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Dormir com gato faz mal à saúde? Descubra agora!

Médica-veterinária alerta que o hábito não é proibido, mas requer cuidados e envolve riscos

Dormir com gato faz mal à saúde? Descubra agora!
Por Rebecca Vettore
3 de março de 2026

Será que dormir com gato faz mal à saúde? De acordo com Carla Perissé, médica-veterinária formada pela Uninassau e pós-graduada em Dermatologia Veterinária, a ação não é proibida, mas requer cuidados e não é indicada para todo mundo.

“Em muitos casos, esse hábito é até bem tranquilizador e fortalece o vínculo afetivo, mas, como veterinária, digo que o responsável precisa entender os riscos, as contraindicações e saber como fazer isso da forma mais segura”, explica.

A profissional conta que, de forma geral, para pessoas saudáveis, sem alergias, imunossupressão e com o gato bem cuidado, a chance de problemas graves é baixa, porém não é nula.

Entre os maiores riscos, de acordo com ela, estão a presença de parasitas e zoonoses.

“Se o gato frequenta a rua, costuma caçar roedores e pombos ou tem contato com outros animais, pode carregar parasitas internos (vermes) e externos (pulgas e sarna) que podem atingir o ser humano”, diz a médica-veterinária.

Perigos ocultos 

Algumas bactérias presentes na saliva e na pele do pet, como Bartonella, podem ser transmitidas por arranhões ou mordidas, especialmente se houver pele ferida ou imunidade baixa.

Quando falamos de sarnas e micoses, Carla conta que as dermatofitoses podem ser transmitidas por contato de pele, especialmente se houver escoriações. 

Já as contraindicações de dormir com gato estão relacionadas a pessoas com imunossupressão (quimioterapia, HIV, uso de corticoides em alta dose e pós-transplante) e asma, rinite alérgica ou dermatite atópica grave.

Nesses casos, vale ressaltar que ficar com o animal na cama não é proibido, só não é indicado, porque o contato próximo toda noite piora a exposição aos alérgenos. 

“Para quem tem alergia leve, o ideal é avaliar com médico alergologista e elaborar um plano de manejo, que pode incluir imunoterapia e medicação, além de medidas ambientais”, conta a profissional.

Para bebês e crianças pequenas, também não é indicado, sobretudo por riscos de alergia precoce, irritação na pele e, principalmente, perigo de asfixia ou sufocamento, se o animal for muito grande ou se mexer muito na cama.

Cuidados para quem dorme com o gato

Independentemente da idade de quem dorme com o animal, o ideal é que o pet esteja 100% do tempo dentro da casa ou do apartamento, com acesso muito controlado ao exterior, sem caçar roedores ou ter contato com fezes de garagem ou de terra.

Além disso, ele deve estar com antiparasitário regular para pulgas, vermes e outros parasitas e vacinas em dia, sendo também indicado realizar higiene constante das patas. 

“Se o gato sobe na cama após andar na caixa de areia ou no chão da casa, vale higienizar com lenço umedecido ou água antes de subir na cama, principalmente se o ambiente tiver sujeira visível”, explica Carla.

Ao dormir com o animal, é importante lavar lençóis e fronhas com frequência, escovar o pet para reduzir o pelo solto e evitar que ele fique na cabeça ou sobre o rosto.

“Crianças acima de dois ou três anos, com boa saúde e sem alergia confirmada, podem compartilhar a cama, desde que o gato seja tranquilo e não durma em cima do rosto delas nem sobre o travesseiro”, relata.

A indicação para idosos dormirem com o felino segue parecida com a de crianças. A veterinária indica o hábito desde que a pessoa não possua doenças respiratórias graves e tenha boa imunidade.

Já os responsáveis mais velhos com pneumonia, insuficiência respiratória, imunossupressão ou alergia grave, devem evitar o contato noturno, mantendo o quarto sem o gato.

A profissional também sugere que os responsáveis ensinem o animal a usar uma caminha, para que ele não suba na cama do humano e ainda se sinta seguro no local. 

Caso o gato fique muito ativo à noite, o enriquecimento ambiental durante o dia, como brinquedos, caçadinhas e brincadeiras, pode reduzir a agitação noturna.

Dormir com gato faz mal à saúde? Descubra agora!
Tomando cuidado, crianças, idosos e grávidas também podem dividir a cama com um felino (Foto: Reprodução)

Grávidas podem dormir com gatos?

Quem está gestando pode conviver com o felino, desde que siga alguns cuidados. 

“O risco de toxoplasmose existe, mas não vem do fato de dormir com o pet, e sim de lidar com fezes de animal infectado. Se o felino ficar o tempo todo dentro de casa, sem acesso à rua ou sem caçar e for vacinado e vermifugado, a chance de transmitir a doença é muito baixa”, conclui Carla.

FAQ sobre se dormir com gato faz mal à saúde

Essa ação faz mal para qualquer pessoa?

Não necessariamente. Para pessoas saudáveis, sem alergias ou imunossupressão, e com o animal bem cuidado, a chance de problemas graves é baixa, embora não seja inexistente. 

Quais são os principais perigos de dormir com o felino?

Os maiores riscos envolvem parasitas internos e externos, zoonoses e bactérias que podem ser transmitidas por arranhões ou mordidas, especialmente se houver pele ferida ou imunidade baixa. 

Quais cuidados reduzem os riscos ao compartilhar a cama com o gato?

O ideal é que o animal viva dentro de casa, com acesso controlado à rua, esteja com vacinas e antiparasitários em dia e tenha higiene frequente das patas. Também é importante lavar roupas de cama regularmente, escovar o pet para reduzir pelos soltos e evitar que ele durma sobre o rosto.