Com presença crescente nos lares brasileiros, os gatos já ultrapassam a marca de 30 milhões vivendo em residências no país, segundo o Instituto Pet Brasil.
Entre 2022 e 2024, a população felina doméstica cresceu 5,4%, reforçando a importância da guarda responsável e de cuidados adequados com alimentação, higiene e segurança.
A professora de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Brasília (CEUB) e doutora em Clínica Médica, Fabiana Volkweis, reuniu recomendações práticas para promover mais qualidade de vida aos felinos.
Hidratação: estimular a ingestão de líquidos é fundamental
Os gatos naturalmente ingerem pouca água, o que exige atenção redobrada do responsável. Distribuir potes pela casa e oferecer fontes de água circulante pode aumentar o interesse do animal.
“O tutor deve estimular a ingestão de líquidos, inclusive adicionando água ao alimento úmido”, orienta a especialista.
Alimentação: qualidade e atenção aos detalhes
Para gatos saudáveis, recomenda-se manter ração seca disponível, priorizando opções super premium. O uso de comedouros rasos é indicado para evitar pressão nas vibrissas (bigodes), estruturas sensoriais altamente sensíveis.
Banho: frequência varia conforme o perfil do gato
Embora o banho frequente não seja indicado para a maioria dos felinos, ele pode ser realizado com intervalos maiores e produtos adequados, sem fragrâncias.
Gatos de pelo curto geralmente não necessitam de banhos, pois a lambedura diária cumpre essa função, exceto quando há sujeira excessiva.
Já gatos de pelo longo podem tomar banho a cada seis meses, sendo a escovação periódica essencial para preservar a saúde cutânea e a qualidade da pelagem.
Felinos da raça Sphynx, por apresentarem maior oleosidade na pele, necessitam de banhos mais frequentes.
Higiene da caixa de areia: exigência natural dos felinos
Gatos são extremamente exigentes com higiene. O ideal é disponibilizar uma caixa de areia a mais do que o número de animais na residência. O tamanho deve ser adequado, com cerca de uma vez e meia o comprimento do felino.
A limpeza deve ser diária, com retirada de fezes e urina, e troca completa da areia semanalmente.
“Polvilhar bicarbonato de sódio no fundo da caixa pode ajudar a reduzir odores. Caso haja alterações nas fezes, é importante coletar material para exames e procurar um veterinário”, explica Fabiana.
Evitar produtos perfumados
Areias e produtos perfumados podem gerar rejeição. O olfato felino é extremamente sensível, o que torna fragrâncias artificiais desagradáveis para muitos animais.
Higiene bucal desde filhote
A escovação dentária diária com produtos veterinários é recomendada quando o hábito é introduzido ainda na fase filhote.
“Alterações bruscas na rotina de gatos adultos podem gerar estresse e comportamentos defensivos”, alerta.
Escovação dos pelos e corte de unhas
A escovação frequente previne doenças dermatológicas e problemas gastrointestinais relacionados a bolas de pelo, além de reduzir a queda no ambiente. O corte das unhas pode ser feito a cada 15 dias ou mensalmente para prevenir acidentes.
Segurança: acesso à rua representa risco
Permitir livre acesso à rua expõe o gato a brigas, atropelamentos e doenças. Em apartamentos, telas de proteção em janelas e sacadas são indispensáveis para prevenir quedas.
Transporte seguro e redução de estresse
O uso de caixa de transporte exclusiva é indispensável. Compartilhar o acessório com outros animais ou utilizar modelos transparentes não é recomendado.
“Os gatos se orientam muito pelo olfato. Entrar em uma caixa com cheiro de outro felino pode ser extremamente estressante”, explica a docente do CEUB.
Feromônios sintéticos podem auxiliar no bem-estar e na redução do estresse durante deslocamentos e adaptações.
Uso de medicamentos: nada de automedicação
A automedicação deve ser totalmente evitada.
“Felinos possuem metabolismo diferente dos cães e dos humanos. Qualquer medicação só deve ser administrada com orientação veterinária”, conclui Fabiana Volkweis.
Fonte: Maquina CW, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre cuidado com felinos
Quantas caixas de areia devo ter em casa?
Uma a mais do que o número de gatos na residência.
Gatos precisam tomar banho com frequência?
Não. A necessidade varia conforme o tipo de pelagem e características individuais.
Posso medicar meu gato por conta própria?
Não. Medicamentos só devem ser administrados com orientação profissional, devido às particularidades metabólicas dos felinos.

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