor entre os gatos

Felinos precisam de transfusão em casos de anemia provocados por infecções bacterianas, virais e doença renal

O amor que a suporte de Tecnologia da Informação, Bruna Ribeiro, tem por seus animais ultrapassa qualquer barreira. Quando Lisa, sua gata, ficou doente, ela precisou de transfusão de sangue para sobreviver. Sem pensar duas vezes, com o devido acompanhamento médico-veterinário, Bruna contou com a ajuda de Marty, seu outro gato e doador, para salvar a vida da felina. Neste 25 de novembro, Dia Nacional do Doador de Sangue, essa história com final feliz é importante para lembrar a todos que a doação de sangue salva vidas, inclusive as de animais. 

A suporte de TI decidiu procurar novas orientações quando passou a receber, dos próprios veterinários, apenas sugestões de eutanásia para a Lisa, que estava com anemia e quadro renal bem crítico. Foi quando ela encontrou a Clínica Gato é Gente Boa, localizada em Itu (SP) e especialista no atendimento de felinos, e descobriu que o destino do animal poderia ser outro. Lá, foi iniciado um novo tratamento, com colocação de sonda alimentar e comentado sobre a necessidade de transfusão de sangue para combater a anemia. “Como tenho outros gatos, a doutora me sugeriu levar os maiores para testar a compatibilidade. O Marty era meu maior gato, então foi o que testamos primeiro e ele já foi compatível, fazendo a transfusão na mesma noite. Após o procedimento, Marty só teve uma complementação alimentar com vitaminas e, no dia seguinte, já estava super ativo”, conta.

A médica-veterinária especialista em felinos, Vanessa Zimbres, foi quem atendeu a Bruna e a Lisa e explica que as situações mais comuns para transfusão de sangue entre os gatos são em casos de anemia provocados por infecções bacterianas, virais e doença renal. “O doador deve ter entre dois e oito anos e pesar, pelo menos, 4,5kg, além de estar saudável, com a vacinação em dia, viver preferencialmente dentro de casa e realizar todos os exames necessários para o procedimento”, explica.

Segundo a especialista, devido ao pouco tempo em que o sangue pode ser armazenando, bancos de sangue costumam não existir. “Normalmente, as transfusões são realizadas mediante uma coleta imediata. Além disso, como o volume de sangue coletado é muito pequeno, também não são feitas as separações de hemocomponentes como na Medicina Humana e, até mesmo, com sangue de cães. Portanto, quando se coleta sangue para transfusão em gatos, ele é utilizado somente em um paciente”. O gato doador pode doar até 11 ml por quilo de peso.

Os exames clínicos necessários para a doação são o hemograma, que irá avaliar o estado de saúde do animal e o hematócrito, que analisa a concentração de hemáceas no sangue do doador, para identificar quanto será possível aumentar o hematócrito do receptor. Os exames de PCR negativos para FIV (Vírus da imunodeficiência felina), FeLV (vírus causados da Leucemia felina) e Mycoplasma (bactérias transmitidas por pulgas) também são necessários para evitar a transmissão de doenças.

Volume de sangue coletado de gatos é muito pequeno e não são feitas as separações de hemocomponentes, como na Medicina Humana
(Foto: reprodução)

Tipos sanguíneos

Gatos possuem três tipos sanguíneos: A, B e AB e mais dois grupos chamados MIK positivo e negativo. Vanessa explica que, para uma transfusão sanguínea entre gatos, não basta haver somente o tipo sanguíneo compatível, deve-se fazer, também, um teste de compatibilidade realizado entre doador e receptor. “As reações transfusionais em gatos são extremamente graves e potencialmente fatais, por isso, esses testes são tão importantes para preservar a vida de ambos os animais envolvidos no processo de doação de sangue”.

A doação de sangue também requer atenção. Por mais bonzinho que o gato seja, vai exigir sedação, momento em que se recomenda um período curto de jejum. Portanto, o cuidado deve ser redobrado para o gato doador, principalmente devido a uma queda de pressão que pode descompensar qualquer doença não detectada.

A Lisa, gata de Bruna, infelizmente faleceu seis meses depois da transfusão recebida de Marty, por falência renal. Mas ficou no coração da tutora a certeza de que ela fez de tudo para salvá-la, conseguindo prolongar sua vida por mais alguns meses. “Eu indico o procedimento e acredito que existam casos de extrema importância dos quais a doação de sangue vai estabilizar o gato mais rapidamente, para que seja iniciado o tratamento adequado. Sinto muito de não ter sido feito antes, pois talvez o desfecho fosse diferente. Sempre que necessário, promova a doação de sangue e ajude quem você ama a viver mais, em meio a muito carinho e amor”, afirma.

A doação de sangue de um gato para uma outra espécie, como cachorros, por exemplo, não é recomendada. “Isso não é indicado, mas existem relatos de xenotransfusão de sangue de cão para gatos. Mas só ocorre se não existir nenhuma outra opção e como sendo uma última tentativa de salvar a vida do animal”, explica a médica-veterinária. Ela ainda acrescenta: “Procurar um médico-veterinário especializado é a principal recomendação para um diagnóstico preciso e tratamento adequado para cada caso”.

Fonte: AI, adaptado pela equipe Cães&Gatos VET FOOD.

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