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Doença periodontal em cães: como identificar, tratar e orientar o responsável em casa

Condição é uma das alterações odontológicas mais frequentes na rotina clínica e pode impactar a saúde geral quando não diagnosticada precocemente

Doença periodontal em cães: como identificar, tratar e orientar o responsável em casa
Por Equipe Cães&Gatos
2 de março de 2026

A doença periodontal está entre os problemas odontológicos mais comuns em cães e, muitas vezes, evolui de forma silenciosa. 

A progressão lenta, associada à capacidade de adaptação do paciente e à sutileza dos sinais iniciais, contribui para o diagnóstico tardio.

A condição afeta as estruturas que sustentam os dentes — gengiva, cemento, ligamento periodontal e osso alveolar — e pode resultar em dor, infecção e perda dentária. 

Além do impacto local, há possíveis repercussões sistêmicas, o que reforça a importância da identificação precoce e do manejo adequado.

O que é doença periodontal?

Trata-se de um processo inflamatório que leva à destruição progressiva das estruturas ao redor dos dentes. 

A alteração começa como gengivite (inflamação da gengiva) e, quando não tratada, evolui para comprometimento do ligamento periodontal e do osso alveolar.

A classificação clínica é dividida em quatro estágios:

Estágio 1 – Gengivite: inflamação restrita à gengiva, sem perda de inserção ou óssea. Pode haver vermelhidão, edema da margem gengival, halitose leve e desconforto discreto ao mastigar. É reversível com cuidados adequados.

Estágio 2 – Periodontite inicial: inflamação abaixo da linha gengival, com até 25% de perda óssea visível radiograficamente. Observa-se acúmulo de cálculo, sangramento ao mastigar, halitose e leve mobilidade em dentes uniradiculares.

Estágio 3 – Periodontite moderada: perda óssea entre 25% e 50%, formação de bolsas periodontais e exposição de furca. Pode haver dor, retração gengival, secreção purulenta e mobilidade aumentada.

Estágio 4 – Periodontite avançada: perda óssea superior a 50%, mobilidade acentuada, perda dentária, dor intensa, dificuldade para se alimentar e bolsas profundas.

Avaliação clínica e exames complementares

A avaliação periodontal completa exige exame sob anestesia geral. Durante o procedimento, utiliza-se a sonda periodontal para medir a profundidade do sulco gengival — que varia de 1 a 3 mm em cães médios e grandes e de 1 a 2 mm em raças pequenas.

 Valores superiores indicam perda de inserção ou formação de bolsa.

A radiografia odontológica é indispensável para avaliar perda óssea, alterações periapicais e auxiliar no planejamento terapêutico, além de monitorar a evolução do quadro.

O manejo deve priorizar abordagem cuidadosa, considerando o bem-estar físico e emocional do paciente. 

Bloqueios anestésicos regionais — como alveolar inferior, infraorbitário e maxilar — são amplamente empregados para analgesia intra e pós-operatória. 

Fármacos como lidocaína, bupivacaína e mepivacaína são utilizados conforme avaliação clínica. Estudos demonstram redução de até 23% na concentração alveolar mínima de isoflurano quando há analgesia adequada.

Fatores de risco e possíveis consequências

Alguns fatores aumentam a predisposição:

  • Raça (pug, dachshund, poodle toy e Yorkshire terrier apresentam maior risco devido à conformação oral);
  • Idade avançada;
  • Predisposição genética;
  • Higiene oral inadequada;
  • Doenças sistêmicas, como distúrbios autoimunes.

As consequências locais incluem infecção, dor, perda funcional, abscessos, osteomielite e, em casos graves, fraturas mandibulares patológicas.

Em relação aos efeitos sistêmicos, evidências consolidadas na medicina humana associam a doença periodontal à inflamação sistêmica. 

Na Medicina Veterinária, ainda são necessários estudos de maior abrangência. Sabe-se, entretanto, que mediadores inflamatórios podem alcançar a circulação sanguínea, e a bacteremia decorrente pode afetar órgãos como rins, fígado e coração, aumentando o risco de endocardite.

Cuidados domiciliares e prevenção

Embora o tratamento de estágios avançados exija intervenção profissional, o cuidado em casa é determinante na prevenção e no controle inicial.

Escovação dental: é considerada padrão-ouro. O ideal é diária, sendo três vezes por semana o mínimo recomendado. Deve-se utilizar escova macia e creme dental específico para cães, já que produtos humanos contêm substâncias tóxicas. A placa bacteriana pode se formar poucas horas após a limpeza profissional.

Brinquedos e mastigáveis dentais: podem auxiliar na redução de placa e cálculo. Recomenda-se escolher produtos adequados ao porte e ao perfil mastigatório do animal. Itens muito rígidos podem causar fraturas dentárias.

Dietas e aditivos: algumas rações possuem grânulos maiores que promovem abrasão mecânica durante a mastigação. Há também aditivos em pó e líquidos para água com potencial auxiliar na redução de placa, embora não substituam a escovação.

Check-ups regulares: a avaliação oral pode ser realizada durante consultas de rotina, a depender do perfil do paciente. Clínicas especializadas conduzidas por enfermeiros-veterinários também ampliam o tempo dedicado à orientação preventiva.

Fonte: Vet Times, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre doença periodontal em cães

A gengivite sempre evolui para periodontite?

Não necessariamente. Quando identificada precocemente e tratada com higiene adequada, pode ser revertida.

A escovação realmente faz diferença?

Sim. É a medida mais eficaz para prevenir acúmulo de placa e progressão da doença.

Todo cão precisa de limpeza sob anestesia?

A avaliação completa do periodonto e a remoção de cálculo exigem anestesia geral para segurança e eficácia do procedimento.